Sons (des)necessários

Ouvir por 10 anos e mergulhar em mais de 20 anos de silêncio.
Tempo esse que o mundo se encheu de tecnologias, que automatizou quase tudo.
Redescobrir o mundo sonoro, 20 anos depois, trouxe milhares de reencontros auditivos, mas também trouxe milhões de novidades.
Sons que a minha cabeça jamais imaginaria, pois não existe nenhuma pista visual de que eles estão lá.
Tal qual uma criança, em muitos momentos me vi perguntando “mas tem certeza que isso faz barulho?”.
Em outras situações, perguntei se o barulho era realmente necessário. E pode até não ser, mas está lá…
Vai-se a fase do deslumbramento e vem a fase do conformismo “Tudo bem, se tem que fazer essa barulheira toda, tem, né? Fazer o que?”.
Um som que eu realmente acho desnecessário (para mim, que passei 2/3 da vida deduzindo as coisas) é o blablablá infinito das máquinas de entrada dos estacionamentos, aquelas que fornecem os tickets na entrada.
E que falam para você aproximar seu cartão ou retirar o ticket, sabe? Algumas falam tanto, que eu tenho vontade de conversar com elas também, perguntar se vão bem, como está a família, só para ver se elas mudam um pouco de assunto. Mas, claro, elas não iriam me responder, são máquinas sem sentimentos. Pelo menos, é o que eu acho….
Outro dia, a máquina do Shopping Iguatemi JK fez um versinho “Aperte o botão ou insira seu cartão.”
Falei pro Edu: “Viu que graça? Ela fez até versinho…”
Ele não tinha prestado atenção conscientemente, mas tinha reparado. E disse: “Verdade, fez mesmo! Tá vendo? Algumas tem até sentimentos, nem todas são insensíveis como você sempre reclama!”

beijinhos sonoros,

Lak

4 palpites

  1. Marisa disse:

    Oi Lak!

    Devo confessar que ri MUITO com o versinho da máquina! Acho que agora vou prestar atenção para ver se as máquinas do ticket da minha cidade tbm fazem versinho…hahaha.

    Bjos!!

  2. Que incrível. Estou sabendo da proposta do livro e do blog agora. Fiquei deslumbrada. Quero ler mais dessas impressões auditivas.