Preconceito no trabalho

Nas minhas andanças pela internet, vou fazendo amigos por onde passo. E, como jamais omito a minha condição auditiva (porque perderia  a chance de “me auto-aloprar”) acabo conhecendo um pouco das dificuldades e deficiências das outras pessoas. É engraçado isso de que, quando você se abre em expor sua fragilidade, as pessoas se sente a vontade para abrir as dela pra você.

Há uns anos, numa comunidade do genérica do Orkut (falo genérica por não ter nenhum foco específico, é apenas de debate) resolveram fazer uma entrevista comigo, para as pessoas saberem um pouco mais sobre a vida de um bicho esquisito uma deficiente auditiva. Ainda que a maioria das pessoas só tivesse interesse em como sofri preconceito ou a minha vida deve ser horrorosa e infeliz (porque, convenhamos, uma pessoa com deficiencia feliz, plena e realizada pode ser bem incômodo, para que não se sente assim, mesmo gozando de plena condição física e sensorial) e, logo eu, não ser a melhor indicada pra falar de desgraça, já que  tenho uma bizonha capacidade abstração no que se refere a obstáculos, dificuldades e sofrimento, a entrevista acabou resultando no início de uma amizade muito querida, com a Christal.

Ela também tem deficiência auditiva, mas felizmente, apenas moderada e consegue se virar muito bem falando no telefone, por exemplo. Mas, dada essa empatia com a deficiência compartilhada, a gente acabou criando um vínculo de amizade e apoio mútuo.

Esses dias, ela teve um problema sério no trabalho, decorrente tão-somente da ignorância de uma “colega”, somada à vista grossa que algumas empresas são capazes de fazer, mascarada por uma política de “já que a gente é obrigado a contratar pessoa com deficiência, que eles não incomodem nem exijam nada.”. Admito que isso aconteceu comigo também, embora eu não veja  a menor graça de comentar sobre o assunto, já que é passado e hoje, estou muito bem empregada numa das melhores agências de publicidade do mundo.

Mas, como muita gente não tem idéia do que uma pessoa com deficiência pode passar, vale a pena dar uma lida no relato dela. Afinal, um blog que visa informar sobre a condição de PcD, não pode se ater a falar somente de coisas boas, senão fica a impressão de que estamos tentando maquiar o lado duro da vida.

Texto extraído do blog da Christal: http://christais.blogspot.com/

Hoje foi um daqueles dias em que a gente preferiria pular e riscar do calendário.
Como algumas pessoas sabem, minha audição é bastante prejudicada, escuto numa frequência diferente dos outros. É difícil ajustar com aparelhos, mas é unilateral, ou seja, meu ouvido direito consegue dar conta do recado.
Quando fui trabalhar na empresa onde estou agora, como corretora, não falei a respeito, pois em nada prejudicaria meu trabalho. Tanto é que consigo estar bem no ranking de vendas e falo e ouço tranquilamente ao telefone.
Acontece que, como a sala não é muito grande e dividimos entre quinze corretores, muitas vezes fica ruim de ouvir os que falam comigo mais afastados de minha mesa.
Tem uma colega que logo que percebeu esta minha, digamos, deficiência, começou a fazer brincadeiras de toda sorte de mau gosto e que se tornaram logo o grande motivo de diversão de alguns outros.
Não ligava,tentava levar numa boa,por vezes fazia “tiradas” inteligentes que nem ela entendia. Mas reclamava,pedia pra ela parar com isso,chamava-a de lado, só nós duas e tentava por fim nesta situação. Fui ficando irritada, pedí ajuda pra minha supervisora que (…), nada fez além de falar com ela que parasse.
Não parou!
Hoje, chego na empresa por volta de meio dia, a tal colega estava na mesa da plantonista, um colega, um colega na outra mesa e uma terceira de frente pra ele e nossa supervisora na mesa dela, central. Sentei-me ao lado do primeiro e a plantonista começou a falar (não se dirigiu a ninguém em especial) que até aquele momento só atendera uma ligação e nem era pra ela pois tinha feito “triagem” e era pra outra colega. Virei-me pra ela e, sem nenhuma alteração, disse que estava surpresa pois era a primeira vez que ouvia a palavra “triagem”( alí não fazem isso, é cada um por si e sua sardinha); ela se exasperou e berrou num tom agressivo demais que eu não sabia disso porque era muito burra e surda, muito surda, sem competência e que ela jamais mentia. Na hora não entendi, a ficha demorou a cair, cheguei a comentar que a ferradura estava nova hoje, havia sido polida. Ela continuou a berrar, dizia que somente assim eu ouviria, que surdas são o que de pior há. Pedí que se calasse, que poderíamos conversar sozinhas do lado de fora, no corredor, mas ela continuou a me destratar como se eu fosse o cristo que ela estava esperando pra descarregar um dia infeliz. Aí não aguentei. Disse-lhe que não “bateria” boca e que sairia dali direto pra uma delegacia. Minha supervisora que havia saído momentos antes, entrou de volta; ela, a colega, continou a falar toda sorte de insulto a mim; e o máximo que a nossa chefe fez foi pedir pra ela se calar e a respeitar.
Desci aos prantos e fui pra nossa emergencia. O médico me atendeu, minha pressão subiu muito e fiquei alí, sem entender o que eu havia feito àquela criatura pra me tratar daquela forma. Os rapazes que ficam na admistração e cuja sala é separada por divisórias e vidraças, perceberam tudo, não sei se ouviram pois ela gritava demais. Morrí de vergonha, porque ela sempre espalhou pela empresa que eu não ouvia e ria fazendo piadas e alguns riam também. Enquanto pude, aguentei. Agora não mais. Já recebí encaminhamento da DEAM pro Ministério do Trabalho (…).

Revolta, tristeza profunda e decepção. São estes os meus sentimentos agora. O que irei fazer a partir de amanhã só Deus sabe. Há a possibilidade de abrir o jogo com o dono da empresa, mas minha demissão será cotada. Não sei qual será reação dele, mas me demitir estará na pauta. De agora em diante, represento problema, pois não vou me calar sob nenhuma pressão.
Que Deus me ajude!!!
Chris.

O pior de tudo, certamente, é ler algumas pessoas dizendo que ela deveria se comportar, senão a empresa irá cortar a vaga dela, pejudicando a possibilidade de outro PcD conseguir emprego.

Acho isso engraçado. Diante de uma situação de injustiça  e preconceito, exigirem que a vítima (odeio esse termo, mas cabe aqui) se comporte melhor, para não piorar a situação; sem perceberem que quem precisa mudar é o algoz, que é preciso extrair o problema da fonte, que não é exigindo bom comportmento de quem sofre com preconceito, que a intolerância deixará de existir.

Espero, de verdade, que esse tipo de coisa pare de acontecer. Que um funcionário com deficiência seja julgado pela sua capacidade e competência, como qualquer outro funcionário, não pela sua condição física e/ou sensorial. Não ser conforme o padrão não significa, de forma alguma, ser menos humano.

Torcendo para o tribunal que julgar o caso da Chris lembrar disso!

Beijinhos sonoros,

Lak

34 palpites

  1. Joyce disse:

    Também acho que a Chris deva se impor, continuar num trabalho assim realmente não vale à pena.
    Adorei seu Blog Lak =)

    =*

  2. Kali disse:

    Hummm, mais uma daquelas histórias que despertam o Jackie Chan que há em mim!!! Vontade louca de dar uma voadora e um cruzado de esquerda… especialmente na chefe! Pq a moça que grita obviamente não tem noção da bizarrice que faz cotidianamente (e fez mais intensamente nesse caso), logo, quem supostamente deveria ter clareza e se posicionar seria a chefe!
    Acho que a Chris deve sim fazer o registro, mas deve conversar antes com o dono da empresa… pq talvez seja mais interessante ele ter a possibilidade de se posicionar. Se ele fizer alguma coisa, processa a gritadora e a chefe; se ele não fizer nada, aí sim pode pensar em processar a empresa (lembrando que quem processa empresa que trabalha não costuma ser muito bem visto no mercado de maneira geral, todo mundo já fica “com o pé atrás”).
    Mas, ficar calada e “se comportar”? O que é isso, minha gente????
    Beijos para a Chris e prá vc!

  3. Lu disse:

    Faz tempo que não me manifesto, né?! Mas eu continuo sendo uma leitora assídua!! Tô curtindo só ler sobre essas suas novas experiências….
    Mas dessa vez não resisti! Oq é isso?! 😯 Ela não pode ficar quieta não!! Tem mais é q levar pra justiça!! Eu acho que não adianta nada ter vagas de emprego pra deficiente se as condições de trabalho forem essas…. E ficar quieta em um situação dessas não ajuda em nada….
    E estou torcendo pela Chris!!
    Beijinhos!

  4. fabiana disse:

    E eu ainda comentei hoje no blog do Jairo, sugerindo situações “sangue no zóio”. Esta é uma típica. Que a Chris não se cale e torço para ela conseguir “enquadrar” a cidadã que a destratou. Falta tudo a esta moça: educação, bom senso, delicadeza e a lista vai longe. Obrigada pelo post Lak. Beijos 🙂 🙁

  5. Nossa! Que mulher sem noção é esta? E não vê que ela sim é deficiente: de bomsenso, de cidadania, de civilidade, entre outras. Se a Chris se calar esta coisa continuará como se fosse um favor tê-la no quadro de funcionários!
    Espero que a solução seja encontrada e caso a discriminação continue deveria fazer um alarde e colocar o nome da empresa na internet para que todos conheçam o perfil daquele local, e juntos darmos uma sonora vaia pra esta empresa!
    Revolta é o mínimo que dá prá sentir!
    Força Chris!

  6. Bruna disse:

    Jisus, fico possessa com histórias como essa. Acho que o problema é justamente ter deficiencia e ser feliz. As pessoas não suportam ver ninguém feliz, se tem algum “problema”, pior ainda. Somo praticamente uma ofensa.
    Lendo o post fiquei com vontade de bater nessa ignorante. E mais ainda de bater nessa chefe sem noção.
    Bjs

  7. Valdirene disse:

    Lak, tdo bem?
    Entrei na internet pra fazer pesquisas sobre surdos, irei fazer uma palestra sobre Libras e estou em bucas de informaçoes pra fazer meu discurso. Adorei seu Blog, será q vc poderia me ajudar neste projeto?
    Bom, meu msn vc ja tem, me add por gentileza, quem sabe assim posso aprender mais com vc.

    Enorme beijo.

    Com carinho ..Val

    • laklobato disse:

      Não, não posso. Como disse no perfil, eu sou surda oralizada e implantada, falo oralmente e leio os lábios. Não faço uso da Libras, não sei nada sobre ela e praticamente não tem nada sobre Lingua de Sinais aqui no DNO, que é especiamente voltado para Surdos Oralizados e Deficientes Auditivos.
      Mas deve ter bastante site sobre isso a internet, já que esse idioma anda bastante em voga no momento. Tenho certeza que você tira de letra a pesquisa.
      Abração.

  8. Reyel Angel disse:

    Choquei!
    Revoltante isso; nem tenho palavras… 😥
    Bjos na alma!

  9. Miriam disse:

    Cabem os delitos de injúria e difamação. Cabem processos indenizatórios contra a empresa e contra a “faladeira” – nem nome dela eu quero saber.

  10. Christal disse:

    Lak,
    muitíssimo obrigada,minha amiga!!!
    Recebo com carinho os manifestos de apoio e solidariedade! Não sei o que vai acontecer,mas sigo adiante. O pior é ficar sem emprego,mas a minha dignidade não tem preço. Choro pra kct,de raiva, de dor,de humilhação. Mas Deus me dará a resposta e as duas indivíduas vão encontrar o troco adiante. Lak, receba meu carinho de sempre,
    beijus.

  11. Muito bem Miriam! FALADEIRA, e com um discurso OCO! E quem é surda é ela que não consegue ouvir as realidades diferentes da dela! Eu também prefiro não saber o nome desta infeliz!
    Lak, eu concordo com você, só depois do posicionamento da empresa é que cabe qualquer outra atitude, até porque não posso(nem quero) acreditar que tenha mais gente lá com a cabeça ruim como a da faladeira.
    Chris, conte conosco!

  12. Drauzio Junior disse:

    Oi Lak! Tudo bem?
    Leio sempre o seu blog, embora não me manifeste.
    Fiquei revoltado com o que a Chris passou. Que absurdo. Essa empresa mostra que não seleciona e nem treina bem o corpo de funcionários. Esse caso mostra falta de ética e de responsabilidade social por parte da empresa, da funcionária cretina e da chefe que se provou incompetente.
    A Miriam falou em calúnia e difamação. É verdade, mas não é so isso. Cabe também assédio moral.
    Abraço para você e boa sorte para a Chris.

  13. Rogério disse:

    Meu anjo, ando com a bandeira a meio pau, tipo pilha fraca (recebeu meu e-mail falando sobre a interação medicamentosa?), então deixa eu comentar sobre os últimos post numa só cacetada?
    Primeiramente, percebo sua alma com um lirismo quase materializado, e, se já adorava vir aqui, agora vibro com suas conquistas diárias e as (re)descobertas. Eu também sempre achei que o melhor do cinema é a pipoca, e me achava esquisito por isso. Como você não é esquisita, logo também não sou. Viva a pipoca! Você alerta para sons que, de tão acostumados (ou ocupados) não percebemos; passei a prestar mais atenção, até porque, por coincidência, um amigo cego com quem conversava, recentemente comentou: poxa, esse bem-te-vi passou bem perto de nós. E eu nunca prestei atenção em passarinho! Agora a parte chata: o problema enfrentado pela Chris. Sua coleguinha boçal pode ser enquadrada na esfera penal em injúria, difamação e discriminação, dentre outros correlatos. Igual enquadramento pode ter a supervisora, por não ter coibido de forma efetiva esses atos, bem como os demais coleguinhas que achavam o máximo as “brincadeiras”. No campo trabalhista ela pode procurar o Ministério Público do Trabalho, a DRT ou mesmo o sindicato e propor rescisão contratual por justa causa em face da empresa (é, empresa também leva justa causa), pelo assédio moral sobejamente demonstrado. Por fim, na esfera cível, ela pode mover ação de reparação de danos morais, este contra a empresa. Em qualquer dos casos bastam provas testemunhais. Independentemente de resolver ou não tomar alguma dessas providências, ela já se mostrou uma vencedora ao não abaixar a cabeça para esses deficientes morais. Beijinhos estalados e barulhentos.

    • laklobato disse:

      Querido, eu vi o email sim, mas não respondi… porque sou insensivel? Ainda tô te devendo a resenha do livro, né? Eu ando meio como se estivesse drogada ultimamente, esqueço de coisas importantes por motivo nenhum… Mas vou me retratar com você, fica tranquilo.
      Enfim, eu amo mesmo pipoca! Acho que as melhores pessoas do mundo são fãs de pipoca! hihihi
      O lance da Chris é complicado, mas tenho fé que a justiça vai decidir pelo lado dela. Ela merece. Nós tb!
      Beijos e melhoras aí.

  14. Miriam disse:

    O assédio moral entrará como fundamento para o dano moral, que deverá ser ação movida na JT, pois hj em dia é perfeitamente cabível esse tipo de ação na JT.
    Espero que a moça não perca tempo e processe imediatamente a empresa (e sim, rescisão por justa causa contra a empresa, pra ontem!!!)
    E ingresse imediatamente com a queixa-crime por injúria e difamação.

  15. disse:

    Quando vi esse post pensei logo no meu caso. eu quase nunca falo pra ninguém que sou deficiente por que sei q preconceitos surgem e afloram a qqr momento. uma vez na escola falei com um colega meu e outro amigo dele ouviu, ai esse outro virou e disse: ah você é surdinha, é ?
    e dps dali se referia a mim como surdinha. puts, isso me matou.
    que animal, sabe dos problemas que uma pessoa com deficiencia passa, já tava com seus 20 anos nas costas e com uma atitude de menino de primário.
    foi por isso que depois dessa resolvi q guardaria meu segredo para pessoas em que eu realmente acreditasse q fosse mais maduras.
    infeliz minha idéia, volta e meia alguém me fala alguma coisa tipo: ela não ouve. e destrói todo esforço do meu cérebro ouvindo essa merda. cara, se eu não ouvisse eu nem ali estaria. mas nao falo nada pra não perder as amizades.
    mas um dia eu deixo minha raiva aflorar.

    Outra coisa q eu ai dizer e me perdi. rsrsrsrs…
    tô procurando emprego, e como sou deficienthi como diz o Jairo ( leio os posts dele, um cara iluminado, viu ! )eu tenho que dizer: olha tenho deficiencia, mas sou eficiente. mas nao adianta. esses dias uma senhora me enviou um e-mail dizendo q tinha uma vaga pra estagiário no colégio dela aqui em salvador. ai eu mandei respostas dizendo q eu tava interessadíssima e que toparia sim. massssssssss…disse q eu era deficiente para não ter problemas futuros. ela nao nem me respondeu até hoje se sim ou se não. =/
    fiquei mto chateada e ainda to procurando emprego, dai fui no capaz que é um orgão que tem o objetivo de inserir pessoas com deficiencia no mercado de trabalho.
    dai eu pensei depois q li esse post fiquei com medo de acontecer o mesmo comigo… ainda mais no mercado de trabalho que as coisas são piores que na escola. =/
    Ahh… lendoi tantos blogs até pensei em fazer um pra mim… mas nao tenho tempo e às vezes paciencia de ficar escrevendo… rsrsrs…

    beeijos
    E obrigada por mais um incentivo.

    • laklobato disse:

      Hehehehe, meu blog, seu blog. Fique a vontade pra comentar ou até, quem sabe, contar suas historias aqui (seria publicada como sua, mantendo toda a fonte original)…
      Quanto ao apelido de “surdinha”, sabe que nunca me ofendeu? Eu achava fofo, carinhoso, sabe? Que nem o “nanica” que meu pai usa pra me designar (embora eu não seja baixinha, tenho 1m62). Mas pq vc não deu um apelido tosco pra ele tb, em vez de apenas se ofender? 😳 sou malvada!!
      Qual a sua área? Vou ver se consigo algum contato em Salvador, pra gente achar emprego pra você.
      Beijos

  16. disse:

    Assim, a gente sente quando não é por maldade, sabe ?
    e eu senti que naquele tom que ele disse era de preconceito, eu até gostava dele, mas dps dessa.
    Por que muitas pessoas usam diminutivo pra subestimar os outros…mas ja superei. =]
    Poxaa… além de ajuda emocional vc ainda me dá essa mãozinha, ou melhor esse bracinho ?!
    😀
    Eu faço psicologia, tava indo pro terceiro semestre, mas morava num interior sem assistência especializada, e descobri que minha perda auditiva tá aumentando. Dai to tentando me transferir pra salvador. por isso que tô procurando emprego, por que tudo indica que vou ficar paradona em casa durante esse semestre.
    no meu caso eu não posso estagiar ainda, pq em psico é só dps do 4º.
    então pra mim o que vier é lucro, to querendo algo na área admistrativa ou no comércio mesmo. meio período, pra eu poder fazer meu curso de libras e tirar minha carteira, por que eu tenho labirintite tb, e por conta dela passso mto mal em busu. ¬¬”
    beeeijos Lak
    Obrigada pela força !

  17. Rosane disse:

    É um choque para quem passar por tal situação, como já havia comentado em seu blog na matéria da CNH, não sei se vc lembra, pois é eu não nasci surda, fuir perdendo a audição ha pouco tempo, de forma que hj tenho perda auditiva nerossensorial em ambas orelhas, e uso aparelhos auditivos, confesso que até hj não consegui assumir por completo essa deficiência, sendo assim acho que sou a maior preconceituosa de todos, tem algumas pessoas que sabem e outras não, como tenho cabelo longo não da para aparecer, só que mesmo com os aparelhos muitas vezes eu não escuto, isso me deixa péssima. Quem me conhece sabe, to sempre de bom humor, procuro atender bem os clientes, pois trabalho com o público, só que la no fundo sinto-me triste, e horrivel falar isso, e muitas vezes choro, isso é um pecado, eu sei, pois oq é ficar surda diante de tantas doenças sérias que existem por ai, é ridículo isso.
    Sabe laklobato, venho sempre ao seu blog para buscar inspiração, sério, pq até hj eu nunca havia me proposto a entrar nesse mundo, pq na verdade ele não é isolado, eu que isolo, de maneira que me acho diferente de todas as pessoas, mais burra, mais feia, estou lhe confessando isso, algo que nem meu marido sabe, pois como falei procuro sempre está de bem com todos.
    Diante da situação da cris, eu tb tenho algo a falar, no meu trabalho onde sou contratada ninguém sabe da minha deficiência, até por que adquiri após ter entrado nela, e não sei como lhe dar com isso, se eu informo, como eu informo, eu to perdida, pq eu não trabalho diretamente na empresa que sou contratada, ou seja eu sou promotora em lojas, só estou na filial uma vez por m~es, e nunca informei tal situação, apesar de alguns até brincarem, po ela é surdinha; Como posso agir???? 😳

    • laklobato disse:

      Rosane, claro que eu lembro de você… Pessoas que pedem ajuda porque passam por situação similar à minha, tem lugar especial na minha memória e no meu coração.
      Sobre você informar na empresa… Humm, acho que eu não informaria, já que vc consegue continuar fazendo bem seu trabalho. Se, por ventura, você perder ou quiser trocar de emprego, ai você pensa SE quer informar, SE realmente fará diferença. Acho que a gente deve se preservar um pouco também, sabe? As pessoas tem preconceito sim e, por mais que a gente queira dar a cara a tapa e mudar o mundo, nem sempre é fácil estar na linha de fogo!
      Quanto a te chamarem de surdinha…. Use a deficiencia ao seu favor e faça de contas que não ouviu, que você ganha mais.
      Beijocas