Pela liberdade de ser humano

Primeiro, peço desculpas pelo sumiço. Tive alguns contratempos pessoais que me deixaram sem ânimo para escrever. Resolvida uma parte deles, retorno ao blog com um texto bastante polêmico – vai ter quem discorde da minha posição, mas críticas construtivas são muitíssimo bem vindas – feito em contribuição com a Maíra, amiga há tempos, da comunidade Surdos Oralizados do Orkut.

Tudo começou porque a Má mandou um video baseado numa história que eu já conhecia (e talvez a maioria conheça) e que também já vi em várias versões e com crianças de deficiências diferentes. O enredo é mais ou menos esse: “um grupo de crianças com deficiência está competindo numa corrida. Até que uma das crianças cai e, em vez de continuarem, as crianças retornam para buscar aquela que caiu e atravessam todas juntas a linha de chegada”.

Ela achou isso lindo e fez uma comparação com a situação dos deficientes auditivos de diversos graus e natureza que não lutam em conjunto, pois estão ocupados em diversos grupos separados.

Normalmente, quando recebo um email assim, eu costumo ignorar, porque todo mundo tem o direito de expressar a opinião pessoal e subjetiva, não é mesmo?

Mas ontem, pela Maíra ser uma pessoa próxima, sensível e inteligentíssima, resolvi dar a minha opinião a respeito, sobre o vídeo, o que iniciou um delicioso debate sobre opiniões diferentes sobre um mesmo tema.

Você me permite uma análise sobre esse video?
Já é a terceira versão dele que eu vejo. Sempre é um grupo que tem alguma deficiência e volta pra buscar aquele que cai para atravessarem a linha de chegada todos juntos.
Na primeira vez que vi, achei bacana. Hoje, já olho com reserva, porque isso reforça muito o estereótipo de que deficientes são pessoas sempre iluminadas, que não reclamam de nada, que tem um coração imenso, que estão sempre dispostas a ajudar, porque não têm malicia nem maldade no coração. Mas sabe? Isso retira de nós o direito a humanidade. De ser chato, de querer vencer, de ter ambição, de pensar primeiro em nós mesmos e depois, na sociedade.
Por que pessoas sem deficiência são aplaudidas por chegarem em primeiro, mas aquela com deficiencia é aplaudida por ter compaixão com um semelhante, numa situação que, provavelmente, a pessoa sem deficiência seria vista como otária?
Eu entendo que você tenha achado bonita a solidariedade, isso é realmente lindo!
O que me incomoda é que ela tenha que ser retratada com frequência com um protagonista deficiente. Como se nós tivessemos obrigação de sempre ser bonzinhos e lição de vida.
Já cansei de ver gente falar “fulano tem deficiência e nunca reclama, ele é um exemplo”. Ora, ele não reclama porque não reclama, é uma característica dele, não tem a ver com o fato de ter ou não deficiência. Nem todas as pessoas sem deficiência vivem reclamando ou não reclamam nunca. Elas são vistas como seres com direito a características individuais. Nós também deveríamos.
Concordo que os deficientes auditivos deveriam ser mais unidos. Mas não dá, porque somos muito diferentes inclusive pela deficiência que temos. Existe oralizados que falam bem, outros nem tanto. A deficiência auditiva é muito individual e ela afeta justamente o que une a sociedade como um todo: a comunicação. Portanto, é preferivel sim, que sejamos um grupo de vários segmentos, porque nossas necessidades são distintas e não tem como a gente brigar por nada em comum.
Sinalizados querem Libras em todos os lugares. Oralizados querem legenda em todos os lugares. Isso sempre vai se contrapor e não tem como chegar num senso comum, porque são necessidades diferentes. Que cada grupo lute pelo que precisa e obtenha o que necessita, sem invalidar a necessidade dos outros grupos.

É claro que ela discordou de algumas partes e concordou com outras. Pra ela, as pessoas com deficiência tendem a ser mais solidárias com as dificuldades alheias sim, porque sente muitas na pele também.

Eu, apesar de achar que sentir a mesma dor ajuda a ter mais compaixão, acho que não é uma regra de grupo, mas individual. O que determina que uma pessoa seja solidária é quem ela é, não a condição física dela. Conheço gente sem deficiência nenhuma extremamente solidária com a dificuldade do próximo – muitos dos leitores do blog, inclusive – pessoas que trabalham em prol da acessibilidade, mesmo não precisando dela pra si, agora. É uma questão de empatia, sem precisar passar por isso.

Enfim, sempre defendo que cada ser humano é único e o que o define são as características individuais dele, o carater, as experiências de vida e o que ele faz com elas, a educação que teve. Não a condição física, o rótulo ou as experiências de forma isolada, pois uma mesma situação pode ter efeito absolutamente inverso em duas pessoas distintas.

Beijinhos sonoros e bom final de semana,

Lak

47 palpites

  1. Mila disse:

    Clap, clap, clap!
    Excelente texto, Lak. Concordo plenamente com vc. Cansa essa de ser herói. E cansa mais ainda qdo vc age solidariamente e as pessoas acham q vc não faz mais do q sua obrigação, pq vc é assim mesmo, ajuda os outros pq recebe “ajuda”.
    Um beijo e parabéns pelo blog!

    • laklobato disse:

      Obrigada, Mila. Veja bem, eu não tenho NADA contra a solidaderiedade. Só tenho contra o estereotipo de que, por ser deficiente, eu sou obrigada a ser absolutamente altruista, solidária, legal e não posso reclamar de nada nunca. Veja bem, eu sou humana como qualquer pessoa. Quero apenas ser vista como tal. Superherois são personagens dos quadrinhos!
      Beijinhos e obrigada pelo comentário.

  2. Simone disse:

    Lak, minhas palmas para você também! clap, clap, clap.
    Concordo perfeitamente com o seu texto. Não tenho nada para discutir, criar controvérsias, discordar, etc!
    Eu sou da turma dos surdos oralizados, aqueles que lutam pelas legendas, aqueles que incentivam MUITO a oralização diantes dos profissionais da fala e da audição. Sem dó. rs!
    Realmente, uma coisa já é bem clara: estamos aqui no Brasil!
    Tenha ótimo dia, Lak, não fica assim com aqueles contratempos, pois eu te adoro. Também tem gente que te adora! 😀
    Parabéns pela postagem de hoje!
    Beijinhos.
    Simone.

    • laklobato disse:

      Eu ia falar que não tenho nada contra a Libras, mas quem lê o blog há tempos ja sabe disso e não quis ser repetitiva. Eu apoio que quem precisa dela, brigue por ela.
      Apenas não participo da briga, porque ela não me ajuda em nada, preciso de outras coisas e é por elas que eu brigo.
      Acredito na oralização, no implante coclear, na fonoterapia e é isso que eu defendo. Acho que existe espaço para diversidade dentro da deficiência auditiva.
      Beijinhos e obrigada pela força, sempre.

  3. Ferris disse:

    Eu não diria que o texto é polêmico… ele é libertador…

    Dizer o que se pensa sem ofender é uma arte pra poucos… uns nascem com ela, outros tentam consegui-la… e outros, morrem sem ter noção do que é isso…

  4. Gislaine disse:

    Estava sentindo sua falta, por isso hoje vou comentar..rs. Sabe que concordo com você como um todo! Cada pessoa é um ser unico, um individuo. Muitos podem ter objetivos em comum, mas não são e nunca serão iguais. Devemos fugir, ou melhor correr da regra: Deficiente = bonzinho. Não que ser bonzinho é ruim, mas não é assim, não funciona assim, nunca será assim!!! #prontofalei ..rs.rs. Bjus Lakinha, nao some. 😈

    • laklobato disse:

      Hahaha adorei o #prontofale. Realmente, não funciona assim e não acho legal ficar batendo nessa tecla. Sou humana, pô. Quero meu direito de ser chata também!
      Beijo

  5. Lu disse:

    Ah! Que saudade que eu tava desses seus textos!!!
    Eu concordo plenamente que “dizer o que se pensa sem ofender é uma arte pra poucos” ! E que você é profissional nessa arte!
    Amei!
    Beijinhos!!

  6. Juliana Toro disse:

    😀 Tá lindo os novos ajustes! Ainda bem q a fumacinha do cafézinho continua! 😀
    Achei o texto muito coerente, não acho legal mesmo pessoas q tratam as outras com muitos “dedos” por q acham q elas são deficientes….aliás, não gosto muito dessa palavra. É como tratar criança fazendo “vozinha”, sabe? Criança é uma gente pequena oras…elas entendem como qualquer um..não precisa ficar se fazendo de maluco na frente delas. Se a gente for pensar todo mundo é deficiente em alguma coisa, não é isso que importa, e sim a nossa eficiência em alguma área, pq ninguem é mesmo perfeito. 😯

    Vou lá conhecer o outro blog 😈 e pra não fugir o costume 😎 deixar alguns sapoticons q eu adooorooo! 🙂

    beijos!

    Juju

    • laklobato disse:

      Ju, o termo correto é pessoa com deficiência. Ou deficiente auditivo.
      Tem quem não goste do termo, mas deficiência não tem a ver com ineficência, mas com deficit em algo, no meu caso, auditivo.
      Não tem nada de errado em dizer “aquela pessoa tem deficiência” ou “eu sou uma pessoa com deficiência”, porque ser deficiente não é ofensivo e estamos acostumados com a deficiência que temos.
      Enfim… beijocas

  7. Leila disse:

    Só tenho uma coisa a dizer: excelente texto.
    Copiando acima:

    Eu concordo plenamente que “dizer o que se pensa sem ofender é uma arte pra poucos” ! 😈

  8. Leila disse:

    O que vc disse
    Já cansei de ver gente falar “fulano tem deficiencia e nunca reclama, ele é um exemplo”.

    Me enjoa!!! Isso ofende a inteligência da pessoa. Quem diz isso já acha que a pessoa é incapaz de ter opinião.

    • laklobato disse:

      É bem por ai… Ou então, acha que a pessoa tem que ‘compensar’ a deficiência sendo um poço de candura. Desculpa, mas isso é negar o direito dela de ser humana, com todas as idiossincracias que formam um ser humano.
      Beijos

  9. Paty disse:

    Concordo com tudo que vc disse no texto, Lak. O fato de muitas pessoas dizerem que deficientes são exemplos me cansa. Já ouvi muita gente dizer que eu sou um exemplo. Isso me enche um pouco o saco. Se eu fosse bem numa prova do colégio, a sala toda ouvia o discurso do professor, que dizia que eu, mesmo com toda dificuldade, consegui tirar a nota mais alta da turma. Eu tinha vontade, além de colocar um saco na cabeça, de dizer um “Para de falar asneira”. Escrever (o ato de usar caneta/lápis) nunca foi difícil p/mim, mas aquela coisa de querer dizer “Ela é um exemplo… ela pode!” já deu no saco 👿 (desculpa a expressão).
    Beijão e um ótimo fim de semana procê.

    • laklobato disse:

      Pois é, vc não estava fazendo nada mais que a sua obrigação. E, provavelmente, tinha quem te detestasse por conta dessas hipervalorização do que vc fazia. Não acho que nos faça bem…
      Beijos

  10. Luna disse:

    Sabe o que isso me lembrou? Um tópico que você criou na Palpiteiros (acho que foi você! Me diga se estiver me confundindo!) sobre a coisa de “veja só, ele é careca e você aí arrancando seus cabelos!”, “veja, ela tem um câncer e você reclamando do resfriado!”, “veja, tem tanta gente passando fome e você desperdiçando comida”, etc, etc, etc.

    E pessoas boazinhas demais, altruístas demais, solidárias demais acabam me incomodando, tenho a impressão que não sou humana. E ainda bem que ninguém exigiu isso de mim (tenho uma deficiência leve), imagina? E é absurdo exigirem isso de outras pessoas. Me lembra a coisa de mulheres terem que serem exemplares no trabalho para os homens poderem respeitar e o fato de que muitas pessoas só vêem um gay com respeito se no restante ele se adequar ao padrão. A sociedade exige um padrão de perfeição de todo mundo: negros, deficientes, gays, mulheres, etc. É revoltante. É como se a gente, por ser o que é, precisasse compensar isso para a sociedade.

    Mas eu devo confessar que me choca muito uma pessoa de um dos grupos discriminados discriminar outro. Um deficiente que seja racista, um gay que odeie mulheres, etc. Me choca. Afinal o preconceito e a necessidade de ter direitos e tudo o mais deveria uni-los, não é? Mas não é assim que acontece. Me falaram que um garoto da minha sala, que é surdo sinalizado, insinuou que um colega seria o garçom pra servir os amigos porque era negro. Todo mundo ficou tipo: “céus, ele sabe o preconceito que passa, sendo surdo, como é que diz uma coisa dessas?”

    Isso me deixa triste. Ninguém nunca se entende, é. E falei demais, err 😡

    • laklobato disse:

      Eita, Luna, que memória boa. Sim, esse tópico era meu mesmo, criticando essa postura de que as pessoas tinham obrigação de minimizar os problemas e ate de se sentirem mal com eles, se comparando com quem não pode fazer tal coisa, nesses exemplos que você citou. Não acredito que eu tenha obrigação de ser perfeita só porque outra pessoa tem problemas piores que os meus. Não é assim que funciona…

      Realmente, a gente espera que quem passa por uma situação de preconceito seja mais solidária com outra minoria. Mas também é utópico, porque aquela pessoa tem tais preconceitos por uma série de fatores que levaram ela a isso. Se ela deve mudar? Claro, ter respeito pelo próximo independente de quem ele é, é necessário. Mas, dizer que ela NAO PODE ter preconceito só porque é de uma minoria é distante da verdade. Qualquer que seja a minoria que alguém pertence não tira a condição dela de ser humana e, portanto, propensa a falhas, erros e ser ignorante.
      O moleque da sua sala errou, não por ser surdo, mas por ser racista. O racismo é errado sim, mas não é porque ele é surdo que tem obrigação de ser mais esclarecido que os demais.
      Entendo o que você quis dizer e até acho que seria muito melhor se fosse assim mesmo. Mas, infelizmente, a realidade é mais feia do que a gente gostaria que fosse, né?
      Adorei que seu comentário. Fique a vontade de escrever muito, sempre…
      Beijos

  11. Adorei seu texto Laka, estou virando sua fã. 😉
    Concordo com tudo que você escreveu.

    Acho que um dos meus desafios como mãe é em primeiro lugar tratar meu filho de igual para igual e não mimar d+ só por causa de sua deficiência.

    Agora me responde uma coisa:

    É comum uma criança oralizada usar libras também?
    Ou geralmente quem é oralizado não quer de forma alguma usar Libras?

    Bom fim de semana querida!
    Sabine

    (fiz um post no blog sobre você, caso alguma coisa não te agradar me fale)

    • laklobato disse:

      Sabine, eu vou ter que perguntar isso pra minha fono, porque sinceramente não sei. Não fui oralizada por terapia, sou pós-lingual. Os meus amigos surdos de nascença oralizados, na maioria, não falam Libras. Os que falam, aprenderam depois de adolescentes/adultos, porque antigamente optava-se por um caminho ou outro apenas. Hoje em dia, que falam de bilinguismo mesclando os dois.
      Não sei te falar qual o resultado da versão atual de educação de surdos, sinceramente….
      Acho que existe pessoas mais informadas que eu, para te aconselhar quanto a isso.
      No mais, vou dar uma olhada lá no seu blog.
      Beijos

  12. Maíra disse:

    Como é bom ter tanta gente participando aqui!! Achei q vc iria colocar o vídeo tb!! 🙂
    E continuo insistinto: é muito bom e importante ser solidário independente se deficiente ou não…
    beijinhos

  13. SôRamires disse:

    Lak, depois de uns dias de silêncio (ou melhor de ausência de texto) a senhora me sai com esse texto absolutamente necessário, bem escrito e bem argumentado. Eu odeio mensagens melosas envolvendo deficientes, exemplos de vida e tudo mais. Prá mim quem fica engrandecendo os pobres deficientes está mesmo é tentando esconder que morre de pena dos coitadinhos, infelizes. Pô nem coitadinho nem superhomem! Gente simplesmente!
    E quanto a não sair lutando todo mundo pelos deficientes em geral acho improdutivo, cada grupo tem suas necessidades e sabe muito bem o que precisa. Na surdez a diversidade é grande, tem os que fazem cirurgia de implante, para a otosclerose a cirurgia é outra: colocar um estribo “novo”,
    com cirurgias, pós operatório e recuperação (ou não) totalmente diferentes. Então é muito justo que os implantados troquem informações, que os que têm otosclerose façam o mesmo.
    Devemos estar unidos sim ao exigir cidadania mas promover um bloco unido de deficientes me parefe contraprodutivo. Beijos

  14. SôRamires disse:

    Completando o raciocínio. Por conta do Blog Sulp às vezes participo de eventos, manifestações, etc e também me solicitam textos ou opinião.
    Só falo do que conheço, dos sulp-pós linguais, usuários de aparelhos auditivos e que não usam libras e dos bendito equipamento que se usa na Argentina. Me recuso a falar sobre o que eu não conheço nem vivo. Cito é claro o implante como uma opção mas sempre indico seu blog e os grupos de implantados. Não acho honesto quem se arvora em portavoz dos surdos em geral. Nem porta voz, nem portabandeira! Sempre deixo claro que existe a diversidade na surdez que requer diferentes soluções.
    E abomino quando usam números estatísticos totais dos deficientes auditivos no Brasil para fazer crer que são todos usuários de libras.
    😡 😡 😡 não chorem por mim os ouvintes…(plagiando o não chores por mim argentina da Evita)

  15. Ana Clara disse:

    É Lak, depois desse texto tive q vim fazer um post… Ainda me lembro da epoca da escola em q os professores me idolatravam por ser uma “surdinha” melhor da sala e de como isso me incomodava… E tbem de tempos depois qdo me revoltei e quis provar pra mim mesma q sim eu podia ser uma adolescente rebelde apesar de ter def auditiva e o qto isso foi libertador pra mim. Descobrir q eu sou uma pessoa normal, apesar da def e q não sou exatamente o tipo bonzinho foi extremamente libertador rsrsrs 😈 bjsss

  16. zuleid disse:

    Desta vez foi VOCÊ quem se surpreendeu!!! hihihi, pensou que ia polemizar e foi unanimidade! Ninguém mais aguenta essa idolatria! É como diz meu amigo Sérgio:
    “Não tenho nada contra DEUS, o que não aguento é a turma do fã-clube” hahahaha!!!
    Eu trabalho em prol dos Asmáticos e sempre digo que minha prioridade são eles, mesmo que tenha simpatia pela causa dos Cardiopatas vou focar minhas ações nos asmáticos pois é a minha praia, mas nunca tratando-os como vítimas ou incapazes. Isto é idiotização! Lak você foi incisiva e pronto, dizer mais é redundante!
    Beijos prá todos!!!!

    • laklobato disse:

      Zu, quaaaaase unanime, você quer dizer. Basta ler todos os comentários com calma hehehe
      Minha mãe tem asma, sabe? Há muito tempo e ela sofre demais com isso. Mas é adulta, sabe como resolver a crise. Agora, criança com asma, acho uma tortura de imaginar. Ainda bem que eles tem você pra trabalhar em prol deles.
      Mas não, não dá pra tratar alguém como vitima ou incapaz, só porque tem uma fraqueza. A pessoa sempre precisa continuar sendo vista como um ser humano competente e capaz, ainda que com alguma limitação física ou sensorial. Especialmente no que se refere a crianças. Sempre falo o seguinte “não trate seu filho como um idiota, porque periga ele acreditar nisso”. Eu percebo que os deficientes auditivos que tiveram incentivo familiar, em vez de ser tratados como vítima, são os que mais foram longe na vida.
      Por ter sentido na pele como é importante levar alguns “sevirex” na vida, sempre corri atrás do que queria, continuo fazendo isso até hoje…
      E, talvez pareça arrogância mas, não acredito que possa funcionar se não for assim.
      Uma coisa é a criança ter apoio na hora certa, ser incentivada quando necessário, mas reprendida quando comete um erro, como qualquer criança, outra é ela ser tratada como uma vitima e todos os erros dela serem relevados “porque ela é doentinha”. Não faz bem pra ela!
      Nem anjos nem demônios, crianças com deficiência, com doenças crônicas são, antes de tudo, crianças.
      Beijos

  17. zuleid disse:

    É bem isso Lak!
    Todos os dias eu repito isso prás mães: Seu filho é asmático e só precisa receber medicamentos de forma adequado e evitar os fatores de piora! Ele tem o direito de andar na chuva, tomar gelado, tomar sorvete e ficar descalço como qualquer outra criança!
    Quando eu falei sobre os asmáticos estava me referindo à ABRA-SP, Associação Brasileira de Asmáticos-SP que é uma ONG da qual sou uma das fundadoras que se dedica à educação dos pacientes e familiares e desmistificação da doença. Hoje temos cerca de 10.000 associados!
    É como aquela frase idiota: “Ele pode ter todos os defeitos mas é honesto”. Honestidade não é virtude é obrigação!
    E deficiência ou doença crônica não é passaporte prá santidade!
    Viva o direito de ter defeitos e virtudes!

  18. Eliane Lobato disse:

    Parabéns! lindo texto, bem escrito.
    concordo com vc em genero, número e grau.
    Cansa essa posição de ser herói, de ser o que sempre compreende, enfim…
    é isso solidariedade é lindo, sem dúvida necessário mas em qq condição humana. E, bom bem colocado que cada ser humano é único seja com deficiência ou sem.
    E tem um aspecto interessante, deficiência auditiva é invisivel, passa desapercebida ou seja já difere por sí só a própria deficiência em si.
    Legal que vc reapareceu mas por outro lado é bom umas sumidazinhas pq descobrimos o quanto vc faz falta. beijos sabor fruta do conde! 😉

  19. inês disse:

    Oi, Lak!!
    Ideias interessantes essas levantadas no teu texto e também pelos teus leitores!
    Também concordo que não é por se ser deficiente/ter uma deficiência que se é um super-herói e modelo!! Há 4 anos que tenho a defici~encia auditiva e quando me vejo no espelho, estou igual, se não contar com os cabelos brancos e os quilos extra patrocinados pela cortisona que tomo; fora isso, nem capa de suoer-herói, nem poderes especiais…e bem que davam jeito às vezes!!
    Acho que sempre fui um pouco solidária com os outros, agora na verdade o ter adquirido uma deficiência auditiva me despertou para essa realidade tão heterogénea da surdez; sinto-me mais informada e muito mais sensibilizada para todas as questões que tocam a audição e a falta dela, isso sim!
    No entanto, nem todo o deficiente é exemplar no seu modo de levar a vida, da mesma forma que o não deficiente não deixa de poder ser exemplo por isso!!
    A deficiência é uma outra característica nossa…Claro que há situações mais complicadas para quem tem uma deficiência, seja ela qual for, assim como para quem tem determinada doença que obriga a medicação e cuidados especiais, como para quem tem pouco dinheiro…sei lá, há tantas situações complicadas!
    O andar para a frente na vida, tentando vencer os obstáculos que vão surgindo não é atributo obrigatório do deficiente – há quem o faça, assim como há quem não o faça…tal como com quem não é deficiente. Personalidade é uma coisa…deficiência, outra!

    beijinhos portugueses 🙂 !!

  20. zuleid disse:

    O site da ABRA-SP http://www.abrasaopaulo.org.br e tem o outro grupo do qual sou presidente
    asmacopar.blogspot.com
    Dê uma olhada qdo puder.
    Beijos!!

  21. Thiago disse:

    Oi Lak.Sou o Thiago do MSN.Olhe, nao li o texto todo,mas sempre pensei meio que dessa maneira.Por que as pessoas nos veem como anjos de candura que são sempre imauclados e bonzinhos?E detalhe:quando pisamos fora da linha, a cobrança é bem maior(o que? justo voce que sempre achei q fosse 1 santo?).As vezes me pergunto se pra provar que sou tao igual(ou tao humano) quanto qualquer pessoa,eu nao deveria metralhar alguem num shopping rs.E os “normais” sempre se contentam com o que conseguimos..nos aplaudem mesmo se chegarmos em ultimo numa corrida mas vaiam o Schumacher.Isso tem seu lado bom, mas é sinal de que eles naõ acham que podemos tanto quanto eles podem,não é?Adorei os sapoticons ahah beijo! 😈

    • laklobato disse:

      Pois é, eu discordo dessa mentalidade. Somos tão humanos quanto qualquer pessoa. Portanto, que sejamos parabenizados e reprendidos por motivos semelhantes e não tão discordantes. E quando erramos, que sejamos julgados como humanos que erram, não como anjos caídos.
      Beijos

  22. Armando disse:

    Uau, cheguei atrazado e me surpreendi com o texto e com os comentários, pois escrever bem e publicar já é muito difícil, mas ser comentado por tantas pessoas, com opiniões sérias, em eco, uau, aí sim é sucesso! Pois bem, achei o tema digno de reflexão e como estamos no inverno, tempo de reflexão, vamos lá. Não vi o filme (ou os filmes),só li seu relato e penso: o tema solidariedade é nobre e faz as pessoas chorarem. Olhar os deficientes e criar uma bela historinha sobre eles é nobre e faz chorar. Unir solidariedade e deficientes é nobre e faz chorar. Por fim, criticar tanto choro é nobre e faz pensar!!! Parabéns sobre a escolha do tema e obrigado por me fazer pensar, bj, Armando.

    • laklobato disse:

      Bom, na verdade, eu acho que unir deficiência e solidariedade não é tão nobre assim, se for uma forma de negar direito a humanidade a pessoas só porque elas tem algum déficit físico ou sensorial.
      Uma pessoa com deficiência tem tanto direito de querer vencer quanto qualquer outra.
      Beijão

  23. Gabi VA disse:

    Verdade concordo com vc, em tudo acima, pq eu falei isso no início do meu Blog, sobre o fato de a gente não ter o direito de errar pq somos surdos e temos que ser bozinhos com tudo e todos, isso é irritante, temos o direito de ser humanos! Mas não falo muito, apenas faço uma citação e nem lembro mais q Blog está, o mais recente, foi um crítica que fiz a um artigo que fala sobre os surdos oralizados heheh
    aTÉ MAIS

  24. Gabi VA disse:

    opa, quis dizer nem lembro mais que post está, Bom hauha até Lak