Buscando apoio para quem usa implante coclear

Quando você perde a audição ou descobre a perda auditiva de um filho, como muitas pessoas descrevem, é uma sensação de ter o chão se abrindo sob seus pés e você cair num buraco de emoções, de medos, de sentimentos conturbados, que muitas vezes parece um pesadelo interminável. Esse é um dos momentos mais sensíveis que uma pessoa pode viver: deparar-se diante de uma limitação sensorial (ou física, porque vale para qualquer deficiência).

Essa sensação de pânico acontece porque a sociedade não prepara ninguém para conviver com uma deficiência. Muito pelo contrário, os livros, filmes e novelas, as peças de teatro, as histórias que o povo conta, tudo mostra uma realidade bem ruim da deficiência: um castigo para quem fez maldade. O final trágico de uma história errada. E variações dessa mentalidade. Aí, quando acontece na sua vida, a primeira reação que temos é: o que eu fiz de errado para merecer isso?

Ter deficiência nenhuma é gostoso. O mundo foi feito para ser apreciado com todos os sentidos e movimentos do corpo. Porém, é possível aprender a conviver com as limitações. O que é difícil mesmo é aprender a lidar com uma sociedade preconceituosa e eternamente despreparada, que acha que “as pessoas não vão saber lidar” enquanto ficam aguardando uma mudança dos outros que não acontece nunca, porque mudanças vem de dentro.

Por essas coisas que é tão, tão, tão importante que pessoas com deficiência e seus familiares tenham uma rede de apoio. No caso da deficiência auditiva especificamente – falando dela, porque é o foco do DNO – algumas sugestões de onde buscar essa ajuda.

  • Primeiro de tudo: navegar no Google é importante. Buscar sites, blogs e grupos online de surdos e ensurdecidos, de usuários de implante coclear, implante de condução óssea, de aparelhos de amplificação sonora, de líbras e o que mais você quiser incluir na sua vida. Essa busca leva muita gente a informações, mas também a pessoas que já estão trilhando esse caminho há bastante tempo.
  • Outra sugestão: entre em grupos de redes sociais destinados à temática. No Facebook, por exemplo, eu tenho dois grupos Implante Coclear e Comunidade dos Surdos Oralizados. E faço parte de mais uma meia dúzia de grupos bacanas com essa temática.
  • Grupos do WhatsApp são bem bacanas no momento, para quem gosta de uma interação dinâmica e imediata. Há centenas de milhares e basta você conversar com qualquer outra pessoa sobre isso, que ela vai te adicionar ou sugerir grupos.
  • Para quem gosta de interação real: participe de encontros de implantados. Mesmo que você não seja implantado, seja apenas candidato. Ou apenas seja surdo oralizado. Todos são bem vindos! E terão oportunidade de conversar com gente que vive uma história parecida. Há encontros por todo o Brasil. E se na sua cidade (ou região) não tiver, pense na possibilidade de você ser um organizador desses eventos.
  • Busque semelhantes: se você é implantado adulto, converse com outros implantados adultos. Se é mãe/pai de implantado ou candidato, converse com outras(os) mães e pais. Alguém que viveu uma história parecida com a sua, terá mais empatia por você que qualquer outro ser humano.
  • Faça terapia! Em grupo ou individual, cuide da sua psiquê! Se ter uma deficiência é algo que te faz sentir triste ou magoado, a terapia é a melhor fora de tratar essa ferida emocional. Não pense que terapia é coisa de gente louca. Terapia é coisa de gente sensata, que busca resolver os problemas da vida, em vez de ficar remoendo mágoa.
  • Cuide da sua alma. Se você tem uma religião ou acredita em Deus, invista nesse sentido. Converse com Deus, ore por compreensão, busque o próprio perdão! A terapia de espírito (como eu gosto de me referir ao momentos mais devotos da minha vida) é um elo importante nessa corrente de auto-aceitação e auto-(re)descoberta.
  • Faça amigos também, não apenas crie laços de apoio. Amizade leve, que fala bobagem, que rende um bom café ou um bom churrasco de final de semana, que foge do tema da surdez, também é importante nesse processo todo!

Ninguém escolheria viver essa vida se pudesse, tenho certeza. Mas depois que as cartas são dadas, existem duas escolhas: ou você fica sofrendo porque não gostou do que a vida escolheu para você ou aceita as cartas e joga o jogo! Mas, é sempre mais fácil jogar quando você se inteira no assunto, estuda as regras e dá um drible de mestre na vida!

Encerro o texto com uma frase que um amigo me disse, logo antes de eu implantar o primeiro lado e foi o meu mantra desde esse dia:

E quando tudo mais faltar, um segredo. O de buscar em si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.

– Mahatma Gandhi

Mas lembre-se que qualquer caminhada fica mais leve em boa companhia!

Beijinhos sonoros

Lak Lobato

1 palpite

  1. Greize disse:

    Amei o texto tão Honesto e de uma sensibilidade ímpar. 😉 😡 😀