Um pouco mais sobre o teste da orelhinha

Há certa de 6 meses, uma amiga contou que tinha levado a filha para fazer o teste da orelhinha e mandou uma foto aqui pro DNO, lembram?

“O teste da orelhinha da Valentina”

Agora, resolvi retornar a esse assunto, porque Sheila Carvalho, estudante de fonoaudiologia e mãe da Amanda, surda oralizada e aparelhada, fez um texto bem bacana sobre o assunto, para a minha coluna semanal do site Acessibilidade Total.

E como queria o texto aqui no DNO também, trouxe-o na íntegra pra cá:

Nota: texto originalmente publicado em: http://www.acessibilidadetotal.com.br/o-teste-da-orelhinha/

imagem da Valentina, ainda recém nascida, deitada no berço da maternidade, com o aparelho do teste da orelhinha no ouvido. O aparelho é um cabo preto e longo, com uma espécie de bico para encaixar na orelha, ligado a um medidor de resposta auditiva. Valentina é bem pequenininha, deitada de lado com os olhos fechados. Ela veste um macacão vermelho e branco. Aparenta estar serena durante o exame.

Valentina fazendo teste da orelhinha. Com direito a foto para Tia Lak!!

Há pouco mais de dois anos, entrou em vigor mais um exame obrigatório para recém nascidos, chamado popularmente de Teste da Orelhinha.

Muitas amigas gestantes – eu não tenho filhos – vieram me perguntar sobre isso, querendo saber se seria realmente necessário ou indolor.

Como a audição é um sentido que requer tempo de aprendizado (nenhum bebê nasce falando) esses dois anos iniciais de vida são fundamentais por conta da plasticidade cerebral exclusiva dessa época de vida. E, antigamente, muita gente só descobria que o filho era deficiente auditivo com mais de dois anos de idade, quando observava que o bebê não falava e procurava um médico para realizar a audiometria.

Por não ser mãe, nem fonoaudióloga nem médica, pedi para uma amiga, Sheila, mãe de uma menina surda oralizada e estudante de fonoaudiogia explicar para nós como funciona tal exame:

Triagem Auditiva Neonatal – TAN

O que são as EOA – Emissões Otoacusticas Evocadas

Basicamente as EOA podem ser explicadas como a liberação de energia sonora originada na cóclea que segue pela orelha média chegando até a orelha externa. É como um “eco” do som que chega até a cóclea e retorna, uma “resposta” da cóclea ao estímulo sonoro apresentado. Para detecção desta energia sonora introduz-se uma pequena sonda na orelha externa, é um exame indolor e rápido. As EOA estão presentes em todas as pessoas com função auditiva normal, cerca de 30dB. Desta forma se o indivíduo possui alguma alteração funcional da cóclea acima de 30dB (aproximadamente) as EOA não estão presentes.

 

O “Teste da Orelhinha” ou Triagem Auditiva Neonatal

O ideal é que esse teste seja feito até o 1º mês de vida para que seja possível diagnosticar até o 3º mês as crianças que tenham a deficiência auditiva e assim conscientizar os pais das formas de comunicação existentes para a criança e proceder de acordo com a escolha dos mesmos. Também é de muita importância nos casos onde a escolha dos pais seja de comunicação oral pois diversos estudos comprovam a importância da detecção e intervenção precoce antes dos 6 meses de idade.

 

Os passos da Triagem Auditiva Neonatal são:

A Triagem – EOA feita logo ao nascimento na maternidade ou com encaminhamento quando não há disponibilidade do exame onde o bebê nasceu.

Neste primeiro passo caso o resultado do exame do recém nascido seja adequado e ele não possua indicadores de risco auditivo (casos de surdez na família, uso de antibióticos e outros medicamentos ototóxicos na maternidade, permanência em UTI, icterícia significativa…) a orientação para a família será de acompanhar o desenvolvimento da audição e caso não note nenhuma alteração realizar um novo exame quando a criança completar quatro anos de idade, garantindo assim os processos de aquisição da linguagem escrita. Caso o exame seja adequado mas o recém nascido possua algum indicador de risco  (citados acima) este bebê terá seu desenvolvimento auditivo acompanhado através de retornos periódicos até os tres anos de idade.

Caso a criança “falhe” na triagem, que pode ser por diversos motivos (o recém nascido possuir vérnix no conduto auditivo impossibilitando a passagem do som, imaturação do sistema, perda auditiva, entre outros) é marcado um re-teste em 30 dias e dependendo do resultado são aplicadas as instruções do passo anterior ou, caso a criança ainda falhe nas EOA ela será encaminhada para uma triagem mais específica onde deverá fazer o BERA – PEATE – Potenciais Auditivos Evocados Tronco Encefálico. Também um exame indolor e não invasivo que deve ser feito com a criança dormindo ou em alguns casos, sedada.

A Triagem possibilita o diagnóstico e a intervenção precoce oferecendo maiores oportunidades para o desenvolvimento da criança permitindo que se aproveite o período de maior plasticidade cerebral possibilitando que a criança adquira a linguagem oral e tenha uma comunicação efetiva.

Não acho que descobrir a deficiência auditiva cedo signifique, necessariamente, buscar a oralização e o Implante Coclear. Respeito a Língua de Sinais como alternativa de se lidar com a surdez, para aqueles que acham que este é o melhor caminho e, inclusive, ela também pode ser ensinada para crianças aparelhadas e/ou implantadas. Mas, esse exame continua sendo crucial, porque a criança não pode ficar anos sem ter a comunicação estimulada. E um bebê surdo pode ser perfeitamente estimulado através da LÍBRAS, assim que se constata a deficiência auditiva.

Beijinhos sonoros,

Lak

7 palpites

  1. Simone disse:

    Lak, levanto mais alto a bandeira da oralização!!! Mesmo assim que as crianças são pequenas!!! 😈 😈 😈 😈
    Quanto ao teste de orelhinha, acho bom! Quanto mais cedo, melhor. Que as crianças merecem o melhor quanto o mais antes!
    Beijokkas.
    Simone.

  2. Greize disse:

    Super apoio o teste da orelhinha, deveria ser obrigatório mesmo, vai que o bebê esta com infecção ou otite, ou uma doença que pode ser tratada e melhorar audição?
    O que já ajudam os pais,a lidar com a sáude da criança, em primeiro lugar. Fui pesquisar e tem uma associação aqui na minha cidade, que tem cartaz e orienta os surdos sinalizados a fazerem.Acho ótima a iniciativa.
    Depois olham a alternativa.Primeiro a saúde.
    bjos
    Greize

  3. Maysa Mascarin disse:

    Me lembro perfeitamente do dia que te chamei no msn pra tirar umas duvidas sobreo teste, estava fazendo as malas pra maternidade, e vc me avisou da importancia. Muita gente ainda desconhce infelizmente, e nem todos tem a Lak de amiga ne? rss Assim q a Valentina nasceu ja fui imformada q o teste seria feito, e na hora q a fono chegou pensei, vamos registrar esse momento pra Lak! Obrigado. Beijo meu e da Valentina

  4. carolina correia disse:

    Querida, minha filha está 2 anos, é uma pessoa normal.. já passou o teste, deu normal. minha familia chorou, pensou que ela fosse surda. Isso é mais importante no momento. sou favor desta campanha! Um filho da minha amiga já passou o teste, deu resultado que ele é surdo mesmo.. passou o teste e bera, confirmam ele eh surdo mesmo.. por devido da genética da familia. os pais dele são surdos.

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