Sobre a Paralimpíada Rio2016

Que a abertura da Paralimpíada foi bonita, não há como negar. Eu achei bem mais simples que a abertura da Olimpíada, mas não menos bonita. Simplicidade também pode ser sinônimo de elegância.

Mas, como vocês sabem, pessoas com deficiência auditiva geralmente não participam das Paralimpíadas. A menos que seja o caso de alguém que tem uma surdez concomitante com outra deficiência, como é o caso da atleta paralímpica Amanda Cameron, que tem surdez e baixa visão.

O motivo pelo qual surdos não participam da Paralimpíada é complexo. Em parte, porque a surdez em si não impede que participem da Olimpíada convencional. Já que surdez por si só não limita a capacidade física do atleta. Inclusive, teve atletas com deficiência auditiva na Olimpíada. Porém, há de convir que não são todos que tem as mesmas condições e oportunidades de treinamento, de serem selecionados, etc. Por isso, seria mais justo se surdos também tivessem oportunidade de participar das Paralimpíadas.  E não participam por uma divergência entre os surdos atletas e as regras do Comitê Paralímpico. E por isso, preferiram manter as próprias olimpíadas: a Deaflympic. Se quiser saber maiores detalhes sobre essa questão, indico um texto da Confederação Brasileira de Desporto Surdo: por que os surdos não participam das paralimpiadas?

Mas, falando na condição de espectadora e não de atleta: Faltou acessibilidade para nós, simples assim. Não participamos como atletas, ok. Mas se é um evento que fala sobre inclusão e diversidade, no mínimo deveriam considerar a diversidade dos espectadores.  Não sei como foi para quem estava no Maracanã – mas soube que não teve intérprete de LIBRAS – mas para quem estava em casa, só tivemos duas opções de canais: SporTV2 (cuja acessibilidade era zero) e TV Brasil, que tinha legenda, mas não janela de intérprete.

De casa, eu consigo assistir televisão sem legenda, porque junto com o IC, posso contar com meu TV Streamer, que deixa o som mais puro (já que isola o som da TV de ruídos ambientes) e mais claro.  Mas não sei como seria se eu estivesse num estádio, provavelmente, iria depender das legendas, acho.

Mas deixando de lado as reclamações, vamos aos elogios:

Sabiam que a delegação da Geórgia foi ciceroneada por uma implantada, a Helena. Ela usa IC desde os 3 anos e hoje tem 21 anos. Ou seja, uma implantada das mais autênticas, já que cresceu com o IC.

helena

O balé com a atleta biamputada  Amy Purdy, que dançou suave e lindamente junto com a máquina Kuka, me deu aquela certeza que a união dos seres humanos com as máquinas é bonita, poética e tem tudo para dar certo. Como sempre digo: o futuro é dos cyborgs hihi

Agora é torcer pelos nossos atletas paralímpicos!

Beijinhos sonoros

Lak

8 palpites

  1. Alguém pode me dizer o pq q não participam ?

  2. Tá escrito no texto. Com link para uma explicação detalhado. Leia o texto.

  3. Do ponto de vista dos deficientes sensoriais, parece que faltou tanto na transmissão por tv como no evento em si a audiodescrição, libras e legendas…uma pena. Embora eu não me interesse por esportes e competições sei que sou minoria e a maioria precisa de acessibilidade para todas as deficiências.

  4. Alice Lewi disse:

    Lak, sou usuária de aparelhos auditivos e estava lá pessoalmente na cerimônia de abertura das paraolimpiadas. Antes de começar o Marcelo Rubens Paiva fez um discurso, nao consegui entender nada. Depois os outros discursos apareceram num telao com legenda em português. Mesmo q os atletas surdos nao facam parte das paraolimpiadas neste momento, foi muito emocionante. Varias questoes sao comuns a todas as deficiências, e muito inspirador ver as pessoas que se assumem nas suas dificuldades e continuam em frente buscando cada vez mais.

    • Lak Lobato disse:

      Que bom que em alguns momentos teve legenda e você não ficou boiando o tempo todo. Ainda que não façamos parte dos jogos, fazemos parte da platéia. Então, acessibilidade para nós tb é importante, né? Beijinhos