Please, speak slowly!

1025573_59931574Não sei se cheguei a comentar aqui, mas voltei a estudar inglês este ano, pela primeira vez (desde a infância como ouvinte) tendo oportunidade de usar a audição como ferramenta de aprendizado.

Sei que não costumo relatar avanços além de reconhecimentos de sons cotidianos – em parte, porque não quero criar expectativas de  candidatos ao implante que acompanham o blog, em parte, porque eu realmente presto mais atenção nos sons banais que a maioria não liga – mas, como já disse, o IC tem um processo gradual de aprendizado. E hoje, apesar de continuar usando constantemente a leitura labial, já presto muita atenção na audição para discriminação da fala.

E estudar inglês é algo necessário para todos hoje em dia, mas eu tinha o maior receio com o idioma, já que o considero menos ‘labial’ que os idiomas latinos.

Pois bem, queria exercitar o ouvido, uma necessidade e aprender inglês de uma vez por todas, outra necessidade. Então, unindo o superútil ao agradável – advinha só, quem está me dando aula é a professora de Francês, que também dá aula de inglês, Crisaidi, que é expert em me ensinar outros idiomas – rumei às aulas de inglês.

No começo, eu só dava conta de compreender o que a Cris dizia, porque uso a leitura labial + audição.

Mas agora, já ouso dar uns passos mais largos e assistir os programas legendados com o som alto para prestar atenção na voz dos personagens e evito ler a legenda o tempo todo. (Embora ainda abuse bastante da leitura labial).

Semana passada, estava estudando inglês em casa, quando me deu curiosidade de saber como se pronunciava algumas palavras. Perguntei pro Edu, que disse que não tinha certeza quanto a pronuncia (ele lê e escreve inglês bem, mas algumas vezes, fica em dúvida quanto a fala).

Aí, o jeito foi apelar pra programas de tradução, que tem áudio de pronúncia.

Imagina eu, leiga nesse tipo de coisa, por ter mais de duas décadas de privação auditiva nas costas, tentando descobrir como usar?

E, mais, sem qualquer referência visual além da palavra escrita, mas nenhuma  noção de como se lia aquilo?

Tentei a primeira palavra ‘Furniture’  (móveis). Ouvi pela primeira vez. Soou rápido demais pro meu cérebro. Tentei pela segunda vez. Entendi o começo ‘furni…’ (há que era meio óbvio), mas o final sumia. Tentei pela terceira vez e foi como enxergar uma luz brilhante. Consegui ouvir perfeitamente a pronuncia. Ouvi mais umas vezes para confirmar e finalmente, tive coragem de repetir em voz alta.

Como sou muito São Tomé – só acredito vendo – chamei o Edu e pedi pra ele ouvir o áudio e, na seqüência, minha pronuncia, para ver se tinha entendido certo. Ele confimou…

É só uma palavra (mentira, fiz isso durante umas 5hs seguidas, com um monte de palavras e Edu baixou pra mim um programa que você fala e ele escreve, portanto, confirma a pronúncia correta) num oceano idiomático, mas foi a sensação de poder OUVIR de verdade pela primeira vez.

A emoção foi tão tão tão grande, que de tanto ouvir e repetir pro programa, acordei rouca no dia seguinte…

Para quem é apaixonada por idiomas como eu, foi o êxtase!

beijinhos sonoros,

Lak

16 palpites

  1. paola disse:

    adorei!!!! eu tive a mesma idéia e falei para nina (minha filha) que legal!!!
    queria saber o nome do outro programa que vc baixou.

  2. Edu disse:

    Não precisa de programa nenhum.
    É só usar o Google Translate: http://translate.google.com

    O programa que a Lak usou foi o Google Translate para iPhone que é útil porque ela pode falar a palavra em inglês (ou outro idioma) e se ele entender, ele trancreve, forçando você a falar a palavra corretamente.
    Quem tem iPhone pode baixar aqui:
    http://itunes.apple.com/us/app/google-translate/id414706506?mt=8

    A próxima versão do Google Chrome terá suporte à transcrição de voz também.

  3. Simone disse:

    nossa lak, que lindo! seu relato é de emocionar e fazer a gente parar pra pensar em quantas coisas deixamos passar por considerar “banal de mais”.
    parabéns, você é muito guerreira e merece todo o sucesso do mundo.

  4. Maíra disse:

    Nossa, até hoje eu tenho trauma de inglês, pavor, pânico!!!!!!!!!

  5. Deni disse:

    Lak, ultimamente ando “emburrada” com o “ingreis”… 👿
    Não soa nada fácil para mim!
    Já tive aulas particulares, my brother é fluente e tenta me ajudar, meus sobrinhos pequerruchos logo chegam lá e falam algumas palavrinhas comigo, e eu???? buáááááá…
    Mas boa sorte nos teus estudos in English!
    bjin!

  6. Maíra disse:

    Mas eu adoro aprender idiomas! A questão é que, para mim, as aulas de inglês foram traumáticas.

  7. Mariana disse:

    Eita! Eu vou ter aulas de inglês também, ainda esse ano! Eu já tive aulas antes, mas por 1 ano só… a compreensão auditiva e a pronúncia ainda é um obstáculo para mim, daí prefiro ter um prof. particular que focalizasse mais nessas dificuldades, treinando conversação! Ui! E concordo contigo, o inglês parece ser o menos labial das línguas (e alemão também, embora tenha muitos sons guturais, se não me engano).

    Bjão, rouquinha! Hihi

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