Preconceito com criança surda oralizada em escola

Como o objetivo do blog é divulgar a condição do surdo oralizado, com suas particularidades, seus problemas, esse texto não podia ficar de fora.

A autora é a estudante de fonoaudiologia Sheila Carvalho, mãe da Amanda, surda oralizada de 6 anos, que teve matrícula recusada numa escola por não utilizar a Líbras – já que ela tem perda progressiva, foi oralizada desde cedo, utiliza aparelhos auditivos e o Sistema FM supre suas necessidades. E, ainda assim, a escola só aceitava a matrícula dela, se ela fosse enviada para a unidade especial de surdos sinalizados.

Eu evito falar sobre surdos usuários da Líbras, porque não é um universo do qual faço parte e não quero de forma alguma desrespeitar as necessidades deles. Mas, acho que a diversidade que existe entre as pessoas com deficiência auditiva deve ser respeitada. E não é impondo que todo e qualquer deficiente auditivo utilize a Líbras no dia a dia que se respeita alguma coisa. Surdo oralizado existe e tem direito de não fazer uso da Líbras no seu dia a dia. Existe outros recursos que suprem as nossas necessidades e devemos ser respeitados pelas nossas particularidades.

Sheila não aceitou a imposição da escola e procurou outro colégio, onde Amanda foi bem aceita conforme sua condição.

Eu mesma perdi a audição em idade escolar e estudei até a faculdade usando somente a leitura labial e sempre fui uma aluna excelente, portanto, a condição do aluno deve ser respeitada conforme ele consiga acompanhar as aulas. Não, não houve perda nenhuma para a turma o fato de eu estar na sala de aula, porque eu não exigia atenção especial dos professores e tinha mais facilidade de compreender as coisas do que muito aluno ouvinte. Portanto, se o aluno com deficiência tem condição de acompanhar as aulas, ele tem o direito garantido por lei de estudar onde for melhor para ele e não se pode impor que ele vá para outro tipo de estabelecimento de ensino diferente do que ele precisa.

Segue o trecho da Sheila, publicado no blog dela: Ouvindo Pouco e Falando Muito.

O porquê de tanta demora para postar sobre a audiência…
Infelizmente algumas vezes precisamos agir com cautela mesmo estando totalmente certos de nossos direitos e amparados legalmente.
Orientada judicialmente, aguardei alguns prazos e resoluções dentro do MP e hoje fui liberada para divulgar.

Bem, após minha denúncia ao Ministério Público Estadual – Direitos Humanos e do Deficiente recebi a comunicação da audiência com um representante do Colégio e na data marcada compareci ao MP juntamente com minha filha.
Qual foi minha surpresa pois ali na sala de espera estavam a diretora do Colégio Rio Branco unidade Higienópolis, Thaís Sant’Ana e pasmem, 2 advogados…
Me trataram com desdém e olhar petulante…
Sequer olharam para minha filha, desprezo total… Me fiz de desentendida e aguardei anunciarem nossos nomes.

Quando entramos na sala de audiência, enquanto nos acomodávamos o Promotor conheceu, conversou um pouco e brincou com minha filha e depois encaminhamos ela para outra sala para que ela não participasse da audiência.
A audiência começou da seguinte forma:
Promotor: “Se eu não entendesse tão bem de inclusão até ficaria acuado diante da senhora e dois advogados, então quero saber se vocês vieram para uma ‘boa briga’ ou uma ‘boa conversa’. “

Que clima !!!

O tempo todo na audiência a Sra. Thaís e seus advogados tentaram passar uma imagem de “mal entendido” e que não haviam discriminado e nem negaram vaga para minha filha na escola pelo fato dela ter deficiência auditiva.
Inventaram várias desculpas que a todo momento eram rebatidas pelo Promotor que inclusive notava o nervosismo dos representantes do Colégio Rio Branco em suas falas e suas mãos trêmulas em cima da mesa.
O discurso que a forma de inclusão deles é a melhor que existe pois todo surdo “precisa de LIBRAS pois sem ela eles ficam sem identidade” e não serão ninguém no futuro e todo aquele blablabla que bem conhecemos de cultura surda…
O Promotor perguntou quantas crianças com deficiência existem matriculadas na Unidade Higienópolis e a resposta foi: “Nenhuma, pois nunca tivemos procura…”
Posso ‘traduzir’ essa frase após ter conversado com outras pessoas que não quiseram denunciar mas que passaram pelo mesmo processo que eu naquela “instituição de ensino”:
Não temos nenhum deficiente em nossa escola (embora nosso prédio é acessível – sim, o prédio e não as pessoas e nem a mentalidade delas) pois quando a família deles nos procuram nós com todo ‘jeitinho’ fazemos com que desistam da idéia de matricular em nosso colégio pois não teríamos as condições necessárias que esse deficiente necessita, o melhor para esse deficiente é que ele vá para uma instituição que tenha essa preparação e quem sabe, num outro momento poderemos lhe fazer o favor de aceitar seu filho deficiente em nosso tão pomposo colégio.
Logicamente o Promotor não aceitou tantas desculpas esfarrapadas e a todo momento repetia que se julgasse haver dolo, que a pena era de “x” anos de reclusão e ele aplicaria. Houve um momento que se não fosse tão asqueroso por parte da Sra. Thaís eu teria uma crise de riso. O Promotor perguntou: “Como é o processo de inclusão caso chegue uma criança deficiente e a família solicite a matrícula?” A Sra. Thaís começou neste momento a se perder nas palavras e formas de responder a esta pergunta, já que não possui inclusão nesta escola, e solta uma pérola digna de publicação internacional relatando que existe no Colégio Rio Branco uma profissional contratada exclusivamente para atender aos portadores de QUALQUER DISTÚRBIO e QUALQUER TIPO DE DEFICIÊNCIA, uma ESPECIALISTA e começou a inventar um nome para este cargo… Só me lembro que o nome do “cargo” tinha cinco palavras totalmente sem pé nem cabeça, o Promotor irritou-se e pediu para que ela respondesse novamente, então a diretora disse rapidamente e muito nervosa: “Esse é o nome do cargo que nós demos à ela…” Com certeza se ele pedisse para citar o nome novamente ela não saberia… Neste momento o Promotor repetiu que poderia mandar prendê-la e que ele estava espantado pois era “muito estranho” visto que em nenhum lugar do mundo existia esse profissional a qual a Sra Thais se referia… Acredito que esta falta de postura e atitude patética foi a que mais me chocou nesta audiência…
Os advogados então, cada um falava mais besteira que o outro… Num certo momento um deles questionou que na verdade o colégio não poderia aceitar minha filha pois precisaria usar o sistema FM na sala de aula e isso era um tipo de recurso que precisaria de uma pessoa treinada para tal (ele sequer deu-se ao trabalho de pesquisar o caso e o que era um sistema FM) e que a escola não era ‘obrigada’ a ter uma pessoa assim em seu corpo de funcionários…
Foi quando eu disse: Quer ver como sua escola NÃO CUMPRE A LEI e NÃO É INCLUSIVA???
E se minha filha fosse uma surda sinalizada, usasse LIBRAS? Ela seria aceita na unidade Higienópolis???
Ele disse: não, pois temos uma “UNIDADE PRÓPRIA E ESPECIALIZADA EM EDUCAÇÃO DE SURDOS”
Diante disso, pedi permissão ao Promotor para citar a Lei de Inclusão onde a escola teria que providenciar um intérprete em LIBRAS para ela em sala de aula caso ela usasse essa modalidade de comunicação e não segregá-la em um local somente para surdos usuários de LIBRAS e que, ao contrário do que ele havia citado, existem surdos que não utilizam LIBRAS e que usam a linguagem oral e que desta forma, o termo “unidade especializada em educação de surdos” está incorreto pois existem surdos usuários de LIBRAS, surdos bilingues e surdos oralizados e eles não prestam educação em todas estas modalidades de educação.
Encerrei perguntando se algum deles sabia se comunicar em LIBRAS, e se eles entendiam alguma coisa de verdade sobre surdez e suas implicações, o que os deixou constrangidos pois nenhum sabia e então propus a seguinte reflexão:

“Se nesta audiência existisse sentado de lado, sem poder fazer leitura labial, um surdo que somente usasse LIBRAS, diante da realidade que aqui nesta sala ninguém sabe se comunicar usando LIBRAS, ele estaria participando ativamente desta conversa?”

Todos permaneceram calados e acabaram por responder que esta ‘pessoa’ não teria participado e ficaria “complicado”. Então me virei ao Promotor e disse:  Se nesta sala estivesse ainda minha filha, surda oralizada, colocada de costas para nós, ela teria participado ativamente da conversa, limitada ao vocabulário e discurso que não fazem parte ainda de seu cotidiano devido o teor aqui exposto. Então eu lhes pergunto: Onde está a inclusão de vocês? Pois o surdo oralizado pode ser discriminado em sua escola, mas ele convive em igualdade na sociedade que é maioria ouvinte e não sejamos hipócritas, um surdo sinalizado acaba muitas vezes dependendo de um intérprete e o surdo oralizado não depende de ninguém. Em um simples exemplo situacional dá para vocês entenderem aonde quero chegar e que a desculpa que minha filha não acompanharia a sala de vocês é ridícula e infundada.

Logicamente, deixei claro que nada tenho contra LIBRAS, cada qual tem o direito de escolher o que lhe acha mais conveniente, mas assim como hoje graças a Deus configura CRIME discriminar e rejeitar a matrícula de um surdo usuário de LIBRAS em qualquer instituição de ensino, não vou aceitar que façam isso também com o surdo oralizado.

É inadmissível esse tipo de pensamento retrógrado, ultrapassado e de pessoas com mentes fechadas, mentes segregacionistas escondidas atrás de um folder bonito.

O Promotor fez suas considerações finais onde fui orientada a procurar a Defensoria e entrar com um processo por danos, preconceito, discriminação e tantas outras coisas por tudo que ficou ali claramente caracterizado, entre elas a negativa da matrícula pelo fato da criança ser surda oralizada e também informou que o Ministério Público analisaria o Colégio e seguiria com o processo pois ele também entendeu que a denúncia procedia.

Ainda, lembrei-me agora, o Promotor disse que este sistema está ultrapassado e que a inclusão é um “caminho sem volta” e desta forma o colégio VAI TER que se adaptar e que passou da hora do colégio mudar essa “forma de inclusão” a que eles se referiam… A que eu ‘carinhosamente’ chamei de “A inclusão da exclusão”.

Concluindo, hoje recebi a notificação do GEDUC/MP onde o procedimento foi instruído e está em andamento e solicitei uma reunião com a nova Promotora que já está cuidando do processo.

O que mais posso dizer?
O País está movimentando-se a passos largos, em muitos estados mães de crianças surdas oralizadas começam a entender a força que temos e que somente usando a força da justiça e das leis em favor de nossos filhos é que mudamos normas, criamos jurisprudências e fazemos valer nossos direitos.
ONGs estão sendo criadas, grupos, encontros, listas de discussões, famílias engajadas não só pela causa de sua prole mas também em favor dos menos favorecidos e os com menos instrução e condições de conhecer melhor seus direitos, todos nós somos responsáveis pelas mudanças e pelas melhorias. Hoje são nossos filhos, amanhã teremos nossos netos e estamos também lutando por eles neste momento.
Uma sociedade justa se faz com leis sérias e que beneficiem a todos os indivíduos.
Não me importo se você quer usar LIBRAS, Implante, AASI, Leitura orofacial, ‘sinal de fumaça’, seja lá o que for, mas me importo que cada ser humano seja respeitado, cada um com suas individualidades e liberdade de escolhas e que suas escolhas possam ser atendidas.

Enquanto nossa sociedade cala-se diante de atos como esse do Colégio Rio Branco e de tantos outros, enquanto nossa sociedade torna-se conivente com esse tipo de ABUSO, milhões de dólares andam livremente pelas cuecas, bolsas, sapatos e outros lugares que prefiro não citar… Dinheiro PÚBLICO, dinheiro nosso, que serviria pra proporcionar muitos tratamentos médicos de qualidade, remuneração adequada aos médicos, pagamentos de tratamentos realizados através de convênios – SUS com valores ao menos mais aproximados dos reais, hospitais melhor equipados, educação de qualidade, professores mais qualificados e consequentemente melhor remunerados, menos impostos, mais segurança e melhor qualidade de vida…

Pense: Enquanto você for um ser que aceita todos os “nãos”, conivente e que conforma-se com atitudes injustas você não faz bem nem a si e nem aos outros. Calar-se e não lutar por seus direitos de cidadão não te faz uma pessoa melhor… É isso que você quer ensinar aos seus filhos? Que  “o mundo é injusto e que não adianta lutar por nada” ???
A educação e a conscientização de nossos direitos deveria começar em casa e se estender como disciplina nas escolas.

beijos,

Sheila

Ela não é a primeira nem será a última mãe a passar por esse tipo de preconceito, portanto, precisamos divulgar ao máximo, para que outras pessoas tenham informações de como proceder, caso passem por uma situação similar.

Beijinhos sonoros,

Lak

22 palpites

  1. SôRamires disse:

    quanto mais divulgação melhor! 🙂

  2. Deni disse:

    Na real fiquei de cara com a atitude da escola. Sei que não deveria me surpreender, mas eu nunca me deparei com esse tipo de preconceito, e olha que no meu tempo, como conversamos esses dias via msn, nem havia essa tal Lei da Inclusão e estudei em escola regular minha vida toda.
    Mas parabéns a essa mãe e que ela sirva não somente de exemplo, mas de inspiração a outros pais para lutarem pela inclusão de seus filhos.

    Bjos!

  3. Ana clara disse:

    Oi Lak! Tive que comentar esse seu post, principalmente porque vivi o lado da criança que não é aceita. Minha mãe conta (não muito, rs, ela não gosta de falar desse período) que quando foi me matricular na escola, queriam me mandar para uma escola especial para surdos… Isso porque na época eu ja lia e escrevia super bem ( aprendi a ler e escrever aos 5 anos), e falava melhor ainda… É triste ver como as pessoas veem o deficiente auditivo como alguem que tem que estar numa sociedade a parte, eu jamais me adaptaria a comunidade surda. E aprendi sim a LIBRAS, mas não por necessidade, mas sim para melhor me comunicar com uma amiga surda que trabalhava comigo… Na verdade faziamos uma salada de “portulibras” rsrsr oque era muito divertido… Porque não se aproveitar o melhor das duas linguas??? Copiando a sua frase:

    beijinhos sonoros

    Ana Clara

    • laklobato disse:

      Ana, o debate não é esse. É se a criança surda oralizada tem o direito de estudar da maneira que for melhor pra ela e não ser obrigada a aprender exclusivamente através da educação especial e ter Líbras como primeiro idoma.
      O resto, fica a critério de cada um.
      Beijos

  4. Maíra disse:

    Adorei a postura da mãe de correr atrás dos direitos da filha. Lembremos que a família tem direito por optar pelo oralismo ou pela língua de sinais, logo esta opção tem que ser respeitada todo e em qualquer ambiente, principalmente na escola.

    • laklobato disse:

      Pois é. Uma coisa é respeitar a escola especial. Outra é ela ser a única alternativa para toda e qualquer criança com deficiência auditiva. Beijocas

  5. Mariana disse:

    Esse texto é de calar a boca desse povo de mente fechada que acha que sabe o melhor para gente. Como Deni disse, na minha época também, meus pais não foram surpreendidos com essa falta de respeito ao me matricular (já estudei em mais de 4 escolas regulares). Fico achando que quanto mais as pessoas se ‘conscientizam’ disso, mais elas criam o preconceito, ou seja, se ‘conscientizam’ de forma apressada e não fazem uma boa pesquisa a respeito, se mantêm na ignorância. Impressionante essa diretora. Espero que dessa vez ela aprenda!

  6. Mariana disse:

    Alias, não só essa diretora, obviamente, como todo mundo precisa aprender. Esse texto tem que ser bastante divulgado, pois está bem claro, bem escrito e bem argumentado. Parabéns, Sheila!

    • laklobato disse:

      A maioria das pessoas se limita ao estereótipo. A questão é respeitar quando não se depara com um e ponto. Querer forçar a barra pra mantê-lo não dá.
      Beijos

  7. Rogério disse:

    Adoro gente de fibra, e a Sheila matou a pau. A Amanda tem que ser respeitada, o resto é discurso. Muito boa também a postura do promotor, parece que a galera do MP desenvolveu sensibilidade para o tema dos deficientes, porque quando estive lá também percebi que a argumentação da promotora continha conhecimento de causa. Resta lamentar a atitude dessa diretora idiota, que se diz pedagoga e não consegue sequer praticar o mais comezinho ato de inclusão.
    Esse é o caminho das pedras: não aceitar passivamente a menor manifestação de rejeição e preconceito, não tolerar o descumprimento de leis e procurar, sempre, aqueles que podem falar por nós. O Ministério Público é um ótimo aliado na luta diuturna pela acessibilidade.
    Um grande beijo.

    • laklobato disse:

      Pois é, aceitar sem reclamar, pra não se aborrecer é um mau hábito do brasileiro, eternamente conivente com péssimo tratamento que recebe o tempo todo.
      Nesse ponto, não dá mais! A gente precisa brigar por respeito!!
      Beijinhos

  8. GI disse:

    É um absurdo a tamanha ignorancia e falta de competencia de pessoas designadas a passar a nossas crianças educação! É lamentável ver o nível de mediocridade de seres tão egoistas e preconceituosos! Que nossas crianças não reflitam nada do que transmite estes que estão na posição de ensinar não por merecimento! Triste!

    Lak, ontem foi a ativação do meu amigo Bryan! Ocorreu tudo mais que bem! Ele é novinho e não pude falar com ele sobre a sua sensação, mas tenho a certeza que foi a das melhores…ele foi dormir as 2 da madrugada kkk!

    Abraços, Gi 😉

    • laklobato disse:

      Pois é… quem achava que o preconceito havia acabado se engana!!
      Que ótimo que seu amigo foi ativado. É sempre maravilhoso ter mais gente no time cyborg! haha Ouvir é tudo de bom.
      Beijos

  9. kaliny disse:

    Esse foi o meu maior medo quando recebi o diagnostico de que o meu bêbê , tinha surdez severa/profunda. O preconceito que ele provavelmente ira sofrer na vida. por isso desde cedo ele usa o aparelho e foi implantado recentemente (2 meses). Quero que ele fale e compreenda o que agente fala, é por isso que luto e espero que ele não passe por situações tão absurdas como essa.PS: Lak sou nova por aqui mais estou adorando seu blog.

    • laklobato disse:

      Kaliny, vamos batalhar para reverter esse quadro. O implante está sendo divulgado justamente para que as pessoas saibam que a língua de sinais não é sinônimo de surdez. E existe SIM escolas aptas a receber crianças implantadas (mesmo que não saibam muito a respeito, mas que tenham a mente aberta para aprender a lidar com os pequenos ciborguinhos), infelizmente não são todas.
      E, quanto ao preconceito, é melhor não sofrer por antecedência. Foque a mente nas conquistas e passe por cima dos preconceitos de cabeça erguida. Não deixe que nada te paralise!
      Mas, tb não passe por isso sozinha. Existe quem está nessa junto com você (os pais que postam no FIC, eu, etc…) Qualquer dúvida, raiva, indignação, compartilhe conosco, que a gente vai te entender muito bem!!
      Beijocas e bem vinda ao DNO. Se precisar de qualquer coisa, avise.

  10. Marcela Cordeiro disse:

    Caraca! Mas que vergonha meu Deus!
    Como uma escola pode ser tão insensível com uma criança de seis anos e recusar matricula sem ao menos conhecê-la e ver do que ela precisaria ou não?
    Parabéns por essa mãe! Ela é guerreira e correu atrás do que é melhor pra sua filha e mostrar para o Brasil que não teremos tolerância com esse pensamento segregacionista de escolas.

  11. Crisaidi disse:

    Sheila, uau!
    Você falou e disse! Não enrolou, não desviou do assunto! Ótima argumentadora e manteve o humor em alta! Você é uma líder maravilhosa!
    Esse tipo de escola perde. Dou aula para a Lak e vivo aprendendo com ela. Na aula passada eu lhe mostrei uma regra de pronúncia de inglês. Ela me mostrou a dela e fiquei ‘boba-olhando’. Na verdade, a dela é bem sofisticada e me deu nó no cérebro. rsrsrsrs
    Lak, esse blog é mil estrelas! 😀
    Falando em estrelas, Ana Clara, tudo tem seu lado bom e ruim. Quando estudei Libras (pouquinho!) achei ‘gostoso’! ‘Estrela’ em Libras é tão bonitinho! Cheguei a pedir ao meu marido para fazer as aulas comigo – então, se precisássemos nos comunicar ‘gritando’, poderíamos, elegantemente, usar Libras!
    Kaliny, tenho primos que sofreram preconceito na infância. Várias escolas negaram a matrícula para minha tia porque ela era ‘desquitada’. O preconceito é uma doença que tem vários tipos – como a hepatite: tipo A, tipo B… Um dia vem uma vacina aqui, outro dia vem uma Sheila… Hoje (acho) que aquele preconceito contra filhos de pais separados já está erradicado. Fique tranquila! Ninguém é aceito por ‘todos’, mas será amado por alguns que farão valer a pena viver. Sou professora da Lak e a considero um charme. Esta coruja aqui acho bonito o barulhinho que ela fazia com tanta naturalidade ao comer em aula!

    • laklobato disse:

      Hahaha a minha regra é muito mais simples, tá? Ela é facilitadora de pronuncia! hahaha Mas claro que requer prestar atenção no que se está falando, coisa que a maioria das pessoas não faz, só eu.
      Amei o comentário!
      Sheila é um exemplo a ser seguido, mesmo!
      Beijinhos