Pelo respeito ao Teste da Orelhinha

Aqui, querendo debater…

Pessoalmente, eu não tenho nada contra o povo surdo se vender como cultura, porque existe cultura skatista, cultura emo, cultura geek (não sei se no sentido antropológico do termo, mas no sentido popular do emprego ao termo CULTURA), mas enfim… E, alias, se também quiserem se comparar aos índios, negros, aborígenes ou qualquer outro povo do universo,  tranquilo.

Levando em conta que o Brasil tem 270 línguas (li alguém alegar isso, mas não confirmo, porque não estou nem um pouco afim de vagar em busca de evidências sobre o tema), embora só tenha UM idioma oficial, o português (inclusive é um dos pontos fortes do Brasil, visto sobre o ponto de vista empresarial) que faz as empresas multinacionais se animarem de vir pra cá, uma vez que apenas um idioma terá que ser ensinado aos funcionários e apenas um idioma é escrito na maioria dos produtos (salvo aqueles que seguem a regra do Mercosul e incluem o espanhol). Se os nativos das outras 269 linguas não tem direito a privilegiá-la ao português, pode até ser visto como algo meio desrespeitoso os surdos terem, mas ainda assim, tô nem ai. De repente, não batalharam pra ter a emancipação do seu idioma e, quem sabe futuramente, sigam o exemplo da Cultura Surda e o Brasil se torne como a Índia, com 2 idiomas oficiais administrativos, 23 idiomas  federais oficiais, 200 Línguas reconhecidas e mais de 2000 dialetos e o povo se comunique mesmo em hindi e num inglês macarrônico que serviu para dominarem o mercado de telemarketing dos EUA (sem ofensas, porque acho isso sensacional!).

O que pega é aceitarem essa apologia de ódio aos ouvintes e a quem compactua com a oralização. Sairem pregando que a oralização é uma tortura a que crianças são submetidas. Saírem ridicularizando a voz dos surdos oralizados. Saírem pregando contra o Implante Coclear e quererem barrar o teste da orelhinha (se alguém duvida, eu posto link de vídeos falando mal desse exame!). Saírem dizendo que todos os deficientes auditivos que não se submetem à supremacia da Cultura Surda são infelizes e não sabem. Ao ponto que são chamados de suicidas em potencial e precisam ser salvos de si mesmos. Precisam reconhecer que só existe uma verdade absoluta: só a cultura surda funciona como estilo de vida. Que só existe um caminho para a felicidade suprema. Que quem não quer aprender LIBRAS está sendo preconceituoso e blablablabla sem fim, exigindo-se aqui um respeito em via de mão única. Acho absurdo que seja permitido que, para se autoafirmar e se firmar como modo de vida aceitável, queriam exterminar quem pensa diferentes. Querer se vender como cultura, ok. Querer provar pra Deus e o mundo que são felizes assim, perfeitamente. Querem alterar a constituição pra LIBRAS virar idioma oficial junto com a língua portuguesa, tô nem aí, não opino. Mas, acho inaceitável que seja permitido que preguem o preconceito, a intolerância e o ódio com a calma que fazem. Atacarem blogs por falta de interpretação correta de texto. Mandarem email xingando mães que optam pela oralização e dizerem que é melhor pra criança surda ser morta do que oralizada! Isso sim, deveria ser passível de processo na justiça!

Pior ainda são ouvintes que compactuam com essa mentalidade e ficarem atormentando os surdos oralizados, ridicularizando a voz deles (li aqui alguém escrever que a voz dos oralizados não é, pasmem, HUMANA!), dizer que foram condicionados a pensar como pensam, simplesmente porque se acham no direito de saber sobre o outro mais que ele mesmo.
Num mundo que não existe apenas uma religião, uma filosofia de vida, uma única regra de dieta alimentar, um único time de futebol, vão exigir que todo e qualquer deficiente auditivo se comporte do jeito que dita e determina a cultura surda?

Respeito é via de mão dupla. Defendam o lado de vocês, MAS PAREM DE ATACAR QUEM NÃO QUER VIVER ISSO! PAREM DE EXIGIR QUE ESSE SEJA O ÚNICO CAMINHO ACEITÁVEL! PAREM DE IMPOR QUE SURDOS ORALIZADOS TEM QUE ENXERGAR QUE SÃO INFELIZES!
Uma coisa é você achar que está no caminho certo. Outra é achar que é o único caminho! Até segunda ordem, o Brasil é um país onde a liberdade de escolha é respeitada, portanto, não lhes cabe o direito de cercear essa liberdade.

EU E MEU BLOG DIZEMOS SIM A ORALIZAÇÃO! SIM AO PORTUGUÊS COMO PRIMEIRO IDIOMA! SIM AO USO DA PRÓTESE AUDITIVA, DO IMPLANTE COCLEAR, DO IMPLANTE BAHA e qualquer outra tecnologia que nos permita ouvir artificialmente! SIM AO TESTE DA ORELHINHA! E, SOBRE TUDO, SIM A LIBERDADE DE PODER ESCOLHER ESSA CORRENTE DE PENSAMENTO!

Não interessa se somos minoria, se somos apenas 20% da população surda (a base dessa porcentagem estatística? Comentários dos próprios defensores da comunidade surda), ainda temos o direito de existir. Deficientes auditivos representam apenas 3% da população brasileira e estão exigindo emancipação como cultura e do idioma, não é mesmo? Então, que aceitem a existência desses 20% oralizado tal qual querem que 97% da população ouvinte os aceitem.

Quem quiser pensar e agir diferente, tem o mesmo direito que eu. Mas, em momento algum, tem direito de me atacar por pensar como penso!

beijinhos sonoros,

Lak

p.s. E aos ouvintes que compactuam com a cultura surda e se acham no direito de ridicularizar a voz do surdo oralizado, fiquem ciente que não importa que a nossa voz soe como o grasnado de uma avestruz ou um zunido de besouro, se um deficiente auditivo consegue se fazer entender perfeitamente com a voz oral, ele tem todo o direito de usá-la! E vocês não tem o direito de ridicularizá-los por isso, tentando usar da vergonha para justificar que deveriam abraçar tão e somente a língua de sinais! Vocês podem ter vozes bonitas e sonoras, mas as palavras amargas que proferem torna vocês os verdadeiros monstros!

E um vídeo que considero altamente inspirador quando se fala em acabar com o ódio:

45 palpites

  1. http://super.abril.com.br/superarquivo/2007/conteudo_519768.shtml

    Erraram o número de línguas por aproximadamente 100. E eu concordo com você, respeito é uma vida de mão dupla, e eu fiquei horrorizada quando vi (não lembro quem foi) uma mãe falando que surdos desejaram que a filha dela morresse só por ser oralizada. Isso é ignorancia PURA.

  2. Alex Martins disse:

    Realmente é preciso respeitar a liberdade de todos, quando eu passo a incomodar os direitos do outro meus direitos começam a perder a validade

  3. José Petrola disse:

    Acho estranho isso de falar em cultura surda. Primeiro, o que é cultura? Segundo, se “cultura surda” for uma cultura como as centenas de culturas indígenas que existem no Brasil, isto não significa que seja uma cultura intocável e que o sujeito “perde” ao ser oralizado. Ninguém se torna menos brasileiro por aprender inglês, espanhol, mandarim, etc. Libras e português não são auto-excludentes. E francamente, esses rótulos que se colocam sobre os oralizados… eu não tenho depressão, nunca pensei em me matar e nunca tive vergonha de ser surdo, e conheço muitos oralizados que pensam do mesmo jeito!

    • laklobato disse:

      Nem vou entrar nesse mérito, José. Se quiserem se entitular Cultura, beleza! Mas daí começarem a tentar negar a nossa existência e falarem atrocidades ao nosso respeito, é um pouco demais.
      Beijos

  4. Ana Miranda disse:

    Perfeito! Nao abro mao de ouvir meu filho de 2A e 4M me chamar de mae, vou sim dar essa opcao a ele, se futuramente ele nao quiser mais o IC, nao havera problemas, sera uma opcao dele, mas hoje vale o que eu quero e luto, afinal eu sou responavel por ele… Lak ele ja’ opera na sexta feira na beneficencia portuguesa. Somos de Manaus e estamos em SP ja’ inclusive ele foi avaliado pela dra. Valeria, gente boa demais e segundo informacoes vai participar da cirugia… Bjos!!!

    • laklobato disse:

      Você tem todo o direito de passar pra ele aquilo que você acredita. E ele, quando tiver idade para tal, questionar ou recusar.
      Não existe formula mágica, não existe verdade absoluta. Mas, é preciso, sobretudo haver respeito pela escolha que for! De ambos os lados para ambos os lados.
      Beijos

  5. Eu acho que se sentem inferiores e então querem obrigar as pessoas a ser como eles para não ficarem sozinhos… É como aquele estudante que passou o final de semana inteiro na balada, tem prova na segunda-feira e daí deseja que todo mundo vá mal nesta prova, assim ele não se dá mal sozinho… RIDÍCULOS!
    Aliás, eu os chamo de SURDOS NAZISTAS, desde que fui atacada ferozmente por oralizar minha filha. Tenho guardadinhos aqui inúmeros emails me xingando com os palavrões mais chulos que existem, além do cúmulo de dizer que era melhor que minha filha fosse morta a ter sido oralizada… PASMEM!!! Isso é o cúmulo da ignorância!
    Um dia ela mesma vai responder estes emails… Tenho certeza que responderá a altura de sua inteligência, experiência e singularidade.
    Graças a Deus, minha filha é 100% oralizada, tem saúde, não morreu, não perdeu nenhuma perna, pé, mão, olho nem é traumatizada pelo oralismo…
    Tem 7 anos recém completados e escreve muito bem já…
    Ensino-a a não discriminar ninguém, a tratar todos com igualdade e a respeitar as opiniões e escolhas das pessoas. É apaixonada por música, por som, por falar, cantar e faz “propaganda” do oralismo onde quer que vá…
    Bem, aqui em casa é ensinado diariamente o quanto é importante respeitarmos as diferenças e tenho certeza que ela faz parte de uma nova geração, uma geração que não vai ver diferença entre um surdo oralizado, sinalizado, um autista e um deficiente físico…Cada um com suas diferenças mas todos seres humanos!

    • laklobato disse:

      Respeito não é e jamais será algo condicional e exigível por um lado só. Respeito é algo gratuito e que funciona para ambos os lados de qualquer situação. Não tem porque ser diferente nessa.
      Atesto que a Amy fala melhor que muita criança OUVINTE que conheço. Seu trabalho com ela é magnífico!
      Beijos

  6. Bruno disse:

    Completamente apoiada Lak!!!

  7. Cássia disse:

    Lak,

    Penso que é incômodo para quem utiliza a lingua de sinais estar apartado da maioria dos ouvintes e que incomoda saber que existe a possibilidade de fazer parte, mas que para isso é necessário muito esforço, disciplina e talvez até alguma habilidade que eles não possuem ou que não estão dispostos a desenvolver. Esse medo e até como uma forma de justificar a sua condição, é lançado esses preconceitos sobre quem OUSA desafiar e procura superar sua deficiência.
    Quanto aos ouvintes, infelizmente pessoas “boas” e “más”, preconceituosas ou não, existem em qualquer raça ou condição física, tem muitos surdos oralizados, que tem preconceito com outras deficiências, mas como diz o comercial da coca-cola, os bons são a maioria!

    • laklobato disse:

      Prefiro não julgar quem usa a LIBRAS, é um direito que os assiste. Só não quero que me privem do direito de escolha e de opinião quanto ao que quer que seja.
      Sobre a maldade de ouvintes, é que radicalismo pega pesado mesmo! Beijos

  8. Parabéns pelas colocações, Lak. Acho que você aborda a questão fundamental: respeito. Para que eu lute por uma causa, jamais tenho o direito de diminuir, ferir, desmerecer, desqualificar ou ofender quem pensa diferente. Chega a ser infantil (por um lado) e perigoso (por outro). Fundamentalismo, não, né? A ridicularização dos oralizados é frequente e isso me deixa horrorizada. Uma vez, uma pessoa estava difundindo na internet um vídeo mostrando barbaridades do IC (o implantado precisando de um bombril para o equipamento funcionar, tomando choque ao mergulhar na piscina ou ao passar no detector de metais). Ridículo era o vídeo. Mas com certeza serve para difundir o preconceito e uma verdadeira LAVAGEM CEREBRAL na maioria dos surdos que vivem a tal “cultura surda” (entre aspas, mesmo). Que optem pela cultura surda, amarela, com bolinhas… mas respeitem as pessoas e seus saberes. Respeitem o diverso. A pena, para a ação contrária, é o total descrédito. Beijos sonoros para você tb!

    • laklobato disse:

      Eu vi esse vídeo. Engraçado que se fizéssemos um video ridicularizando a língua de sinais, cairiam matando. Agora, existe video de tudo que é jeito ridicularizando a oralização e o implante, até ataques a vídeos de bebês implantados já vi. Isso pode por quê?
      Beijocas

  9. Deni disse:

    Na real fiquei chocada com os comentários de umas mães ouvintes no blog da Paula, quando ela abordou o assunto. Não quero bater na mesma tecla novamente, pois concordo com tudo o que a Lak e a Paula expuseram.
    Só que cansa sabe, cansa ter de explicar que 1 é diferente de 2 para quem não quer entender, e pior, ouvintes, ouvintes falarem do que não sabem, falarem de necessidades que eles não precisam, se acharem no direito de interferirem na escolha que um surdo faz para a sua vida, não importa se oralizado ou sinalizado, AASI ou IC, o que eles sabem disso??? Eles não estão na nossa pele para saberem o que é melhor para nós, somente as nossas experiências ao longo da vida vai nos mostrando do que precisamos, o que temos de adaptar do mundo do ouvinte para a nossa qualidade de vida.
    E para aqueles que ficam “berrando” debater se a educação deve ser oralizada, sinalizada ou bilíngue, lembrem-se que a primeira educação de uma criança se faz em casa, a escola é coadjuvante da família no processo educacional de uma criança (seja surda ou ouvintes); portanto aos pais que optam pela oralização eles tem de fazer a parte deles em casa e não cobrar tudo da escola, assim como os pais que optam pela sinalização não podem jogar a responsabilidade para a escola; em ambas as escolhas eles terão de lembrar que em casa terão de estar junto na educação de seu filho surdo.
    Para encerrar, lembro que nós vivemos em um país regido pela democracia e liberdade de escolha. Se a evolução tecnológica e médica possibilita melhorar a qualidade de vida das pessoas, por que deveria ser diferente com os surdos? Dada a liberdade de escolher, consequentemente o respeito deve vir junto.
    Ah! Para aqueles que disseram que surdos oralizados são infelizes e potenciais suicidas, só um lembrete: isso não é privilégio de quem tem uma deficiência, mas milhões de pessoas “normais” estão deprimidas e são potenciais suicidas e se encontram espalhadas pelos quatro cantos do mundo!

    Bjos, Lak!
    Deni

  10. Rodrigo Nunes disse:

    Lak, repito aqui um comentário que postei no blog da Paula (Crônicas), sobre um vídeo em que o Teste da Orelhinha é colocado em dúvida por “ser prejudicial à existência de Libras e da Cultura Surda”:

    “Não vou comentar sobre a opinião dos outros. Só digo que não compactuo com o vídeo e espero não ser jogado em Auschwitz, Guantánamo ou Alcatraz por pensar assim.

    Como tu sabes, eu tenho perda auditiva bilateral profunda, logo eu sou [escreva aqui a minha condição física, ao seu gosto, cor, sabor e religião ou sua sua classificação preferida]. Sem meu aparelho auditivo, não escuto NADA.

    Enquanto eu viver e existir tecnologia para OUVIR, vou usufruí-la plenamente. E digo mais: tenho uma preocupação constante para/com meus (futuros) filhos. Minha opção, como responsável por eles, será a de dar a eles a chance de ouvir. Minha preocupação ainda é saber se EU ouvirei eles. Quero muito ouvir eles me chamarem, seja através de um choro ou proferindo palavras.

    O dia que eles tiverem condições de pensar por si só e optar por outro tipo de comunicação, bem… aí é com eles. Mas enquanto pai, enquanto responsável pela saúde deles, a decisão é minha.

    Eu sou totalmente a favor do teste, dos avanços da medicina e do uso de tecnologias como melhoria de qualidade de vida.”

    Abraço,
    Kit Kat

    • laklobato disse:

      Concordo em gênero, número e grau. Se podemos escolher a forma de alimentação, a religião, as regras diárias, por que o tipo de educação que damos aos nossos filhos nos seria negado, só por serem ‘membros em potencial’ da comunidade surda? Casos de fracasso do oralismo? Existe inumeros casos de sucesso tb. Por que eles não poderiam servir de exemplo?
      Beijos

  11. Greize disse:

    Nossa fiquei abismada com o que vi esse final de semana, foi a 1a vez que fui pesquisar os ataques, são constantes… 😥

    Deus não se agrada disso,a surdez esta ai, assim como várias deficiências nesse mundo.Deus capacita as pessoas e da sabedoria para o ser humano lidar com cada uma, no caso a LIBRAS, a Oralização para quem consegue, o IC para quem pode.Tdo isso foi permito por ElE, foram ferramentas para se comunicar. Mas o maior ensinamento de Deus foi Amar uns aos outros, nisso entra o respeito ao ser humano,respeitando a escolha de cda um.Bjos

    “Aprendi a respeitar as idéias alheias, a deter-me diante do segredo de cada consciência, a compreender antes de discutir, a discutir antes de condenar.” (Norberto Bobbio)

  12. Daniela disse:

    Que triste mundo é esse onde pais são ofendidos por quererem o q consideram – o melhor – para os seus filhos, por tentarem oportunizar q eles tenham um leque de opções no futuro. fiquei chocada!!!! Gostei demais do texto Lak, muito bem escrito…meu filho é surdo, está sendo oralizado e usa IC, e tenho orgulho de dizer q tento dar a ele TODAS as oportunidades…beijos

    • laklobato disse:

      Eu acredito, de verdade, que enquanto houver liberdade de escolher a religião, a alimentação, as regras cotidianas da criação de uma criança, o direito a escolha do caminho educacional é inalienável à família. Do contrário, este país deixa de ser uma democracia. Quando for o momento, seu filho irá questionar suas escolhas para com ele e fazer as próprias escolhas. Mas, até lá, é direito seu e de qualquer pai e mãe, optar por aquilo que acredita ser melhor para a própria prole!
      E eu participo ativamente para que este direito lhe seja garantido!
      Grande beijo

  13. Marcia disse:

    Lak,
    Ja que vc esta falando disso, eu gostaria de perguntar sua opiniao.
    Ha um tempo atras, vi uma noticia que pais surdos teriam feito inseminacao artificial e selecionado o embriao surdo para ser implantado, pois eles queriam ter um filho surdo como eles.
    Na materia, eles alegavam que escolher o que não nasceria surdo é uma forma de discriminação.
    Não sei muito o que pensar, claro que sempre que se fala sobre manipulação genética vem o fantasma da eugenia e nem gostaria de tocar nisso.
    Porém, que direito tem os pais de deliberadamente privar seu filho de ouvir? Será que não é preconceito também? Não sei.

    • laklobato disse:

      Eu me lembro desse caso e fui bastante perguntada a respeito.
      Mas, a liberdade de escolha tem que valer pros dois lados. Se existe direito querer um filho que ouça, ainda que artificialmente, por que não pode haver o desejo de um filho surdo, para quem acha que surdos são uma raça especial da humanidade?
      Imaginar nascer surda e ser privada do som por conta de desejo materno, me parece monstruoso, segundo os MEUS conceitos do que é uma vida vivida plenamente. Mas, muitas outras coisas que me são monstruosas – por exemplo, religiões que restringem milhares de coisas – são respeitadas, como decidir que não posso respeitar isso.
      O que lembro desse casal – eram lésbicas que recorreram à inseminação e só aceitaram doação de surdos com surdez genética – era que elas não queriam um filho ouvinte, porque queriam um filho que vivesse na comunidade que elas viviam. A deficiência programada parece repulsiva para quem acha que a ausência dela é o modo de vida adequado. Mas, admito que só vejo diferença nisso de algumas religiões, porque nas religiões, existe uma escolha, ainda que teórica. Mas, nem sempre existe essa escolha na prática.
      Enfim, eu não me sinto em condições de opinar, de verdade!
      Beijinhos

  14. Miriam disse:

    Leio tudo, raramente opino, mas não posso deixar de te dar SONOROS parabéns pelo artigo, brilhante e perfeito.

  15. Carlos disse:

    Concordo plenamente, Lak!!! Tem que respeito e valor!!! Tem que escolha pra liberadade!!!!

  16. Renata disse:

    Oi Lak,
    Realmente, a ignorância é nosso maior algos.
    Importante é expor o que se pensa e acredito que você seja porta voz de inumeras pessoas, deficientes ou não, mas que possuem em comum o bom senso e inteligência para fazer desse mundo um lugar mais habitável…
    E para essa minoria mesquinha (seja ela surda ou ouvinte) , como já dizia Cazuza, “Vamos pedir piedade”!!!

    • laklobato disse:

      Eu sou é contra a ignorância e a falta de respeito. De resto, que cada um busque aquilo que acredita!
      Grande beijo e obrigada por citar Cazuza! Adoro muita coisa que ele disse!

  17. Gabi VA disse:

    Sinceramente Lak, fiquei sabendo essa semana essa atrocidade contra surdos oralizados, eu sofro com isso até hoje, sempre que um grupo da comunidade surda sinalizada me aborda em lugares públicos. Se as coisas estão tomando esse rumo, o jeito é criar uma organização não governamental pra lutar por nossos direitos! Eu jurava que sofreria preconceito com os mais próximos, mas não, são com os surdos sinalizados e com os ouvintes simpatizantes desse movimento.

  18. Diana disse:

    Concordo em gênero, número, grau e complexidade com tudo o q foi dito aqui… E que milagre q ainda não apareceu nenhum sinalizado nazista, pra citar a Shê, aqui pra xingar ninguém… Lak, vc tá excluindo os posts indesejados, ou eles ainda não leram isto aqui????? Orgulho de ser oralizada, orgulho de ser implantada bilateral, orgulho de ouvir e falar… E ainda sem sotaque… Nem precisava… Adoro o sotaque dos meus amigos surdos oralizados pq com sotaque ou sem sotaque, eles têm autonomia e se expressam por si mesmos, sem necessidade de babá, mas só pra irritar um pouquinho mais os nazistas, eu ainda falo sem sotaque e pra arrematar, não tenho NENHUMA tendência suicida… Pelo menos não nesta encarnação atual… Na anterior q me fez nascer surda agora, pode até ter sido…

  19. Paula Pfeifer disse:

    Lak, sua linda!!

    O primeiro comment que li no Cronicas hoje de manhã foi o de uma surda bilíngue com português perfeito dizendo pela segunda ( ou décima ) vez: “Você NÃO É SURDA!”.

    Ai, que ladainha.
    Os sinalizados pensam que vão ‘mais surdos’ do que nós. Que isso, gente?? Quando eu tiro meus AASI não escuto NADA, sou menos surda que alguém? Ah, vá!

    Querem vender pro mundo o mesmo lerolero de sempre, de que
    surdo=LIBRAS
    surdo= “Ser Surdo”, “Comunidade Surda”
    podem continuar tentando, estão mais do que no seu direito, mas não vão mais calar a nossa voz.
    O bom é que o governo também abriu os olhos, já não era sem tempo. Li alguns ataques à uma sra. chamada Martinha, do MEC, e, pra variar, fiquei chocada (isso, no Facebook, onde sinalizados diziam que iam ‘enfiá-la na cadeia”, com toda a ‘delicadeza’).

    Pra mim a maior hipocrisia de todas é que, depois de virem nos atacar (sejam Seres Surdos, simpatizantes da causa, fanáticos, pais, etc) eles vêm com aquele papo de que ‘lutam pelos direitos de todos’. Ah, claro! Quando foi que alguma ‘liderança surda’ nos chamou pra participar de reuniões com Anatel e outros órgãos que tratam de nossa acessibilidade? Por causa da grande ajuda deles (em fingir que não existimos, já que aos seus olhos nem surdos somos) é que temos que aturar bancos e seus ‘telefones especiais para surdos’ (vulgo TDD inútil) até hoje.

    Lamentamos, mas os surdos oralizados finalmente resolveram se mobilizar.

    Beijos, Lak!

  20. Maíra Bonna Lenzi disse:

    Só fazendo uma correção do que a Dief falou: são mais de 100 sim, pq só de língua indígena está em torno de 180.

  21. Rogério disse:

    Ao longo do tempo venho notando a existência de um sectarismo que não compreendo. Acho a Libras uma forma de expressão interessante e bonita, assim como admiro a capacidade de comunicação dos surdos oralizados. Não compreendo os sinais da Libras, mas acho uma delícia conversar com você e outros surdos oralizados, e uma coisa que me encanta. Não sabia que a galera sinalizada tinha partido para o ataque (vou procurar os videos), e acho isso uma demonstração extrema de burrice. A expressão ‘cultura surda’ me parece descabida. Do ponto de vista antropológico, cultura é o conjunto de aspectos sociais, artísticos e religiosos que caracterizam um povo, como música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc. Como definir, então, a tal cultura surda? Pela Libras? Pela intolerância a quem procura os avanços tecnológicos em busca de uma melhor qualidade de vida? Quem não respeita as diferenças é preconceituoso, e me parece que é o caso.

  22. Diogo disse:

    Cara Lak,

    Acho que tenho uma dívida contigo (já que você postou um comentário no meu blog).

    Por mais que eu tenha entendido claramente a respeito da importância do multiculturalismo, o seu texto é magnífico, guria. Isso deixa claro que as pessoas deveriam respeitar a quem tem a liberdade de escolha.

    O problema é que a maioria não lê muito livro, ou seja, lê os livros quando é ‘forçado’ a entender somente em relação à cultura surda. Isso torna mais ainda a gente alienado. Como dizia Ernest Hemingway, a leitura resolve o problema da miopia cultural.

    Quando se pode escolher o que quer, aí é o desejo genuíno. Para mim, ter formação crítica ajuda muito no processo da vida assim como a própria Lak que expõe o que pensa sabe valorizar o seu ser.

    Menina, tenho o orgulho de te considerar uma amiga. 🙂

    Um forte abraço sulista,
    Diogo Madeira

  23. maria helena disse:

    LAK

    Minha querida, sem palavras
    Como sempre você é D+
    Mete o dedo bem fundo nas feridas “PRECONCEITO”

    Eu e a Cris te amamos……..

    Jamais deixe sua voz se calar

    • laklobato disse:

      Obrigada, Helena! Não posso ficar calada diante da falta de respeito ao próximo, seja ele quem for! Direito de escolha é válido para todos, não só para quem concorda com você.
      Beijoca