Crescendo com o Implante Coclear

Muita gente fala que deveriam esperar a criança crescer, para ela escolher por si mesma pelo implante coclear. Não dá, porque o período crítico de desenvolvimento do cortex auditivo (a parte do cérebro que decodifica as informações sonoras percebidas) se dá até uma determinada idade. A parte daí, o desenvolvimento de alguém com surdez profunda de nascença que passa a usar o IC diminui bastante. Portanto, quando existe quadro favorável e indicação, o IC precisa ser feito tão cedo quanto possível.

Mas aí as crianças crescem com IC, como será que elas se sentem?

Quem vai responder essa pergunta é meu amigo Alexandre Batalha, usuário bilateral, que topou dar entrevista para o DNO.

Alexandre BatalhaMeu nome é Francisco Alexandre, mas muitos me conhecem como Alexandre Batalha. Meus amigos na escola me chamam de “Alê” e na família me chamam de “Batalhinha” por causa do meu sobrenome.

Tenho 9 anos de idade, moro agora em Florianópolis e estou no 5º ano do ensino fundamental.

  • Como foi crescer com o IC? Você foi implantado ainda bebê, né? Não deve se lembrar da cirurgia. Mas se lembra como era quando você era pequenininho? Como era sua relação com o aparelho?

Realmente não lembro da primeira cirurgia, era um bebê. Mas a minha vida com o implante coclear sempre foi muito natural, gosto de ouvir, o implante coclear faz parte de mim, cresci com ele.

  • Você estuda com outras crianças que tem IC? E isso é bom ou ruim?

Não, na minha nova escola não há nenhum usuário de implante coclear.

E para mim é tudo normal ter ou não outro usuário de IC. Quando era menor, no ensino infantil tinham outras crianças na minha turma que usavam.

  • Você tem amigos que não tem o IC? Como eles agem em relação a isso? Você tem que explicar pra eles sobre o IC?

Sim, tenho muitos amigos! Eles agem normalmente comigo. Às vezes tenho que explicar sobre o porquê “aquilo” na minha cabeça, risos, principalmente quando os conheço. Mas eu falo tudo do IC, pois meus pais me ensinaram a agir assim desde muito pequeno.

  • Como foi fazer o bilateral? Você se lembra de quando isso aconteceu?

No início fiquei um pouco com medo quando surgiu a oportunidade de fazer a cirurgia, mas meus pais conversaram comigo sobre a cirurgia, sobre o pós e como seria e como não seria a ativação, isso foi muito importante, me deixou seguro e quis logo fazer o BI, pois os meus pais assistiram a minha primeira cirurgia, então me contaram tudo como foi, e perdi o medo. A minha cirurgia do implante coclear bilateral foi no dia 03 de setembro de 2013 à tarde, e eu que passei tranquilidade para os meus pais.

  • Você percebe diferença de estar com um aparelho só e com os dois? Como explicaria essa diferença?

Sim, percebo. Ficar com um aparelho, reduz o som! E com os dois o som aumenta e fica bem melhor.

O implante bilateral tem sido muito bom, pois faço menos esforço para ouvir e consigo ouvir sons que antes só com um aparelho não sabia o que era e nem de onde vinham.

  • Quais as coisas que você mais gosta de fazer? Conte um pouquinho sobre sua vida…

Adoro brincar de pokémon, lego, jogos eletrônicos, skate e agora adorando surfar, estou aprendendo! E gosto muito de ler e assistir séries de televisão, como The Walking Dead, por exemplo. Sou fã!!!

Sou amazonense, mas mudei em 2009 para Bauru devido à habilitação auditiva, onde morei por quase sete anos e mudei recentemente para Florianópolis.

  • E o que você quer ser quando crescer?

Antes eu queria ser astronauta, mas assisti uma reportagem no Jornal que falava de uma nave que explodia com todos os astronautas a bordo, logo desisti da ideia, risos. E agora quero ser engenheiro eletrônico.

  • O que você diria para seus pais, hoje em dia, por eles terem escolhido o IC pra você?

Muito obrigado por escolherem esse caminho por mim, pela oportunidade que me deram para ouvir os sons da vida e poder interagir com tudo que eu gosto de fazer e por vocês também poderem me ouvir, pois sei que sempre foi um sonho de vocês desde que eu nasci.

*

Lak muito obrigado é um prazer escrever para você!

Abraços,

Alexandre Batalha.

Num é um lindo?

Beijinhos sonoros

Lak

36 palpites

  1. Lindo demais! Deborah Batalha, sempre aprendi muito com você! Jojô está seguindo esse caminho, de lidar com a deficiência e com os aparelhos com a maior naturalidade do mundo… Isso é o melhor que podemos ensinar a eles!
    Alê, você pode tudo! Até ser astronauta se quiser… Mas se for viajar ao espaço leve aparelhos extras de back-up, porque vai ficar difícil ter assistência técnica! Rsrsrs.
    😘

  2. Lina Meira Lina Meira disse:

    Lindo o Alexandre!!
    Inspiração pra nós que estamos começando nesse caminho
    Parabéns Deborah Batalha!!

  3. Quero conhecer pessoalmente ! Amei da historia!

  4. Coisa mais linda, gente!!!! 😍😍😍😍
    Mais uma inspiração para o nosso Dandan!!!!
    Eu acho que nas minhas primeiras pesquisas sobre o IC vi alguns vídeos do Ale, que bom conhecer a história agora.

  5. Camila Sátiro Praxedes disse:

    Que lindo!!!! Parabéns!!!

  6. Jony Passarelo disse:

    Parabéns Alexandre!
    Mto bacana a sua história.
    Vc é um menino esperto, inteligente, e, certamente, o IC está contribuindo para que tenha um desenvolvimento normal, como o de qualquer outra criança da sua idade. E isso é mto bom !
    Sonhe alto, menino !…e saíba que os seus sonhos podem ser realizados.
    Acredite nisso e vá a luta !
    Um forte abraço !

  7. Como não se emocionar ❤. Parabéns Deborah Batalha!

  8. Daniele Merotto, Marta Ferreira, Valeria Krawczyk, Luiz Matos, Angela Chociai, Flavia Antunes Machado, Cris Vaz 😍😘

  9. Adorei vou fazer o Kauan ler !!! Acredito q vai ser um incentivo a mais a TDs as crianças!!

  10. Ale um exemplo para nós. Parabéns Deborah Batalha

  11. Felipe Simões Maridinei Gennaro Irineu Gennaro Vera Lucia Coelho Simões Marcos Ferreira Simões

  12. Lak Lobato gostei muito da entrevista! Obrigado a todos. Mariana Candal é verdade tem a questão do backup, risos. Abraços

  13. Raul Sinedino Raul Sinedino disse:

    Que show essa entrevista, não tinha visto. Tem que entrevistar pessoalmente, Láktima!

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