Propaganda mais que inclusiva!

Ainda na vibe de falar da minha viagem à França – com 2 meses de atraso, mas eu sou meio lenta mesmo, desculpem – e aproveitando o gancho do caso do advogado cadeirante agredido em São José do Campos, por um delegado, contarei outro causo meu por aquelas bandas…

Estava eu no metrô, olhando as estações fofíssimas de Paris, quando reparei numa propaganda que chamou a minha atenção. Mas vi-a rápido demais e não deu para ler o que ela dizia. Passei as estações seguintes procurando o mesmo cartaz, porque quando algo desperta a minha curiosidade, faz cócegas até que eu elucide a questão.

Algumas estações depois, o trem parou bem em frente a outro cartaz similar e pude lê-lo…

Era propaganda da Associação de Deficientes Físicos da França, falando sobre inclusão social, de uma maneira bastante criativa.

Vaguei pelos corredores das estações subterrâneas de Paris afim de achar um cartaz indoor em bom estado, para fotografá-lo. Eis o resultado mais abaixo.

O termo ‘inclusão social’ faz muito politicamentecorretofóbico (que é uma raça que parece crescer a olhos vistos, em bando) torcer o nariz e muito mais gente ainda ter idéias equivocadas do que se trata.

Incluir não significa apenas tornar meia duzia de lugares acessíveis e fazer bonitinho na fita, dando direito do aluno com deficiência se matricular em qualquer escola (mas não dar nenhuma condição de igualdade para o aluno lá dentro, apenas enfiá-lo na escola e esperar que ele se resolva sozinho) ou colocar meia duzia de vagas exclusivas à deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida feitas de qualquer jeito (sem faixa lateral necessaria) ou sem nenhuma fiscalização.

Incluir significa permitir que o mundo seja tão acessivel à qualquer pessoa, a despeito de suas condições físicas, sensoriais ou intelectuais, por uma razão muito simples: Não existe elas e nós, eu e você. Qualquer pessoa pode se tornar deficiente temporaria ou permanentemente a qualquer segundo. Nada, mas nada mesmo, impede que qualquer pessoa quebre uma perna, a coluna ou contraia uma doença que deixa sequelas.

Logo, ninguém faz inclusão social pelos outros, faz-se inclusão social por todos nós.

O erro crasso que se comete é segmentar a sociedade achando que a vaga exclusiva é um privilegio de alguns. Ela é uma necessidade de todos, porque ninguém sabe se ou quando irá necessitar daquelas vagas.

Portanto, a propaganda perguntava, de forma criativa e até bem humorada “Nossa vida deve ser limitada aos lugares que nos são reservados?

E não, não deve, o mundo é um lugar para todos e deve ser acessivel a todos. Rampas, elevadores, banheiros adaptados, placas em braile, atendentes que saibam no mínimo o básico da Libras e que estejam também conscientes de que existe surdos oralizados e deficientes auditivos e, portanto, saibam falar oralmente também  de forma clara, virada pra pessoa e com paciência de compreender uma voz com sotaque. Respeito às particularidades pessoais e alheias.

Segue, então, a propaganda fofinha:

Nada mais que usar o símbolo da deficiência física se sentindo preso dentro de uma vaga demarcada. Hahaha adorei.

Desculpem a qualidade da imagem, é que bati a foto com o iPhone.

Beijinhos sonoros,

Lak

28 palpites

  1. Ronaldo Caparroz Garcia disse:

    Lak

    Vc foi muito feliz nos comentarios e na foto da propaganda. Chegará o dia em que a maioria será conciente destes conceitos.

    Beijos 😀

  2. Renata de Freitas disse:

    Adorei! Ainda mais por ser post publicitário 🙂 Nao viu a propaganda da menina Lak por la? Para ajudar a mandar fundos para famílias e adotar crianças. Eu fotografei em Madri. Beijos

  3. Bruna disse:

    Simplesmente adorei! Já copiei a foto pra minha coleção de propagandas criativas…hehe
    Bjs

  4. Fala Lak !

    Belíssimo post ! Adorei o cartaz, transbordando criatividade.

    A mensagem da inclusão de modo objetivo: ela não se resume a tornar alguns lugares acessíveis, e sim a tornar o mundo acessível. A tornar toda uma sociedade acessível composta por indivíduos de diversos grupos e condições. Que proporcione e isonomia e se possível a igualdade.

    Que a política pública de acessibilidade, integração e diversidade não seja uma emenda em um buraco da parede e sim uma casa de fundamentos fortes e inabaláveis com força de lei e conscientização permanente.

    Excelente fim de semana e vê se maneira nos donuts hein ? kkkk

    Como diria a filósofa do século 3 a.c: Bjos sonoros !

  5. Greize disse:

    “Qualquer indivíduo é ao mesmo tempo indivíduo e humano: difere de todos os outros e parece-se com todos os outros.” (Fernando Pessoa)
    O ser humano parece nunca aprender!!bjuss 😐

  6. zuleid disse:

    Muito bom este post! Enquanto tentarem jogar todo mundo no mesmo saco não encontraremos solução! O portador de hipertensão pulmonar não tem “deficiência aparente\visivel”, ou seja a aparência não denuncia sua pouca reserva de pulmão e muitas vezes não tem seu direito respeitado por parte de pessoas que deveriam ser mais informadas. Linda a foto e fantástica a idéia!
    Beijos!!!

    • laklobato disse:

      Como filha de asmática, sei como é complicada a vida de alguém que sofre de problemas pulmonares. Um quarto de hotel que ficou fechado alguns dias ou uma cortina pesada podem causar graves problemas de saúde. Brabo, né? E mesmo pra quem não sofre, quanto menos pó houver nos locais, melhor… eu mesma tenho dificuldade de respirar só de pensar em carpete e cortinas de tecido pesado hehehe
      Beijos

  7. Simone disse:

    Boa propaganda!!! Adorei a frase. Dá para refletir. Tomara que isso servirá de exemplo para outros países…

  8. Angela disse:

    Muito legal a propaganda, no conjunto: texto e imagem integrados passando a mensagem.
    Um barato!
    É muito legal poder visitar lugares com culturas diferentes e ver como a questão é tratada. O problema é universal mas as soluções e respeito são diferentes.
    Um beijo enorme
    Angela

  9. fabiana disse:

    😀 Adorei a propaganda ! Achei super criativa e fofíssima também. Concordo que não se devem restringir os “matrixianos” apenas aos lugares reservados. Acessibilidade para todos e urgente ! ! 😛 😉 Bjs sonoros

  10. Kali disse:

    Confesso que tem uma parte do humor dos franceses que eu não entendo muito, mas essa que vc fotografou é universal e SENSACIONAL!!!! 😀 Adorei!

    Fico pensando nesses cuidados de acessibilidade… Caramba, além das pessoas não acharem que podem quebrar uma perna, ou a coluna (como vc disse) elas tb não imaginam que um dia vão envelhecer, podem ter uma contratura muscular que dificulte a locomoção e cause uma dor miserável (experiência própria)! Mas acima de tudo o que mais me dói é ver que essas pessoas são incapazes de olhar para o outro com gentileza; sim, porque não seria necessária toda essa luta pelos direitos se houvesse o mínimo de respeito e gentileza ao considerar as necessidades das pessoas… enfim, aproveitando a onda de citações dos comentários anteriores, fico com a do profeta gentileza: “Gentileza gera Gentileza”!

    Beijinhos estalados!

    • laklobato disse:

      A verdade é que a maioria das pessoas politicamentecorretofóbicas (o autor do termo me xingou por não ter feito o merchã huahuahua) separam o mundo em 2: ele e o resto. O que ele precisa agora, é necessário, o que ele não precisa à revalia que outro precise, é desnecessário.
      Falta de perspicácia de perceber que ele não diferente dos outros, portanto…
      Gente burra é foda, como diz a famosa filosofa do século 3 A.C. (segundo o Rodrigo).
      Beijinhos

  11. Maíra disse:

    Puxa, uma das melhores propagandas que vi!!!
    Podiamos pensar numa para surdos….
    beijinhos

  12. Rogério disse:

    Sei que é utópico, mas o ideal seria não ser necessária a demarcação, não seria preciso promulgar leis para obrigar as pessoas a olhar o outro como um indivíduo. Às vezes me bate cansaço, ouço barbaridades quase todo dia e me ponho a imaginar quando a rejeição pelo ‘diferente’ irá ter um fim.
    O engraçado é que basta uma constatação bem simples: ninguém é igual; até os gêmeos possuem digitais, temperamentos e valores diferentes. Em um prédio onde morei há alguns anos havia duas gêmeas com cerca de 18 anos. Visualmente idênticas, mas todos os vizinhos sabiam quem era A e quem era B. Uma era simpática e cumprimentava a todos; a outra se achava.

    • laklobato disse:

      Já pensei isso, Rogs, mas acho que não daria certo… Quando a gente está com pressa, cansado, de mau humor, não consegue pensar ‘ah, vou deixar essa vaga pra outra pessoa que precise parar perto da porta’. A demarcação evita que sejamos eternos protagonistas de nós mesmos… Beijinhos

  13. Laura Martins disse:

    Oi, Lak! Só agora conheci seu blog. Li os dois últimos textos, que gostei muito (pertinentes, claros, objetivos) 😉 , e os linkei para um artigo em meu blog. Se quiser ver, basta clicar em http://cadeiravoadora.blogspot.com/2011/01/minha-liberdade-termina-onde-mesmo.html
    A publicidade francesa que compartilhou conosco é genial! E, de fato, é necessário compreender que o mundo é para TODOS.
    Aos poucos irei lendo os outros artigos.
    Parabéns e felicidades! 🙂

  14. Lak,

    Como você escreve bem, moça. Texto tocante, bem-humorado e hipercriativo. Fascinante! Fascinante!

    Um beijo, querida.