Um ano de “Desculpe, não ouvi!” versão livro

Livro com gostinho de sonho realizado

Hoje, comemoro primeiro aniversário do dia mais importante da minha vida como escritora. Foi em 15 de março de 2014, que meu livro “Desculpe, não ouvi!” foi lançado para o mundo.

Ele é fruto de um sonho de começou quando eu ainda era criancinha. Tanto meu pai quanto minha mãe tem livros publicados. Tanto meu sobrenome materno (Lobato) quanto paterno (Austregesilo) são nomes de escritores famosos (Monteiro Lobato & Austregésilo de Athayde, que foi presidente da Academia Brasileira de Letras) e, por isso, eu sempre sonhei em cumprir a minha sina genética.

Mas, o DNO-Livro não nasceu exclusivamente por desejo meu. Durante muito tempo, eu achei que o blog bastava. Até porque a minha história de vida não tem nada de sensacionalista, que merecesse um livro apenas por ser como é. Mas, o jeito leve, poético, com um deslumbramento quase infantil (foram esses os termos que ouvi para definirem meu livro) que eu relato a experiência de perder e reencontrar a audição chamou tanto a atenção, que as pessoas pediam para o blog se transformar também em livro.

E a vontade dos leitores era tanta, que quando lancei o projeto de financiamento coletivo do livro, a ajuda foi muito maior e mais rápida do que eu jamais poderia imaginar.

E o livro se mostrou surpreendente não apenas durante o projeto. Mas no evento de lançamento, tão cheio de gente, gente tão interessada que aguentou mais de 3h na fila. Logo eu, que nunca ia ninguém nas minhas festas de aniversário e por isso mesmo, já nem faço mais festas.

E depois do lançamento, quando começaram a me chamar para diversos eventos, para levar o livro e falar um pouquinho sobre a minha história. Até porque eu AMO dar palestras e um dia, sonho em viver só disso. Quem diria, né? Essa é uma das maiores conquistas que ganhei com o implante coclear. Hoje tenho voz para dar palestras. Não apenas porque tenho um bom feedback auditivo que diminui meu sotaque de surda, como ele me empurrou para terapia de fono prazeirosa (sem IC, sempre achei chato) que tirou o pior traço da minha voz (não sei se tem a ver com a surdez): a tensão que me deixava rouca e com dor de garganta se eu falasse alto por mais de 5 minutos. Hoje, aguento mais de 1h, sem nenhuma sequela!

Li muitos e muitos doces elogios e lindos relatos sobre a experiência de ler o livro.
Não gosto de falar que meu livro é uma história de superação. Na minha opinião (e sintam-se a vontade para discordar, não estou impondo minha opinião, apenas comentando o que o termo significa pra mim), superar significa que foi difícil para a pessoa chegar aonde queria. Que foi preciso passar por obstáculos, que foi sofrido e cansativo. E, no meu caso, a minha história não tem a ver com sofrimento. Foi preciso apenas muita criatividade, muita vontade de viver independente das pessoas duvidarem que seria possível (porque eu não achava que nada seria impossível), apenas uma questão de achar um meio, uma forma, o caminho ideal.

Prefiro me referir ao meu livro como uma história de deslumbramentos. Mas, não me importo com quem vê isso tudo como uma história de superação. Cada um vê a vida pela ótica que lhe convém. E eu tenho certeza que muita gente acha “histórias de superação” um termo lindo e se sente especial por ter oportunidade de superar todos os obstáculos que a vida lhe impôs. E ninguém está certo ou errado, é apenas uma questão de opinião e perspectiva. Meu livro não nasceu para criar guerra por causa de termos. Mas para homenagear a poesia que é poder ouvir e escutar todos os sons do mundo, que o IC é capaz de captar. De superação ou de adaptação, de conquistas ou de sentimentos. Ouvir, escutar, através do implante coclear.

Às vezes, as pessoas me perguntam quando vai ter o DNO-Livro 2. Sinceramente, não sei. O DNO-Livro nasceu por si mesmo, na hora que queria nascer e do jeito dele. Igualzinho a mim, para falar a verdade, que nasci de quase 43 semanas, no último dia antes de ter que ser submetida a uma cesárea e, por incrível que pareça, dormindo. Diz minha mãe que eu já nasci com sono e não chorei, só fiz uma reclamação básica de que estava meio frio! Meu livro é apenas a melhor parte de mim. Quem sabe, ainda teremos uma outra versão dele por aí?
Ou eu me rendo e escrevo outro livro de um assunto nada a ver com poesia sonora? Será?

Enfim, parabéns pelo nosso aniversário. Do livro, do blog, de todos os leitores que tornaram o blog na versão impressa!

Beijinhos sonoros,
Lak

12 palpites

  1. Parabéns flor, vc de lá pra cá está cada dia mais maravilhosa heim!

  2. Parabens é uma lição de vida!!

  3. Rita Teodoro Rita Teodoro disse:

    Parabéns, Lak! Que venham os próximos livros! Bjs

  4. Eliane Lobato disse:

    Parabéns, o tempo voa 😈 penso que vai acabar por vir mais outro/s, afinal inspiração, motivação e encantamento fazem parte de vc, além tb de ser útil como depoimento de uma vida que vale a pena, a sua, que tanto admiro 😉

  5. Parabéns Lak, mais do que nunca vc merece e que ele comemore 10, 20 anos…foi uma bíblia para mim, foi através dele que eu soube que não estava sozinho neste caminho e consequentemente o retorno ao mundo dos sons. Com apenas 3 semanas de uso do meu implante já consigo ouvir muitas coisas, tudo soa como uma música em nossos ouvidos. Eu sempre serei agradecido a você pela coragem e dedicação de publicar essa experiência maravilhosa, foi através dele que senti novamente que poderia chegar lá e cheguei, o caminho ainda é longo, mas cheio de coisas boas. Beijinhos sonoros, querida Lak.

  6. Regiane disse:

    Querida Lak, você merece muito mais!! te admiro muito. Parabéns pelo sucesso do seu livro. Continue assim sendo você, que assim você ira longeee e eu te acompanhando sempreee porque, porque você foi a pessoa que me fez ter coragem e fazer meu IC.. e tbm me fez ver que não estamos sozinhos nesse mundo cheio de sons.
    Beijinhos sonoros.
    Re

  7. Parabéns, pelo exemplo de vida que tem passado, a todos que necessitam!

  8. Vou comprar seu livro, pois fui professora de crianças com perdas auditivas, durante 20 anos.Método oral.