Proposta inclusiva…

Ano passado, no começo do ano, comentei que tinha perdido o emprego de maneira injusta. O que deixou muita gente achando que tinha sido por causa da deficiência. Mas, na real, foi por causa de uma menina nada bacana que fez, não só eu, mas todo mundo que ela não gostava ser demitido. Ou seja, aquele tipo de pessoa que acha que só importa ela e o resto do mundo que se dane. Lamentável!

Mas, como sempre há males que vem para o bem e nesse  tempo que passou, pude dedicar-me decentemente ao DNO e aos meus trabalhos de divulgação dos surdos oralizados e/ou usuários de próteses e implantes auditivos.  E aí, no começo deste ano, comecei a trabalhar na melhor empresa do mundo… hehehe

Não, falando sério, a empresa é boa mesmo, não é puxassaquice! Até porque ela realmente foi eleita uma das melhores empresas para se trabalhar. Boa porque valoriza o funcionário, valoriza a qualidade de vida. E, por acreditar nisso, acredita na verdadeira inclusão social (vou usar o termo aqui pra fazer bonito), que significa dar oportunidade ao funcionário de crescer, de se aprimorar, de realizar um trabalho digno. E isso não tem nada a ver com a deficiência que ele possa ter ou não.

Logo que fui entrevistada, percebi que a empresa era diferente. Foram 45 minutos de entrevista e nenhuma pergunta sobre a surdez, só sobre o meu trabalho, experiência, planos de carreira. Admito que até achei estranho e tive que perguntar se a vaga era realmente para preencher cota também. Responderam “é, mas isso não importa, estamos interessados no seu trabalho!”.  Acho que essa foi a frase mais importante que já ouvi numa entrevista!

Comecei a trabalhar aqui e depois de passada a correria de um trabalho inicial gigantesco, me passaram uma cartilha inclusiva pra fazer. Queriam dicas para ensinar os outros funcionários a lidar conosco da melhor maneira possível. Porque, sejamos sinceros, a maioria das pessoas simplesmente não sabe lidar com alguém com deficiência. E quem pode culpá-los? Até pouco tempo atrás, PcDs viviam isolados da sociedade, que fingia que eles não existiam e/ou não importavam.

Pois bem, graças a experiência e os contatos do DNO, esse trabalho foi possível. Montei uma cartilha em forma de um passaporte para uma viagem a outros mundos físicos e sensorais…

O trabalho ficou tão bonito, foi tão bem recebido aqui na empresa, que queremos divulgá-lo o máximo possível. Por isso, consegui autorização para trazer ao DNO! São 24 páginas de dicas fáceis de convivência para o dia a dia. Como disse um colega meu “bem aquelas coisas que a gente quer saber, mas fica sem graça de perguntar”, divididas por capítulos sobre as principais deficiências: física, auditiva, visual, múltipla…

Nada que assuste em ler, mas que as pessoas realmente foram educadas para ter medo de conversar, achando que falar de deficiência é algo ofensivo e que, o correto, é fingir que a pessoa não tem deficiência – ou simplesmente que  ela não existe, o que for mais fácil.

Junto com o Raul (Sinedino, meu melhor amigo, cs sabem) e a Geraldine de Oliveira (mãe do Maurycio, biimplantado de 4 anos), além de uns toques da Sô Ramires (autora do blog SULP) e do Gui Chazan (autor do blog Um Novo Começo), escrevi a parte sobre deficiência auditiva, explicando sobre todos os tipos de deficientes auditivos – usuários da LIBRAS, oralizados, bilíngues e os que se dão bem com aparelho auditivo a ponto de ouvir bem, obrigada – e qual a melhor maneira de se comunicar conosco: Leitura Labial, voz no volume adequado, falar de frente, usar LIBRAS de maneira, sempre falar com um usuário da LIBRAS olhando pra ele e não pro Intérprete ou até apelar pro papel e caneta mesmo, etc… Falei que o importante é a pessoa se dispor a se comunicar conosco, da maneira que for mais adequada pra nós, em vez de ficar com medo, achando que não somos capazes de entender nada.

A parte de deficiência visual, ficou a cargo do Gustavo, que é o gerente de suporte da empresa e cego, mas também pedi ajuda a um outro amigo meu, Wellington Alves, que também tem deficiência visual e me deu umas dicas bacanas.

Já a parte de deficiência física, pedi umas dicas pro Jairo Marques, afinal, quem melhor que ele para abordar o assunto?

Deficiência intelectual, pedi ajuda pra Jaqueline Rotelli, que é mãe de uma menina com síndrome de down,  Tatiana.

E, claro, usei algumas dicas que já tinha lido por aí, porque inclusão social tem sido um tema bastante debatido.

Acredito que esse tipo de inclusão feito por uma empresa faz diferença. Porque não adianta contratar pessoas com deficiência só porque a cota exige e jogá-los de qualquer maneira dentro da empresa. Se a pessoa não sabe chegar nos outros funcionários, inclusive porque não encontra abertura, já que os funcionários de qualquer empresa são pessoas como quaisquer outras, que, em sua maioria não, não foram educadas para saber lidar com pessoas com deficiência, o resultado vai ser sempre um isolamento que atrapalha o serviço e não leva ninguém a lugar nenhum. Mais do que dar uma oportunidade de emprego, é preciso que as empresas deem oportunidade de trabalho e isso só pode ser feito se houver integração entre o funcionário com deficiência e os demais!

Alias, esse é o principal assunto que será abordado na minha palestra de sábado. Espero vocês lá, heim?

Beijinhos Sonoros,

Lak

p.s. Depois mostro pra vcs a cartilha, tá? Por hora,  o post é apenas informativo

13 palpites

  1. SôRamires disse:

    Que honra ter dado uns palpitezinhos num trabalho tão importante. No que diz respeito aos deficientes auditivos nosso blogs são verdadeiros parceiros onde trocamos informações e divulgamos notícias úteis sobre acessibilidade, saúde, equipamentos e o que mais interessar.
    Parabéns por conseguir integrar tão bem trabalho e divulgação sobre acessibilidade para surdos e deficientes auditivos. 😀

    • laklobato disse:

      hehehehe só estou falando de trabalho aqui, pq realmente compensa divulgar o projeto de inclusão desta empresa, que é realmente lindo!
      Beijinhos

  2. Lak, parabéns pelo sucesso profissional! Você merece! Fico feliz te ter sido sua companheira de faculdade por um tempo na Anhembi em 1996, lembra? Olha, será que dá pra divulgar meu blog Caleidoscópio no seu DNO? Ficarei muito feliz! Por favor, passe seu e-mail porque preciso te enviar uma mensagem importante o mais breve possível. Valeu! Continue firme! Beijos, Leandra.

  3. Greize disse:

    Lak, sumi um pouco mas, quando chego aqui leio esse post ótimo.Que alegria.Que bacana saber que tem empresas que pensam assim, a resposta que eles te deram, interessados em você me primeiro lugar, não a placa da deficiência vindo antes.Com certeza vc esta amando a empresa.rsrs
    Desejo muito sucesso. E que outras empresas, sigam essa verdadeira proposta Inclusiva.
    E essa cartilha, rola da gente ganhar??rsrs.Queria mostrar, para pessoas até da minha família.Na boa.
    Forte Abraço, e sucesso. 😀

  4. Simone disse:

    Parabéns, Lak, pelo trabalhoque conseguiu! Ah, não acha bom voltar a trabalhar, né? hehe. Tenha muitos dias abençoados. 🙂
    Acho legal você enfatizar a importância da acessabilidade, eu sei que é muito importante para que todo mundo ficar sabendo que as PcDs são pessoas capazes assim como as ouvintes?!
    Abraços.

  5. Camila Nascimento disse:

    Excelente iniciativa! Calhou na hora! Com certeza, vai informar os demais funcionários de empresas privadas e públicas que são obrigadas a cumprir a cota. Enfim, nada como a frase: ” Juntar o útil ao agradável!” Muito bom! Quero ver sim a cartilha. 😉

  6. tatiane cruz disse:

    Lak, nao a conheço mas vejo que é uma guerreira!
    Gostaria de conhecer essa cartilha, pois na empresa onde trabalho estão precisando de um material deste tipo. Será que podemos trocar ideias por email? Afinal, sou surda oralizada também. E vou assistir a sua palestra neste sabado. Boa sorte!

  7. Bruno Sequeira disse:

    Voce nem como fico feliz que vc esteja bem e feliz no novo emprego!!! Vc merece todo o sucesso do mundo!!! Acho ótimo quando quando uma empresa se preocupa, realmente, com inclusão. Que essa idéia pegue cada vez mais!!!

    Bjs 😀