A História de Jefferson Pedrino: Usuário do Implante Coclear

Escrito por Lak Lobato em 22/04/2014

Pessoal,

faz tempo que não publico um relato de leitor aqui, né? Semana passada (foi anterior ao concurso, ele me mandou para virar post mesmo) Jefferson me mandou esse relato, junto com as fotos, para compartilhar a história dele. Ele, como eu, é implantado já adulto e paciente do Dr. Robinson Koji.

Uma história muito bonita de como o implante faz diferença na vida de alguém que sente falta de ouvir bem.

Olá Lak!

Tenho acompanhado sempre seu blog e li também o seu livro, assim como o blog e o livro da Paula Pfeifer. Considero ótimo os vossos relatos sobre a vivência como surdas oralizadas.

Minha vivência não é muito diferente das vossas, porém já nasci com a deficiência auditiva e meus pais só perceberam quando eu tinha mais ou menos 02 anos de idade, quando resolveram me levar a um médico que logo diagnosticou meu problema como surdez bilateral congênita progressiva moderada a severa (hoje com a idade de 42 anos minha surdez é considerada profunda).

Mesmo com a deficiência auditiva, na época, o médico disse aos meus pais que eu deveria frequentar uma escola com classe de alunos especiais, mas com o passar do tempo meus pais resolveram me matricular em uma classe normal, começando do pré-primário até chegar a 2ª série do 1º grau (hoje ensino fundamental). Nesta 2ª série eu sentava sempre na primeira carteira e a professora me apoiava, sempre me olhando, para que eu pudesse fazer a leitura labial e escutar melhor de perto durante a aula. Com o passar do tempo, a professora chamou meus pais e disse a eles que deveriam procurar auxílio e colocar AASI (Aparelho de Ampliação Sonora Individual) em mim. Como na época era muito caro, o tempo foi se passando e consegui colocar somente no meu ouvido esquerdo aos 12 anos de idade e nunca deixei de usar.

Recordo que no ginásio tinha um colega que costumava sempre me provocar me chamando de “surdinho” e quando terminei o ginásio nunca mais o vi. Passado mais ou menos 20 anos, eis que encontro ele em uma fila de banco e ele me relatou o seu arrependimento por ter me chamado de “surdinho” naquela época; pois, hoje já casado, ele tem uma filha surda.

Faz 30 anos que uso o AASI e já usei vários modelos como intra-auricular, intra-canal, micro-canal e hoje uso o retro-auricular no ouvido direito. Desde os primeiros passos na escola até o dia atual uso a leitura labial e tenho muita facilidade com este tipo de comunicação e o mais engraçado disso é que, as pessoas que convivem comigo aprenderam a fazer a leitura labial de forma espontânea, até mesmo minha esposa.

Aos 13 anos de idade resolvi aprender a teoria e prática musical na igreja que frequento, toco trompete há 29 anos e amo fazer isso. Ensinei e ensino a música clássica a muitos alunos, além de regência da orquestra de mais ou menos 40 músicos, ouvintes normais, que estão sob minha responsabilidade faz 18 anos. O interessante é que, na parte musical, muitos se surpreendem com a facilidade que tenho em afinar os instrumentos musicais (graças a Deus) mesmo usando os aparelhos auditivos.

Há 21 anos me formei no colégio como técnico em contabilidade e no ano passado (2013) me formei em Nível Superior de Gestão em Logística e trabalho atualmente no faturamento em uma empresa de química e o interessante é que mesmo com o AASI eu falo ao telefone com muitas pessoas.

No ano passado, depois de adquirir várias informações sobre o Implante Coclear, não despertou em mim interesse, mas conversando com uma amiga que estava com problemas de surdez, a mesma me informou que ela tinha feito uma cirurgia no ouvido direito e que estava escutando normal novamente, e me indicou o Dr. Robinson Koji Tsuji e nisso me empolguei em fazer uma consulta com este médico através do plano de saúde que uso pela empresa, pensando em fazer uma cirurgia semelhante a dela (não é implante coclear), mas chegando no consultório, o médico me informou que meu caso somente seria resolvido através do implante coclear e fiquei triste na hora que ele me deu esta informação, mas ele com o “jeitinho” dele me explicou com mais detalhes como funciona, me mostrou o processador e tudo mais e conseguiu me convencer em fazer os exames com a psicóloga, fonoaudióloga e outros. E com a autorização do plano de saúde que pagou tudo, no dia 17/01/2014 fiz a cirurgia e dia 25/02/2014 ativei meu implante coclear no ouvido esquerdo. Uso atualmente o IC no ouvido esquerdo e no direito o AASI. Para minha surpresa e alegria, atualmente tenho ótimo progresso na comunicação com o IC, estou escutando sons que nunca escutei e sons que escutava na adolescência com o AASI (que com o tempo foi se perdendo) além de percepção sonora mais eficaz na parte musical a qual atuo. Na varanda da minha casa tem um casal de Corruíra, cuja fêmea está chocando alguns ovos e pela manhã tenho tentado espantar eles, pois começam a cantar tão alto que as vezes até irrita, mas vou me acostumar. Sem contar que em uma noite estava estudando minhas lições musicais com meu trompete, escutei por 1 hora mais ou menos um grito forte e perguntei para a minha esposa que som era aquele que estava incomodando meus estudos, o que ela me disse: é um grilo! Quase pirei.

Creio em Deus que conseguirei maiores progressos assim que começar a fazer as sessões de fonoterapia e os próximos mapeamentos juntamente com a minha fonoaudióloga Ana Tereza Matos Magalhães da Equipe de Implante Coclear em São Paulo.

Rio Claro, 17 de abril de 2014
Jefferson Henrique Pedrino

Livro Lak
Foto para Blog Paula

Adoro adoro adoro saber que somos um grupo unido, mesmo quando não nos conhecemos pessoalmente. O Implante Coclear é mais que uma tecnologia, é uma forma de unir pessoas e criar uma verdadeira família.

Beijinhos sonoros,

Lak

 

Concurso Cultural: 5 anos de “Desculpe, não ouvi!”

Escrito por Lak Lobato em 17/04/2014

Hoje, 17 de abril, é aniversário do DNO, o blog!!

5anos

Cinco anos de histórias, de barulho, de silêncio, de AASIs, de surdos oralizados, de surdos usuários da língua portuguesa, de Implante Coclear, Implante BAHA, Implante ABI, gente contando histórias, gente se animando com o IC, gente que virou amigo do peito….

Por isso, para comemorar os 5 anos de DNO, que acaba de ganhar sua versão literária, lanço o seguinte concurso:

Deixe um comentário dizendo:

“Porque o DNO foi importante na sua vida?”

A melhor resposta irá ganhar 1 exemplar autografado, via correio, do livro!

Regras:

  • É aberto a qualquer leitor do DNO: implantado, pai ou mãe de implantado, usuário de AASI, usuário de BAHA ou ABI ou implante híbrido, surdo oralizado, surdo sinalizante, surdo bilíngue, ouvinte, profissionais da área, simpatizante. Não importa quem você seja, só que leia o DNO e saiba contar porque ele mudou sua vida.
  • Só serão aceitas respostas feitas nos comentários deste post.
  • Você pode mandar quantas respostas quiser, mas apenas 1 (uma) única resposta de 1 (uma) única pessoa será premiada.
  • As respostas devem ser enviadas até dia 7 de maio de 2014. Respostas com data posterior às 23h59 do dia 7 de maio, serão desconsideradas.
  • O resultado do concurso será divulgado dia 10 de maio de 2014.
  • O critério de julgamento de melhor resposta será meu e do Eduardo, já que não é permitido fazer sorteio em blogs.
  • Preencha corretamente o seu endereço de e-mail no comentário. Ele será usado para entrar em contato com o ganhador e pegar os dados de entrega.
  • O livro só será entregue em território nacional. Se você não mora no Brasil poderá participar, mas o livro só será entregue para um destinatário no Brasil.

Beijinhos sonoros,

Lak

 

Encontro de Implantados em Porto Alegre com DNO – O Livro

Escrito por Lak Lobato em 14/04/2014

Pessoal,

Estarei em Porto Alegre daqui 2 semanas, em 26 de abril. Será mais um maravilhoso encontro de implantados organizado pela Geraldine Brandebuski de Oliveira e Maria Knob, veteranas na organização de implantados do RS. Este ano, contando com a ajuda da Ttizi Veras, mãe da Paula Pfeifer, autora do Crônicas da Surdez.

Bom, aviso para quem ainda quiser se inscrever, porque este ano o número de vagas é limitado. Mas também aviso que a inscrição tem que ser feita via facebook. Clique aqui.

Levarei alguns livros para quem tiver interesse num exemplar autografado.

portoalegre

Aguardo vocês lá, heim?

Beijinhos sonoros,

Lak

 

Eu, a música e o implante coclear

Escrito por Lak Lobato em 05/04/2014

Outro dia, fizeram uma matéria sobre o lançamento do meu livro, no site do Hospital das Clínicas. Porque, óbvio, sou paciente deles, falando do trabalho deles.

Meu médico que me operou, Dr. Koji, fez um comentário interessante sobre eu ouvir música e complementou que era algo raro.

Eu conheço muito implantado que não gosta de música e vários que gostam. Então, gostaria de conversar com vocês sobre como eu faço para ouvir, já que meu caso vira uma referência de “tudo o que a gente quer” dos candidatos ao implante.

Como muita gente sabe (mas tem gente que não sabe) eu sou surda pós lingual da pré adolescência. Perdi a audição aos 10 anos de idade. Ou seja, ouvi muita música nesses 10 anos.  Tinha prazer de ouvir, passei muito tempo ouvindo e tenho um vínculo emocional fortíssimo com essas lembranças.

Eu tenho dois implantes, feitos com 3 anos de intervalo. O esquerdo, que operei primeiro e não tem todos os eletrodos, é o que liga ao lado direito do cérebro, que é responsável pela interpretação de música. Logo, são 4 anos e meio já, desse lado “trabalhado”. O direito, que é minha orelha dominante, que tem 22 eletrodos numa cóclea sem qualquer deformação (a esquerda está com um problema físico, chamado fibrose, que impediu a perfeita inserção do feixe de eletrodos e eu ouço tudo meio distorcido desse lado) liga ao lado direito do cérebro, que interpreta a comunicação e, portanto, responsável pela minha capacidade de abandonar a leitura labial. Esse implante direito tem 1 ano e meio.

Então, sem mais delongas, explicando que houve tempo grande de estimulo com o IC para me adaptar ao som dele, vamos ao que interessa.

Apesar de eu ter ouvido naturalmente  até os 10 anos, ter boas lembranças e muita saudade, mas eu nunca nunca nunca mesmo comparo o que ouço com o IC ao que ouvia naturalmente. Obviamente, o tempo que fiquei sem ouvir ajuda a não comparar, já que não lembro com muita clareza, porém o meu parâmetro de comparação é com o silêncio. E o silêncio, para mim, durante décadas representou uma clausura intransponível. Ele me isolava do mundo e me tirava a sensação de conexão com o ambiente.  E eu comparo sempre o som do IC a essa clausura, não ao que eu ouvia antes.

Agora, explicando exatamente como ouço música:

1. Eu só ouço música sem ruído de fundo. Música ambiente, show em local barulhento, vira apenas barulho para mim. Muitas vezes sequer sei que está tocando música, só ouço um ruído chato.

2. Ouço música preferencialmente com cabo especial de implante (veio no meu kit do Nucleus 5), porque isola do barulho ambiente. Já por via área, quando o local não tem muito barulho – tipo meu carro com as janelas fechadas ou a sala da minha casa – é tranquilo, mas já não ouço tão bem e o volume precisa ser bem mais alto que via cabo.

3. Música em show, só se o isolamento acústico da casa for muito bom e as pessoas estiverem quietas. Na verdade, só lembro de ter feito isso com tranquilidade no Teatro Frei Caneca, durante a orquestra ao vivo da peça “Bibi Ferreira Canta e Conta Piaf”.

4.  Eu nunca entendo uma letra de primeira, só ouvindo a música. Geralmente, tenho que ler a letra antes. E ouvir umas 15 vezes dessa forma, para conseguir ouvir perfeitamente todas as palavras. Mesmo músicas que eu sei a letra de cor, sofro para entender a letra nas primeiras vezes.
Minha música favorita mesmo, tem um trecho que até hoje sou incapaz de reproduzir, porque não consigo assimilar como o intérprete fala determinada palavra.

5. Já assisti um vídeo que diz que implantados não ouvem música muito bem, porque o implante não capta algumas frequências. Ok, não vou discordar de especialistas, porém, distorcido ou não, o que interessa não é COMO você ouve comparado à audição natural, mas que efeito ouvir determinada coisa tem sobre você. Se dependesse de audição perfeita e percepção igual, não haveria tanto lixo musical fazendo sucesso e indignando pessoas por aí. Portanto, se você que usa implante, ouve música do seu jeito, tem prazer com isso, se diverte com isso, repete várias vezes, torna ouvir música um momento de prazer seu, então sim, você ouve música muito bem e igual aos ouvintes, já que o resultado sobre você é o mesmo que sobre eles.

Talvez o que seja mais difícil não seja um implantado conseguir ouvir música. Mas a sociedade aceitar que existe muitas e muitas maneiras de se perceber uma realidade. E a nossa, na condição de cyberouvintes, é tão válida quanto qualquer outra!

Beijinhos sonoros,

Lak

 

 

DNO – o Livro junto com o FIC na Reatech 2014

Escrito por Lak Lobato em 03/04/2014

Pessoal,

um super evento para quem pretende participar/visitar a Reatech deste ano: Um evento duplo com encontrinho de implantados do FIC (FÓRUM DO IMPLANTE COCLEAR) e  segundo lançamento  do livro “Desculpe, não ouvi!”, em parceria com o INIS.

DNO_Reatech

Quando? 12 de abril de 2014

Que horas? Das 14h às 18hs

Onde? Stand E20 – Rua 700

Onde mesmo? Pavilhão do Imigrantes (Rodovia dos Imigrantes Km 1,5, São Paulo – SP)

Como chegar?  Transporte Gratuito! Estação do Metrô Jabaquara. As ” Vans” sairão da Rua Nelson Fernandes, nº 400 (Em frente ao Posto de Gasolina) das 08h00 às 21h30

Por que ir? Porque é uma oportunidade de conhecer implantados e simpatizantes, porque é uma reunião gostosa de amigos, porque o livro estará a venda e poderá ser autografado com carinho.

Espero vocês lá!!!

Beijinhos sonoros,

Lak

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