Encontro de Implantados em Porto Alegre com DNO – O Livro

Escrito por Lak Lobato em 14/04/2014

Pessoal,

Estarei em Porto Alegre daqui 2 semanas, em 26 de abril. Será mais um maravilhoso encontro de implantados organizado pela Geraldine Brandebuski de Oliveira e Maria Knob, veteranas na organização de implantados do RS. Este ano, contando com a ajuda da Ttizi Veras, mãe da Paula Pfeifer, autora do Crônicas da Surdez.

Bom, aviso para quem ainda quiser se inscrever, porque este ano o número de vagas é limitado. Mas também aviso que a inscrição tem que ser feita via facebook. Clique aqui.

Levarei alguns livros para quem tiver interesse num exemplar autografado.

portoalegre

Aguardo vocês lá, heim?

Beijinhos sonoros,

Lak

 

Eu, a música e o implante coclear

Escrito por Lak Lobato em 05/04/2014

Outro dia, fizeram uma matéria sobre o lançamento do meu livro, no site do Hospital das Clínicas. Porque, óbvio, sou paciente deles, falando do trabalho deles.

Meu médico que me operou, Dr. Koji, fez um comentário interessante sobre eu ouvir música e complementou que era algo raro.

Eu conheço muito implantado que não gosta de música e vários que gostam. Então, gostaria de conversar com vocês sobre como eu faço para ouvir, já que meu caso vira uma referência de “tudo o que a gente quer” dos candidatos ao implante.

Como muita gente sabe (mas tem gente que não sabe) eu sou surda pós lingual da pré adolescência. Perdi a audição aos 10 anos de idade. Ou seja, ouvi muita música nesses 10 anos.  Tinha prazer de ouvir, passei muito tempo ouvindo e tenho um vínculo emocional fortíssimo com essas lembranças.

Eu tenho dois implantes, feitos com 3 anos de intervalo. O esquerdo, que operei primeiro e não tem todos os eletrodos, é o que liga ao lado direito do cérebro, que é responsável pela interpretação de música. Logo, são 4 anos e meio já, desse lado “trabalhado”. O direito, que é minha orelha dominante, que tem 22 eletrodos numa cóclea sem qualquer deformação (a esquerda está com um problema físico, chamado fibrose, que impediu a perfeita inserção do feixe de eletrodos e eu ouço tudo meio distorcido desse lado) liga ao lado direito do cérebro, que interpreta a comunicação e, portanto, responsável pela minha capacidade de abandonar a leitura labial. Esse implante direito tem 1 ano e meio.

Então, sem mais delongas, explicando que houve tempo grande de estimulo com o IC para me adaptar ao som dele, vamos ao que interessa.

Apesar de eu ter ouvido naturalmente  até os 10 anos, ter boas lembranças e muita saudade, mas eu nunca nunca nunca mesmo comparo o que ouço com o IC ao que ouvia naturalmente. Obviamente, o tempo que fiquei sem ouvir ajuda a não comparar, já que não lembro com muita clareza, porém o meu parâmetro de comparação é com o silêncio. E o silêncio, para mim, durante décadas representou uma clausura intransponível. Ele me isolava do mundo e me tirava a sensação de conexão com o ambiente.  E eu comparo sempre o som do IC a essa clausura, não ao que eu ouvia antes.

Agora, explicando exatamente como ouço música:

1. Eu só ouço música sem ruído de fundo. Música ambiente, show em local barulhento, vira apenas barulho para mim. Muitas vezes sequer sei que está tocando música, só ouço um ruído chato.

2. Ouço música preferencialmente com cabo especial de implante (veio no meu kit do Nucleus 5), porque isola do barulho ambiente. Já por via área, quando o local não tem muito barulho – tipo meu carro com as janelas fechadas ou a sala da minha casa – é tranquilo, mas já não ouço tão bem e o volume precisa ser bem mais alto que via cabo.

3. Música em show, só se o isolamento acústico da casa for muito bom e as pessoas estiverem quietas. Na verdade, só lembro de ter feito isso com tranquilidade no Teatro Frei Caneca, durante a orquestra ao vivo da peça “Bibi Ferreira Canta e Conta Piaf”.

4.  Eu nunca entendo uma letra de primeira, só ouvindo a música. Geralmente, tenho que ler a letra antes. E ouvir umas 15 vezes dessa forma, para conseguir ouvir perfeitamente todas as palavras. Mesmo músicas que eu sei a letra de cor, sofro para entender a letra nas primeiras vezes.
Minha música favorita mesmo, tem um trecho que até hoje sou incapaz de reproduzir, porque não consigo assimilar como o intérprete fala determinada palavra.

5. Já assisti um vídeo que diz que implantados não ouvem música muito bem, porque o implante não capta algumas frequências. Ok, não vou discordar de especialistas, porém, distorcido ou não, o que interessa não é COMO você ouve comparado à audição natural, mas que efeito ouvir determinada coisa tem sobre você. Se dependesse de audição perfeita e percepção igual, não haveria tanto lixo musical fazendo sucesso e indignando pessoas por aí. Portanto, se você que usa implante, ouve música do seu jeito, tem prazer com isso, se diverte com isso, repete várias vezes, torna ouvir música um momento de prazer seu, então sim, você ouve música muito bem e igual aos ouvintes, já que o resultado sobre você é o mesmo que sobre eles.

Talvez o que seja mais difícil não seja um implantado conseguir ouvir música. Mas a sociedade aceitar que existe muitas e muitas maneiras de se perceber uma realidade. E a nossa, na condição de cyberouvintes, é tão válida quanto qualquer outra!

Beijinhos sonoros,

Lak

 

 

DNO – o Livro junto com o FIC na Reatech 2014

Escrito por Lak Lobato em 03/04/2014

Pessoal,

um super evento para quem pretende participar/visitar a Reatech deste ano: Um evento duplo com encontrinho de implantados do FIC (FÓRUM DO IMPLANTE COCLEAR) e  segundo lançamento  do livro “Desculpe, não ouvi!”, em parceria com o INIS.

DNO_Reatech

Quando? 12 de abril de 2014

Que horas? Das 14h às 18hs

Onde? Stand E20 – Rua 700

Onde mesmo? Pavilhão do Imigrantes (Rodovia dos Imigrantes Km 1,5, São Paulo – SP)

Como chegar?  Transporte Gratuito! Estação do Metrô Jabaquara. As ” Vans” sairão da Rua Nelson Fernandes, nº 400 (Em frente ao Posto de Gasolina) das 08h00 às 21h30

Por que ir? Porque é uma oportunidade de conhecer implantados e simpatizantes, porque é uma reunião gostosa de amigos, porque o livro estará a venda e poderá ser autografado com carinho.

Espero vocês lá!!!

Beijinhos sonoros,

Lak

 

Festival SESC Melhores Filmes 2014

Escrito por Lak Lobato em 02/04/2014

Compartilhando informações sobre um dos melhores festivais de cinema acessível de São Paulo Capital.

Festival “Melhores Filmes” – edição 2014 – está ainda mais imperdível

CineSESC

Local: Rua Augusta, 2075 – São Paulo, SP
Tel: 11 3087-0500
Data: de 2 a 30 de abril
Horário dos filmes: para saber o horário: Programação por Unidades
Ingressos: R$15,00 (inteira); R$7,50 (meia), R$3,00 (comerciários e portadores da carteirinha do SESC).
Passaporte para 15 filmes (venda exclusiva no CineSesc. Não é válido para o CineClubinho): R$150,00 (inteira), R$75,00 (meia), R$30,00 (comerciários e portadores da carteirinha do SESC).
Cineclubinho: grátis (retirada de ingressos uma hora antes da sessão)
Informações para o público: 3236-7400.

A edição 2014 do festival exibe 54 filmes, 28 estrangeiros e 26 nacionais, votados por crítica e público como os melhores de 2013.

Todos os filmes têm recursos de acessibilidade: audiodescrição e legenda aberta (open caption).

A sessão de abertura do festival, dia 2 de abril no CineSesc, terá a exibição, em pré-estreia, do filme ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho‘, de Daniel Ribeiro.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho

Brasil, 2014. 96 min.

Direção: Daniel Ribeiro

Elenco: Guilherme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim, Lúcia Romano, Eucir de Souza, Selma Egrei, Isabela Guasco, Victor Filgueiras, Pedro Carvalho, Guga Auricchio.

Sinopse:
O filme traz a história de Leonardo, um adolescente cego que, como qualquer garoto dessa idade, está em busca de seu lugar. Desejando ser mais independente, precisa lidar com suas limitações e a superproteção de sua mãe. Para decepção de sua inseparável melhor amiga, Giovana, ele planeja libertar-se de seu cotidiano fazendo uma viagem de intercâmbio.

Porém a chegada de Gabriel, um novo aluno na escola, desperta sentimentos até então desconhecidos em Leonardo, fazendo-o redescobrir sua maneira de ver o mundo.

Filmes do Festival

Entre os principais filmes que serão exibidos durante o Festival estão: O Som ao Redor, Azul É a Cor Mais Quente, Tatuagem, Tabu, A Bela que Dorme, Era Uma Vez em Anatólia, Educação Sentimental, Doméstica, Blue Jasmine, Um Estranho no Lago, Um Toque de Pecado, O Estranho Caso de Angélica, Amor, Django Livre, La Jaula de Oro, Caverna dos Sonhos Esquecidos 3D, Mataram meu Irmão, entre outros.

Sessão Cineclubinho

Ao longo do Festival SESC Melhores Filmes, a Sessão Cineclubinho acontecerá todos os domingos, às 11h, com a exibição de filmes para o público infantil que também foram escolhidos por público e crítica como os melhores de 2013.

Todas as sessões do CineClubinho são grátis e contarão com audiodescrição e legendagem open caption.

Audiodescrição e Legendagem Open Caption

Todas as sessões do Festival no CineSESC terão audiodescrição e legendas open caption.

Ambos os recursos incluem pessoas com deficiência visual e auditiva na fascinante experiência do cinema.

A audiodescrição consiste na descrição de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como as expressões faciais e corporais, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela. Ela é feita ao vivo por atores e acontece nos espaços entre os diálogos e nas pausas sonoras do filme. Somente os espectadores que recebem fones especiais escutam a audiodescrição, geralmente pessoas com deficiência visual ou baixa visão.

Já a legenda open caption é vista por todos os espectadores, consiste numa legenda a mais no filme, descrevendo os sons além dos diálogos. Esse recurso é importante para pessoas com deficiência auditiva.

Mais informações: Blog da Audiodescrição

Quem for de Sampa, é uma excelente pedida!

Beijinhos sonoros,

Lak

 

 

Lançamento do Livro – Como foi?

Escrito por Lak Lobato em 21/03/2014

O que dizer sobre o lançamento do livro, sobre realizar um sonho, sobre transportar um blog para as páginas impressas?

Decidi fazer diferente hoje!

Quem vai contar a história do evento será a minha amiga e leitora Cristiane Lino Maltez, que veio lá de Goiás para o lançamento do livro.

Livro com gostinho de sonho realizado

Livro com gostinho de sonho realizado

Prestigiar o lançamento do tão esperado livro “Desculpe Não Ouvi!” foi quase como cumprir uma promessa em reconhecimento e gratidão àquela que, através das informações de seu blog, resgatou o meu viver.

Entusiasmo desde a decisão em ir, euforia na procura por passagens e planejamento da viagem. Impressionei-me desde a metereologia do tempo. Contrariando a previsão de tarde e noite chuvosos, deparei-me com tempo firme de sol com céu azul e poucas nuvens claras, nunca por mim visto em tantas outras vezes que visitei a capital paulista.

Hospedei-me num hotel na mesma rua do Shopping onde foi o lançamento. Pude desfrutar a passos lentos da bela e tranqüila rua das Olimpíadas até chegar ao destino final. Entrando pelo térreo, subindo as escadas rolantes, observava os rostos das pessoas, os pertences que carregavam, procurando o livro DNO entre os transeuntes. Finalmente cheguei ao 3º piso e sempre atenta, após mais alguns passos, avistei o Le Pain Quotidien.

A cada aproximação, uma energia, uma onda sentida de maneira intensa como uma áurea de amor. Havia bastante gente. Pessoas no hall, numa fila a se perder o início e o fim, pessoas no terraço e no bistrô. Por fim eu a avistei. Ela estava lá, Lak Lobato, divina e iluminada, fazendo jus ao nome de uma deusa, sentada em uma mesa, autografando livros, acompanhada do convidado que deixava uma mensagem no seu livro de dedicatórias. Seu esposo Edu, presença incondicional, lhe dava apoio e fazia a receptividade. Ao redor, inúmeras pessoas se interagindo e muitas delas já hipnotizadas pela primeira leitura do livro.

Lágrimas imotivadas e incontidas, emoção traduzindo a grandeza do momento. Adultos, jovens, idosos, homens, mulheres, adolescentes, cadeirantes, surdos implantados, deficientes auditivos usuários de próteses, surdos usuários de libras, ouvintes, crianças sorrindo, chorando, correndo, brincando com suas pelúcias a tiracolo, comunicação alegre, famílias envolvidas, orientadas e felizes. Pessoas de diversos lugares e distâncias além de amigos, familiares e vários profissionais da saúde vivenciando essa energia única. Fatos e histórias, emoção a cada cumprimento. Olhos marejados, olhares brilhantes, sorrisos fascinantes. Emoção na frente e atrás das lentes. Encontro, registro do momento em foto, papel, memória e nos corações. Magia e amor. Ponto de união e intersecção fortalecendo as pessoas em suas diversidades. Fez-se sentir as vibrações e torcidas até mesmo dos que não puderam estar presentes fisicamente. Uma experiência de se viver e sentir. O ambiente foi planejado nos menores detalhes com total acessibilidade, ambientes integrados com excelente conforto térmico-acústico, bela arquitetura convidativa à cultura e gastronomia orgânica. Todos estavam maravilhados e envolvidos na causa, participando de uma verdadeira celebração.

Autobiografia de linguagem simples na forma de contos, com uma visão poética e sentimental da deficiência auditiva, herdando o estilo literário do memorável Monteiro Lobato. Desculpe Não Ouvi: luz sonora e inspiração, informação e orientação, ancoragem em porto seguro, divã coletivo de uma diva. O lançamento do livro foi assim: difícil de se descrever, mágico de se viver.

Depois de chorar com esse lindo email que recebi, só posso compartilhar fotos do evento, já que imagens valem mais que mil palavras

Quem tiver Facebook,consegue ver mais 400 fotos no album da página do blog, clicando aqui.

Beijinhos sonoros,
Lak

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