Implante coclear e Qualidade de vida.

Escrito por laklobato em 10/03/2010

Matéria da Folha Online, leitura sugerida por Jairo Marques, do blog Assim Como Você.

Heis que muito se fala, mas poucos tem conhecimentos práticos no assunto, a menos que convivam com implantados: o implante realmente melhora a qualidade de vida do usuário?

A curto prazo, EU posso afirmar que sim. Mas sempre vai soar como uma preferência pessoal e intransferível, portanto, nada melhor que uma reportagem abordando o assunto. Saiu no caderno Saúde, da Folha de São Paulo, de ontem (09/03/2010) a matéria abaixo.

09/03/2010

09h37

Ouvido biônico traz boa qualidade de vida

MARIANA VERSOLATO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Crianças e adolescentes surdos com implante coclear -um estimulador elétrico que faz o papel do ouvido, ou seja, capta o som e o transforma em pulsos elétricos- têm qualidade de vida similar à de crianças e jovens ouvintes sem o implante.

Beatriz César, 12, que usa implante coclear desde os cinco anos; segundo a mãe, ela não sofre nenhum preconceito na escola

Beatriz César, 12, que usa implante coclear desde os cinco anos; segundo a mãe, ela não sofre nenhum preconceito na escola. Foto: Danilo Verpa/Folha Imagem

É o que aponta um estudo americano publicado no periódico “Otolaryngology -Head and Neck Surgery”.
Ainda segundo a pesquisa, quanto mais cedo a criança fizer o implante, conhecido como ouvido biônico, melhor será sua adaptação social e seu desempenho na escola. No Brasil, a cirurgia é feita pelo SUS em centros especializados.

O implante é indicado para crianças surdas com ao menos um ano de idade e adultos com surdez bilateral severa que não tiveram benefícios com o uso de aparelhos auditivos. É necessária uma complexa adaptação para que a pessoa consiga interpretar os sons recebidos.

No estudo, foram avaliadas crianças de 88 famílias, com idades de oito a 16 anos. Elas e seus pais tinham que responder a um questionário sobre a saúde física, mental e emocional, relacionamento social e desempenho escolar. As respostas foram similares às de crianças e adolescentes ouvintes, sem implante.

Para Domingos Lamônica Neto, otorrinolaringologista da equipe de implante coclear da USP de Bauru, a criança já tem um ganho na qualidade de vida a partir do momento em que recebe o implante. “Desde o momento em que ela ouve pela primeira vez, já é possível sentir uma mudança positiva na parte emocional, familiar e educacional”, diz.

Segundo a psicóloga Midori Otake Yamada, da equipe de implante coclear do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP (Universidade de São Paulo) de Bauru, o envolvimento da família é fundamental para estimular o desenvolvimento da linguagem e a interação social das crianças e dos adolescentes. “Comunicação é interação. Se a mãe não aceita a surdez da criança, não brinca ou não conversa com ela, esse processo falha”, afirma.

Yamada diz também que a qualidade de vida dessas crianças está ligada ao trabalho de uma equipe especializada, com otologista, fonoaudiólogo, assistente social e psicólogo. Para os adolescentes, especialmente as meninas, a adaptação ao aparelho é mais difícil. “Alguns têm vergonha da unidade externa.”

A fonoaudióloga Silvia Badur Curi, que acompanha pacientes implantados no Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), lembra ainda que a qualidade de vida depende da idade em que é feita a cirurgia.

Quanto mais tarde o implante for feito, mais trabalho envolvendo a terapia será necessário para o desenvolvimento da linguagem. “É uma corrida contra o tempo, mas, mesmo com “atraso”, a pessoa pode adquirir uma boa evolução”, diz.

“Ela canta, toca violão, faz de tudo”

Fazia um mês que a professora Délia Maria César, 59, havia sido aprovada num concurso público para dar aulas para surdos quando ela descobriu que a filha de dois anos não escutava. “Todo mundo dizia que era coincidência de Deus, mas, na época, eu fiquei revoltada e entrei em depressão”, conta.

Hoje, dez anos depois da descoberta e sete após a cirurgia de implante coclear da filha, Délia é categórica ao afirmar que Beatriz César, 12, tem a mesma qualidade de vida de outras crianças. “Ela toca violão, joga futebol, canta no karaoke, faz tudo o que as outras crianças fazem.”

Délia diz que Beatriz nunca teve problemas na escola. “Ela não sofre preconceito, tem autoconfiança. Quando eu quero explicar muito alguma coisa para ela, eu é que levo bronca”, conta, rindo.

Link para o artigo original

Espero que seja útil essa leitura.

Beijinhos sonoros,

Lak

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Jogado em lugar nenhum

 

Quando dois nem sempre é melhor que um…

Escrito por laklobato em 09/03/2010

Que eu sou moderadora da comunidade do Orkut “Surdos Oralizados”, já falei até demais, por aqui. Mas, recentemente, virei moderadora da comunidade “Implante Coclear” também (fico devendo os links, porque meu orkut é bloqueado aqui no trabalho). Isso porque o dono das comunidades é o mesmo e ele é muito meu chapa hihihi

Mas, moderar uma comunidade desse porte requer uma certa responsabilidade e, justamente porque eu não era implantada, não pude moderá-la antes, porque os moderadores acabam sendo muito solicitados pelos participantes de contar suas histórias. De lá pra cá, já dei aconselhamento – com 3 meses de experiência como ativada, já me considero uma veterana haha – a várias pessoas que tem dúvidas quanto à cirurgia, ao implante e mais um monte de coisas que surge na nossa cabeça, nessa hora de decidir.

Bom, o que todo mundo parece ter dúvida é: o implante é feito dos dois lados? Afinal, a maioria das pessoas que busca o Implante Coclear tem perda bilateral. Mas, aparentemente, mais de 90% dos dos implantados são implantados de um lado só. Por quê?

Eu sempre aviso que não sou médica especialista, nem fonoaudióloga, nem psicologa, nem técnica de eletrônica. Meus conhecimentos quanto ao IC são basicamente de usuária entusiasta e exibida, porque dou meu parecer no melhor blog da net no meu blog.

Como gosto de saber o que dizer de maneira adequada, resolvi dar uma sondada na fono que faz o meu mapeamento. O que ela me explicou é que, pra maioria das pessoas, o IC monolateral tem o resultado adequado para que ela ouça suficientemente bem. E se ela tem audição residual – meu caso – a prótese convencional consegue funcionar maravilhosamente bem como coadjuvante (isso eu atesto, já acho que ouço muitissimo melhor com a prótese comparado a a antes, inclusive  pelo resultado da audiometria, o cérebro faz uma integração fantastica do IC com o AASI), de forma que um segundo implante não teria um resultado muito mais garantido do que IC + AASI.

No caso de pessoas que não tem nenhuma audição residual, dois ICs podem ser recomendados, mas nem sempre o cérebro integra perfeitamente os dois lados. Sempre poderá haver possibilidade de se ouvir os ICs meio que em separado.

Normalmente, essa modalidade de IC bilateral é mais recomendado a crianças, cujo cérebro tem capacidade de adaptação muito mais rápida do qe adultos. E deve ser feito em sequência, porque quanto mais se espera para fazer outro IC, menor a chance de integração entre eles.

Agora, se a pessoa quiser fazer (e puder pagar, porque o SUS só paga um lado), ela pode conversar com o especialista e chegar num acordo.

Como o IC acaba com a audição residual – a gente passa a ouvir somente através dos eletrodos – eu prefiro deixar uma cóclea preservada pra, quem sabe  um dia, uma tecnologia ainda mais avançada do que o IC atual.

Vai da cabeça de cada um, das vontades e necessidades…

E, lembrem-se, opinião de médico/fono é muito mais válida do que a minha. Converse com os seus especialistas!

Beijinhos sonoros,

Lak

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Jogado em lugar nenhum

 

É feliz feliz…

Escrito por laklobato em 08/03/2010

Tá, eu já notei que vocês preferem fofocas da minha vida, do que textos informativos, videos e etc… Mas tudo bem, eu também amo vocês. E só não falo mais da minha vida, porque realmente não tenho tanto assunto assim.
Bom, hoje foi o meu segundo mapeamento. Definitivamente sou uma negação pra explicar que raios é o mapeamento, mas basicamente é quando aumentam, equalizam e ajustam o som que o aparelho manda pros eletrodos, tornando o som cada vez mais adequado à minha perda auditiva.
Antes, eu fiz a primeira audiometria pós-cirurgica. Realmente, o ganho do IC está a anos-luz da prótese (AASI) convencional (e nem falo da minha audição residual, que do lado o IC ficou insignificante). Com o AASI, eu ouço mal e porcarmente sons em frequencia até 4000 mhz, mas teria que ser um barulho altíssimo, do tipo impossivel, só se considerava mesmo até 2000 mhz (quanto mais alta a frequência, mais agudo é o som). Com o IC, eu ouço até 8000 mhz a 20decibeis, o que significa que ouço muito mais do que ouvia!!
Também fiz alguns testes de compreensão auditiva. Veja, eram três testes, um de vogais, um de sílabas e outro de palavas.
No teste de vogais, eu fui mal pacas, porque não diferencio bem e e o foi um troço meio vergonhoso, mas como eu não faço fonoterapia, faz de conta que é isso mesmo.
No teste de síbalas, que basicamente falam palavras com números de sílabas diferentes, algo como SOL, BOTA, ALFACE, ABACATE. Esse, eu acertei 91% das palavras, porque, obvio contar sílaba é algo que eu sempre tive tremenda facilidade de fazer.
Por fim, veio o teste que é meu pesadelo. Palavras aleatorias com o mesmo número de sílabas. Eu sempre ia pavorosamemte mal nesse teste, porque realmente requer sensibilidade  auditiva, porque sem pista visual ou de contagem de sílabas, não tem como diferenciar palavras se não pelo som delas. Eu sempre acertava o limite de chute-acerto. Mas hoje… tcham tcham tcham: acertei 83% das palavras!
Eu fiquei tão feliz, mas tão feliz, que vim correndo contar  aqui no blog!!
Claro que eu tinha uma  noção do que poderia ser tal palavra. Tô longe de poder falar no telefone ainda…
Mas, pra quem não entendia uma palavra auditivamente há decadas, qualquer compreensão é bem vinda!
Beijinhos sonoros,
Lak

10
Jogado em lugar nenhum

 

O circo da borboleta

Escrito por laklobato em 04/03/2010

Terça-feira agora, dia 2 de março, Jairo do blog Assim Como Você teve a candura de colocar um belíssimo video, dividido em duas partes. É uma dessas histórias de superação de limites. Não limites físicos, mas emocionais e psicológicos (os tais que eu venho comentando que são a parte mais difícil do processo de readaptação cerebral, por conta do Implante Coclear).
Quem frequenta o blog dele, já viu, já se emocionou, já chorou de precisar de lencinho…
A legenda em português foi feita por Silva Dutra.
Mas pra quem não viu, vale a pena.

Não sei se o nome do vídeo é uma coincidência ou foi inspirado nesse belíssimo texto de Antoine de Saint-Exupéry (sabia que eu estudei numa escola com esse nome?), no capitulo 9 de O Pequeno Príncipe. Primeiro, o texto original em francês – pra vocês treinarem – depois a tradução.

Il fut surpris par l’absence de reproches. Il restait là tout déconcerté, le globe en l’air. Il ne comprenait pas cette douceur calme.

- Mais oui, je t’aime, lui dit la fleur. Tu n’en as rien su, par ma faute. Cela n’a aucune importance. Mais tu as été aussi sot que moi. Tâche d’être heureux… Laisse ce globe tranquille. Je n’en veux plus.

- Mais le vent…

- Je ne suis pas si enrhumée que ça… L’air frais de la nuit me fera du bien. Je suis une fleur.

- Mais les bêtes…

- Il faut bien que je supporte deux ou trois chenilles si je veux connaître les papillons. Il paraît que c’est tellement beau. Sinon qui me rendra visite ? Tu seras loin, toi. Quant aux grosses bêtes, je ne crains rien. J’ai mes griffes.

A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, inteiramente sem jeito, com a redoma no ar. Não podia compreender essa calma doçura.

- É claro que eu te amo, disse-lhe a flor. Foi por minha culpa que não soubeste de nada. Isso não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Trata de ser feliz… Mas pode deixar em paz a redoma. Não preciso mais dela.

- Mas o vento…

- Não estou assim tão resfriada… O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.

- Mas os bichos…

- É preciso que eu suporte duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me? Tu estarás longe… Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.

Nem sempre a ajuda que precisamos é que resolvam os problemas por nós. Um incentivo para acreditarmos em nós mesmos pode fazer muito mais diferença. É aquele ditado: “Não me dê os peixes, ensina-me a pescar.”

Beijinhos sonoros,

Lak

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Jogado em lugar nenhum

 

Trabalhando as expectativas

Escrito por laklobato em 03/03/2010

Certamente, o que é mais complicado no Implante Coclear é a parte psicológica, não apenas reeducar o cérebro em ouvir, ouvir de uma maneira não-orgânica simplesmente, mas tecnológica. Mas saber trabalhar as próprias expectativas e as dos outros.

Como eu fui surda por 23 anos, mais que o dobro de tempo que fui ouvinte, minhas expectativas não eram altas e eu me deslumbro com cada conquista mais ínfima que seja e fico feliz simplesmente de estar muito  mais perto do que jamais estive por décadas. De repente, a redoma que me isolava dos sons do mundo vai se tornando cada vez mais efêmera.

Em contrapartida, as expectativas alheias podem ser bem irritantes e, estas, certamente estão além do meu controle. Eu tento ser paciente e explicar infinitas vezes que o IC não é colocar um ouvido natural na cabeça, leva tempo, tem limitações e que requer treino e aprendizado. Mesmo assim, nem todo mundo parece compreender e tem horas que tenho vontade de mandar algumas pessoas plantarem batata.

Mas enfim, um texto bacaníssima sobre trabalhar as expectativas segue abaixo:

*texto retirado da comunidade Implante Coclear do Orkut, postado pela Leila. (Ela copiou da lista de discussão do FIC – Forum de Implante Coclear).
Os Serviços de Implante Coclear constantemente advertem seus pacientes a terem expectativas reais com relação ao Implante. Estas palavras podem ter significados diferentes para cada pessoa. Simplesmente o que significa a palavra “realista”? De que maneira pode-se estar seguro de que as expectativas do paciente são realistas? E como orientar a família, amigos e parentes quanto à expectativa?
  • Suas Próprias Expectativas
Antes da cirurgia a Equipe do Implante Coclear deve ter te informado que o Implante não é capaz de restabelecer a capacidade normal da audição e de que maneira responderá o seu Implante.Sem entrar em um processo de frustração é preciso manter a esperança, determinação, e empenho necessários para dar continuidade ao processo de reabilitação.
Os sons percebidos com o implante não são maravilhosos, aprender a usar o Implante leva algum tempo. É importante salientar que a parte auditiva do seu cérebro está sendo estimulada de uma forma nova e o cérebro precisa de tempo para se ajustar às novidades.

Nos primeiros dias após a ativação, é comum o paciente questionar se os sons percebidos terão algum sentido algum dia.São poucos os pacientes que desde o primeiro dia ficam contentes com a qualidade e a quantidade do que escutam. Os pacientes descrevem suas primeiras experiências como: “dentro de um túnel”, “no fundo do poço”, “como um robô”, “voz de Pato Donald”. Com o passar do tempo, através do uso regular do Implante e com o empenho em aprender  fazer uso dos novos sons os progressos serão alcançados.

Com muita freqüência os pacientes implantados não percebem os progressos alcançados. Usando um calendário ou uma agenda comece a registrar os seus progressos: quando escutar um novo som, uma nova palavra ou se sentir menos isolado no grupo. Basta fazê-lo por alguns minutos a cada noite. Isto pode funcionar como uma ferramenta de motivação pessoal quando se sentir decepcionado. Peça a amigos e familiares que falem quando perceberem algum progresso. São muitos os fatores que influenciam o progresso de cada paciente. O tempo de melhora pode variar em cada caso. Se tiver alguma dúvida quanto ao seu progresso, consulte o Fonoaudiólogo, juntos poderão revisar o seu progresso e desenvolver estratégias quanto à reabilitação enfocando expectativas reais.

A paciência é sem dúvida uma virtude importantíssima ao usuário de implante. Durante os primeiros meses de uso é impossível prever qual será o progresso alcançado, portanto a única coisa que se pode fazer e praticar é ser paciente, e participar ativamente da descoberta dos novos sons, restabelecendo um novo código, e adaptando-se com o tempo ele será semelhante ao da sua memória auditiva .Além de ser paciente consigo mesmo, é importante concentrar-se no Implante e seus benefícios. Procure não fazer comparações com os outros pacientes implantados. Não se esqueça que existem processadores de fala diferentes, portanto experiências diferentes. O processador que você está usando é resultado de grandes avanços nas características de programação, diferente de dispositivos anteriores.

As diferenças no aproveitamento do Implante estão relacionadas, em sua grande maioria, ao inicio da perda auditiva, tempo de duração da surdez, ao numero de fibras do nervo auditivo presente e outros fatores. Todos estes fatores estão fora do seu alcance. É muito difícil alcançar a satisfação no uso do implante, comparando os seus resultados com o de outros usuários.

Comparar sua nova habilidade com ouvintes normais, também pode gerar uma grande decepção. A única medida significativa para efeito de comparação, é a sua própria: as habilidades de comunicação e as respostas aos sons que passou a ter, com a capacidade que tinha antes do implante.

  • As Expectativas dos Outros

Poucas pessoas compreendem os usuários de Implante Coclear, a grande maioria espera que o implante cure todos os problemas auditivos e restabeleça a audição em 100% . Diante dessa expectativa, a solução seria explicar aos nossos familiares e pessoas que nos cercam o que são os implantes, o quanto se pode escutar com eles o que se pode fazer para facilitar a comunicação. Isso com certeza diminuirá o stress e os desentendimentos.

É comum alguma pessoa pensar que a operação foi um fracasso ou acharem que o paciente implantado não está colaborando, logo após a cirurgia de colocação da parte interna, não sabem que o implante será ativado apenas dali a 40 dias aproximadamente.

Abaixo alguns pontos que são importantes de serem tratados (falados) com os seus familiares e amigos:As partes do implante –receptor, antena, microfone, e processador de fala.Explicar como funciona o equipamento.

Falar das expectativas realistas.O implante não restabelece a audição normal. Ressaltar o que se pode fazer e escutar com o implante que antes não podia, e as coisas que são difíceis ou impossíveis de escutar.

Formas que possam facilitar a comunicação (ficar de frente, ajudar com chamadas telefônicas, ou qualquer outra necessidade que tenha). O processo de aprendizagem para ouvir, se dará com o tempo, não de um dia para o outro, há necessidade de reabilitação para que os progressos sejam alcançados com mais facilidade, reaprender a escutar é um processo árduo. Quando estiver mais cansado será mais difícil de escutar (como ocorre no ouvinte). Compartilhe com os outros as experiências que tem passado, ajude-os a compreender que passará por momentos de frustração e tensão e que esta alteração de humor são esperadas. As mudanças causadas pelo uso do implante também poderão afetar suas relações com as pessoas. Antes do implante talvez você fosse mais dependente dos outros. Agora com o implante é possível que seja mais independente, e isso pode representar alivio para algumas pessoas e para outras um desconforto. Peça sempre ajuda a equipe, caso você tenha algum problema nos seus relacionamentos interpessoais.

(tradução Unicamp-2002- Sacándole el Mayor Provecho a su Sistema Implante Coclear Nucleus)

Beijinhos sonoros,

Lak

p.s. nota deixada pelo moderadordo FIC no tópico criado pela Leila, na comunidade que citei: O original deste texto, encontra-se nos nossos arquivos do FIC (http://br.groups.yahoo.com/group/implantecoclear/files/). Foi nos enviado pela Fga. Dra. Sílvia Badur Cury, da Equipe de IC da Unicamp, através de Marta Matos Martins. Foi publicado pela 1a. vez no FIC em 13/08/2004.

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Jogado em lugar nenhum

 

Coisinhas desconexas

Escrito por laklobato em 02/03/2010

Só pra não ficar muito tempo afastada do blog.

Ando super tensa e preocupada com fonoaudióloga, porque tô passando do prazo de começar a reabilitação e ainda não achei uma profissional. Mandaram-me uma lista de fonos especializadas em IC, mas a maior parte dos consultórios onde o Edu ligou estavam com telefone errado (do tipo “esse telefone não existe”) e ainda não consegui achar mesmo uma. Será que alguém pode me indicar uma fono especializada em reabilitação auditiva na região sudoeste de SP? Eu ficaria muito grata!

Mudando de assunto, tive a primeira aula de inglês depois da ativação (já tinha tido uma antes, mas foi logo depois da ativação e não conta). Percebo que se eu tento ouvir junto com ler os lábios, não apenas ler, fica absurdamente mais fácil compreender o que dizem e até entendi BEM frases inteiras, coisa que conseguia fazer em francês, mas sofria no inglês, embora eu consiga ler e escrever de boa. Mas, o mais legal foi prestar atenção, sem olhar, quando a Cris falava “but” “love” e perceber o som exato da vogal… Incrível como ouvir pode fazer tanta diferença na percepção.

Sei que dou muito crédito pra leitura labial, mas confesso que ela tem limitações e poder explorar os limites dela, graças ao IC, indo além do que a minha condição corporal me permite é um privilégio!

Um brinde à tecnologia!

Beijinhos ciborgues sonoros,

La

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Jogado em lugar nenhum

 

No llores por mi, Argentina!

Escrito por laklobato em 27/02/2010
Bueno, estoy de vuelta a São Paulo…

E vi vários comentários pedindo para contar da minha primeira viagem de implantada. A priori, salvo pelo detector de metais não houve nada de novo, já que eu não entendo vozes auditivamente, então tanto faz se falam português, espanhol, grego ou latim, tudo soa mais ou menos a mesma “nhunhunhu”  indecifrável. Mas, tanto dessa vez com o IC, quanto da vez que eu estava com os AASI apenas e até da vez que viajei sem nada, eu compreendo pelo menos o básico por leitura labial e sempre consegui me virar maravilhosamente bem onde quer que eu esteja. Não sou uma pessoa que se permite limitar pela deficiência.

Mas é claro que o IC, a longo prazo, fará muita diferença. O caso apenas é que ainda não discrimino vozes e, dos sons ouvidos, só posso falar de pequenas coisinhas que me chamaram a atenção, como ouvir o barulhinho do apito do metrô porteño e achá-lo incrivelmente chato hihihi Quer dizer, na primeira vez, até achei legal. Lá pela 10ª estação, já estava irritada com aquele piiiiiiiiiiiii plen plen plen ploin (o apito seguido das portas fecharem).

O que teve de mais especial na viagem, sem dúvida, foi perceber como esse blog foi/tem sido importante na minha vida, afinal tive o prazer de finalmente conhecer pessoalmente uma queridissima amiga e leitora (nos conhecemos via comentários dos blogs), Olivia, do blog Olivia Cranwell.

Ela é, assim como eu, usuária do Implante Coclear. Foi implantada exatamente 1 ano antes de mim. Ela é artista plástica, mostrou-nos diversos trabalhos belíssimos feitos por ela. Depois, fomos tomar Mate na cuia (o nosso chimarrão gaucho) e conversamos sobre os blogs, sobre deficiencia auditiva – pois ela também é surda adquirida e cada história tem a sua beleza e a sua dor – sobre o fato de quanto lá quanto aqui, nem todos os deficientes auditivos aceitarem o Implante Coclear (que respeitamos quem não quer usar, mas não sentimos esse respeito da parte deles, como se o fato de optarmos pelo implante fosse algo que eles não tivessem que respeitar também. Como se respeito não fosse algo de mão dupla). 

Fiquei impressionada com o carinho mutuo, nascido e cultivado pela troca de experiencias de vida via blog, inicialmente por compartilhar a deficiência. É, nessas horas que percebo que manter este blog tem sido uma das melhores experiências da minha vida. E sim, quando alguém lê meu blog, quando eu leio o blog de alguém, é sempre o início  de uma possível grande amizade!!

Olivia preparando nosso chimarrão (ela estava me ensinando a tomar)

Olivia preparando nosso chimarrão (ela estava me ensinando a tomar)

Eu, encarando sem açucar. É, dá pra beber, mas com açucar fica tão melhor....

Pausa no mate para uma foto das duas

Beijinhos sonoros,

Lak

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Jogado em lugar nenhum

 

Proibida a passagem de usuários de Implantes Cocleares

Escrito por laklobato em 22/02/2010

Eu já tinha lido muito comentário de implantado sobre os detectores de metais dos aeroportos. Inclusive, avisam que a gente deveria desligar antes de passar porque, reza a lenda, algumas vezes desprograma o processador da fala (parte externa).

Mas eu ainda não tinha tirado a teima, já que desde a cirurgia, ainda não tinha viajado.

Ontem, foi a primeira vez que eu tive o prazer. Chegando no aeroporto, a primeira coisa que leio no detector de metal é o aviso: Equipamento não indicado para portadores de marcapasso e implantes cocleares.

Viro para a guarda e aviso: Moça, sou implantada.

Ela sorriu e disse: Por favor, sua carteirinha de implantada e a passagem.

Entreguei e ela avisou a moça que estava do outro lado do detector: “Ela usa implante coclear”. Ai elas chamaram um terceiro oficial e avisaram: “Implante coclear”.

Nisso, a moça que me atendia disse: Olha, passa por ai (apontado pra uma passagem por fora do detector). – Mas continuou na posse da minha passagem e carteirinha.

O  rapaz que veio falar com elas, também parecia não saber o que fazer. Respondeu: E eu faço o que? Acho que tem que pedir pro supervisor.

Ai começam a discutir os três “você vai lá? não! você vai! não! tá, eu vou!”

Nisso, o rapaz se conformou e foi até a sala do supervisor, pra perguntar como ele deve proceder, porque a impressão que tive era que era um fato inédito. Aí ele berra de lá de dentro da sala: O implante é visivel?

Eu estava de cabelo solto, né? Porque sempre escondo o implante por medida de segurança. Respondi que sim e tirei ele da cabeça, mostrando pras moças. Uma delas berra de volta: É visivel sim.

Dai eles me devolvem carteirinha e passagem e dizem: Está liberada, pode ir.

Falei pro Edu: Ah, se eu soubesse que não seria revistada nem manualmente, podia ter trazido a AK-47 que eu tenho em casa.

Edu me olhou feio e disse: Não brinca com essas coisas na frente da policia, sua tonta.

hihihi

Beijinhos portenhos,

Lak

16
Jogado em lugar nenhum

 

Tempos de Poesia

Escrito por laklobato em 19/02/2010

Quando eu era mais nova, era boa em fazer poesias… Pelo menos eu achava. Minha mãe também hehehe

Sempre quis colocar poesia minha aqui no blog, mas nunca achei gancho. Enfim, uma ONG de inclusão social que eu sigo no twitter, Mais Diferenças ontem me convidou pra uma Exposição Acessível  que está tendo no Museu da Língua Portuguesa, que fica na Estação da Luz (São Paulo/SP).

A primeira coisa que eu perguntei foi: O que oferecem para surdos/deficientes auditivos que não usam líbras (porque convenhamos que só se lembram de surdos que usam esse idioma, como se surdo oralizado não precisasse de nada ou não existisse) e eles me responderam: “Todo o programa da exposição, assim como os textos da audiodescrição, estão disponíveis impressos também, para leitura. Passa lá! :)

Achei absolutamente bacana a iniciativa de lembrar que o desenho universal tem que ser acessível a todas as pessoas, não somente aquelas que se enquadram no estereótipo padrão. Afinal, já me senti de fora em muita coisa “inclusiva” porque não dão a mínima para quem não faz uso da língua brasileira de sinais.

Então, achei bem legal divulgar a exposição aqui no blog, afinal, trata-se de uma exposição realmente acessível e de um tema que adoro: Poesia.

Se alguém for de Sampa e quiser passar lá, acho que vale a pena dar uma conferida. Se eu conseguir, passo lá no próximo final de semana (porque viajo nesse).

Ah, e alguém quer ler uma poesia minha? Se quiser, clique em: 

Continue lendo…

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Jogado em lugar nenhum

 

Ploc Ploc Ploc

Escrito por laklobato em 18/02/2010

Eu estou de férias até março – ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa – portanto, as passagens por aqui são da mais absoluta preguiça.

Porém, como sei que nem todo mundo está de férias e quer curtir um postzinho novo, vim deixar um recadinho especial pra Zuleid, uma querida amiga e leitora, que foi a primeira pessoa a me perguntar desse som.

Ontem, curtindo a madrugada  vendo filmes, me bateu aquela vontade tipica de comer pipoca – sozinha, porque o Edu não curte. Nosso microondas não está muito bom, mas deu pra fazer a pipoquinha de boa. Compro pacote pequeno, porque senão a consciencia pesa depois hehe

Como os médicos, antigamente, pediam pra implantado ter os mesmos cuidados que portadores de marcapasso, até hoje comenta-se sobre o microondas dar interferência na programação, portanto eu prefiro não ficar perto de microondas em funcionamento.

Porém, era de madrugada e o silêncio reinava. Da sala, comecei a ouvir pequenas explosõezinhas: Ploc Ploc Ploc

Arregalei os olhos e falei: Eduuuuuuuu, eu estou ouvindo daqui as pipocas estourarem.

É engraçado como alguns sons são tão familiares que, mesmo ouvindo, demora pra cair a minha ficha que é mais um som reconhecido, mais um som reencontrado depois de duas décadas.

A pipoca teve um sabor absolutamente especial!!

Beijinhos pipocantes,

Lak

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Jogado em lugar nenhum

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