Toda ouvidos graças ao Implante Coclear

Quando fiz o segundo IC, comentei que estava curiosa de saber se haveria diferença entre 18 eletrodos (somente 15 ativados) numa cóclea fibrosa e 22, numa cóclea perfeita.

Lembrando que eu sou surda adquirida pós-língual (ou seja, meu córtex auditivo teve desenvolvimento normal durante o período crítico da formação da linguagem e, ainda assim, o IC varia absolutamente de um caso para outro, portanto, meu caso NÃO SERVE DE REFERÊNCIA para outros casos!) e que sou implantada bilateral e, bem ou mal, o primeiro IC já estimulava o córtex auditivo.

Essa semana, faço 3 meses de ativação, portanto ainda é recente, mas narrando as experiências dessa semana que passou, só para vocês terem uma idéia da diferença entre o primeiro e o segundo IC.

Viajei na segunda à noite a trabalho para Florianópolis, onde passei 4 dias em ritmo frenético de evento corporativo. Logo que cheguei tentei ligar para o Edu – já faço ligações básicas, mas só ouso fazê-las a pessoas chegadas, porque requer paciência do meu interlocutor para repetir quando necessário – daí descobri que não sabia fazer ligações interurbanas, porque sou do tempo do DDD hahahaha Mandei SMS pedindo para ele me ligar e conversamos por cerca de 2,5 minutos. Não é muito, mas tratando-se de alguém que não usa o telefone há mais de 25 anos, um talento que me falta é saber jogar conversa fora ao telefone haha

O evento em que estive tinha algumas festas e, numa delas, tivemos a banda Crepe Suzette (já ouviram falam??) e, em dado momento, ouvi o vocalista falar que ia cantar “Exagerado” (Cazuza, quem me conhece bem sabe que essa é a minha música, porque sou assim com tudo que eu gosto!). Mal pude crer nos meus ouvidos. Pensei “nossa, entendi bem?”. E era ela sim. Ouvi, cantei, dancei, pulei e vivi o êxtase naquele instante. Nem lembro da última vez em que pude fazer algo assim….

Na hora de voltar pra casa, sentei na minha poltrona no avião – sem qualquer conhecido ao meu lado – e consegui entender TODAS as instruções de bordo. Desde antes de decolar, até o momento em que estávamos desembarcando. Tive que me conter muito para não chorar. Não existe palavras suficiente para descrever a sensação de independência que é não precisar de ninguém para entender mensagens de alto-falante.  Ainda mais eu, que detesto depender dos outros.

E justamente por entender tudo, resolvi ligar para minha mãe, assim que cheguei. Ela, acostumada a falar comigo apenas usando frases curtas e diretas, ficou emocionada de poder ter uma conversa completa. Poder me contar como fora a semana em que estive viajando, combinar o que faríamos no final de semana…

De verdade, eu respeito as pessoas que não querem usar o IC, que estão confortáveis na condição de deficientes auditivas. Não existe uma única maneira de sermos nós mesmos, de ser feliz, de ser completo. Cada um com as suas particularidades. Mas eu, sempre me senti enclausurada pela surdez. Era como se meu corpo fosse limitado diante da grandeza da minha alma. Sou e sempre fui extremamente auditiva. E ter sido surda durante duas décadas e meia foi como estar numa prisão sensorial. Hoje, quando o IC me permite a liberdade de ouvir, de compreender o que ouço, de discriminar a voz das pessoas ao meu redor, passando por cima de todas as minhas dores e amarguras, só posso abrir os braços e agradecer aos deuses, aos médicos, aos pesquisadores, a todas as pessoas que trabalham com o IC, pela felicidade que é me sentir completa novamente. Que bom que, desta vez, o IC deu tão certo!

Beijinhos sonoros,

Lak

7 palpites

  1. SôRamires disse:

    O progresso de sua audição com o novo IC é uma coisa estupenda, linda, feliz… importante é que você deixa bem claro que cada caso é um caso!
    Qualquer limitação é frustante sem dúvida, mas o que faz a diferença é a vontade de correr atrás de soluções, dividir seus progressos e alegrias, de mostrar que indo à luta a gente pode sim ser mais feliz!

  2. Tatiana disse:

    Oi Lak!

    Adorei o post, mas fiquei com uma dúvida. Bem no comecinho, você fala que o primeiro IC foi feito no “pior” lado (em termos de integridade da cóclea). Teve algum motivo específico pra isso?

    • laklobato disse:

      Não havia diferença entre as duas cocleas, a única coisa diferente era uma síndrome vestibular num dos ouvidos, que foi o parâmetro pra escolha do ouvido esquerdo, porque o médico achou melhor para a possibilidade de uma labirintite. Fora isso, as cocleas, pela ressonancia, estavam no mesmo estado.
      Beijos

  3. Juliana disse:

    Oi Lak!
    Gostaria de te perguntar se vc nota uma diferença grande na audiçao do IC tipo te incomoda todos os barulhos indistintos, ou é algo a ser trabalhado com a fono. Pergunto pois estou pensando em fazer o IC no meu caso sera unilateral, pois meu minha deficiencia de profunda em um ouvido e severa no outro e estou com receio de me sentir irritada com barulhos confusos. Desculpe se nao consegui ser clara.
    Bjos 😳

  4. ANTONIO disse:

    ola lak fico feliz de saber que vc esta bem com o segundo ic fico feliz,sabe eu ja fiz todos o exames nescessarios pata o ic,so estou aguardando a medica me convocar ja tomei ate as vacinas ,pode ter certeza quando eu tiver feito o ic eu vou relatar meu caso no seu blog e minha vitoria ok abraço fica com deuz

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