Você me entendeu?

A foto não tem nada a ver com o texto, apenas uma foto minha em Londres hihihi

A foto não tem nada a ver com o texto, apenas uma foto minha em Londres hihihi

Certa vez, li em algum lugar ou vi alguém dizer, nem lembro, que o mundo tem o tamanho do idioma que você fala. Ou seja, quanto mais idiomas você souber, maior o seu mundo será.

De fato, percebi isso quando aprendi francês, ele se tornou mais poético quando pude ler “O Pequeno Príncipe” na língua materna do autor. Você sabia que a frase mais célebre do livro é um versinho rimado? “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos” [On ne veux bien qu’avec le couer. L’essentiel est invisible pour les yeux.” (embora não sejam de grafias iguais, o som das palavras coração (algo como  “cór” com um “ó” que soa quase como um “é”) e olhos (yeux – que soa mais ou menos como “ê”) formando uma similaridade sonora que torna a frase rimada.

Quando estudei espanhol, também senti o mundo crescendo um pouquinho mais. Mas, como já contei aqui no blog e também contei no livro, eu aprendi pouco do espanhol, porque fiquei pouco tempo estudando, mas também porque dependia somente da leitura labial e isso me limitava muito.

Lembro, inclusive, que foi quando fiz intercâmbio em Madrid – Edu estava junto comigo e estudamos na mesma sala, ele me ajudava bastante – que eu pensei como seria bom se eu pudesse ouvir. Será que o IC poderia me ajudar com isso? E voltei de lá com uma vontade enorme de fazer o implante, embora eu não soubesse se ele realmente me permitira escutar bem ao ponto de não depender mais só da leitura labial.

Após voltar de Madrid em 2008, estudei inglês no Brasil durante alguns anos (acho que pelo menos 3 ou 4). Como todo brasileiro que está no mercado de trabalho, acredito que ter inglês no curriculum ajuda muito, abre portas, etc…

Porém, confesso, inglês nunca foi um idioma com o qual eu tive afinidade. Sempre tive dificuldade de falar, de entender o que as pessoas dizem, de entender a lógica de raciocínio. Muito diferente do francês/espanhol que (para mim, ok? Sempre falo apenas de forma subjetiva, não represento classes de pessoas), são similares ao português na pronúncia, na lógica descendente da mesma língua mãe: latim.

Quando criei coragem de vir estudar inglês (mentira, eu nem criei coragem nenhuma, vim morrendo de medo mesmo), milhares de coisas passavam pela minha cabeça. Será que eu iria conseguir entender as pessoas? Me fazer entender? Realmente aprender alguma coisa nova? Perder o medo de falar em inglês sem achar que estou falando bobagem? Enfim…

Chegamos aqui em Londres e, nos primeiros dois dias, eu mal abria a boca. Era o Edu que falava tudo por mim. No máximo, chorando, eu dava bom dia e olhe lá.

Só que aí o curso começou e nós não ficamos na mesma turma… E eu tive que aprender a me virar, para poder entender as professoras, para poder me fazer entender, realizar os exercícios, etc…

A primeira semana foi bem difícil. Eu adorei, porque adoro desafios, mas confesso que eu ficava boiando boa parte do tempo. E, cada vez que eu tinha que falar alto, ficava roxa…

Na segunda semana, as coisas começaram a melhorar e fui pegando o jeito, perdendo o medo.

Agora, na terceira semana, começo a me sentir confortável. Porque eu percebo que não sou só eu que tenho dificuldade. Aliás, todo mundo passa pela mesma dificuldade de não saber se expressar nem entender tudo perfeitamente. É claro que, no meu caso, a situação é acentuada pela deficiência auditiva. Esta que, no entanto, está muito bem amparada pelo implante coclear. Tanto que tem horas, que eu simplesmente esqueço que sou deficiente auditiva, que uso um aparelho, que ele tem um microfone, que eu tenho dificuldades de ouvir e blablabla. Simplesmente a aula flui tão natural e perfeitamente, que sou apenas uma aluna entre tantas, que entende quase tudo e vai muito bem, obrigada.

Noutras horas, a limitação aparece, como na hora de ouvir trechos do livro em áudio. Avisei a professora que era D.A. e tinha dificuldade de entender áudios. Ela me mostrou a parte do livro que tem a transcrição do áudio e voilà, leio enquanto ouço e vou aprendendo a pronunciar e escrever as palavras em simultâneo. Tudo tem solução por aqui…

Vou aprendendo um novo idioma – idioma com o qual tenho contato desde os 4 anos de idade, mas nunca realmente precisei dele ou precisei aprender, então ficou latente, adormecido – e, ao mesmo tempo, vendo o mundo crescer. A língua inglesa é uma das línguas mais faladas do mundo. Onde você chega falando inglês, quase sempre, é recebido com um sorriso no rosto e uma resposta clara e precisa (referindo-me a Amsterdã e Bruges).

Começo a me empolgar de quantos livros e sites poderei ler a partir de agora. Fico organizando na minha cabeça tudo o que ainda quero aprender, como irei estudar depois que voltar pra casa, para manter o inglês cada vez mais fresquinhos.

Quem sabe aonde as novas portas abertas com este idioma poderão me levar?

A gente tem que aprender a não ter medo de correr atrás dos nossos sonhos!

Beijinhos sonoros,

Lak

7 palpites

  1. Ana Lúcia Issa disse:

    Lak, você sempre inspirando pessoas! O que não te desafia, não te transforma. É lindo e inspirador para nós saber que o IC nos proporciona essa possibilidade para alçar novos voos. Um beijo, querida! 😉

  2. Sim verdade e este lugar eu gosto muito, já estive ai, sdds…

  3. Augusto Abrantes disse:

    Parabéns pela coragem e esforço que a experiência exige… e também pelo blog, que estou conhecendo agora… Vou visitá-lo sempre… Forte abraço!

    • Lak Lobato disse:

      Tem sido uma experiência fantástica. Sinceramente recomendo, para quem tem vontade e condições. Beijinhos e obrigada pela visita. Bem vindo!

    • Augusto Abrantes disse:

      Já a conhecia de nome, através de uma amiga em comum, Sandra Valente, salvo engano, desde os tempos do finado Orkut… Assim, é uma alegria conhecer de uma perspectiva mais próxima suas experiências e lutas…

    • Lak Lobato disse:

      Ah sim, a Sandra é uma querida… ela fica braba comigo as vezes, mas mora no meu coração.E amigo de amigo meu, é meu amigo por osmose hihi Beijos