Espaço do Leitor: a história de Marta, surda oralizada italiana

Outro dia, uma moça comentou aqui no DNO e contou que era surda oralizada e morava na Itália.

Obviamente, não resisti entrar em contato com ela e pedi para ela contar como é a situação dos deficientes auditivos por aquelas bandas. Não sei vocês, mas sempre fico interessadíssima em saber como é a vida dos deficientes auditivos em outros lugares e culturas.

Mandei algumas perguntas e ela me mandou um textinho contando a história dela, que tenho o maior prazer de compartilhar com vocês:

Moro em Desio, uma cidadinha pertinho do Milão (norte da italia). Tenho 32 anos e trabalho em Milão num banco online.
Nasci surda neurossensioral bilateral profunda, nao sabemos a causa.
Meus pais perceberam, antes de ter um ano de idade, que nao emitia nenhum som, nem balbucio. Então me levaram num otorrino, mas ele falou que eu não era surda, porque era muito vivace (levada) e, por isso, não respondia as chamadas das pessoas… hehehe
Estava difícil compreender. Depois de alguns meses, me levaram em outros medicos e foi diagnosticada definitivamente a minha surdez.
Aí, com um ano e meio de idade, comecei a usar aparelhos auditivos e a fazer muita fonoaudiologia pra aprender a falar, ler labios rapidamente e ouvir (isto é, saber escutar sem ler labio. Foi dificil!! rs). Também fiz musicoterapia.
Usei aparelhos auditivos até no março 2005 e depois fiz Implante coclear (quando tinha já 27 anos – nasci no novembre do 1978).
Nunca aprendi a LIS, Língua Italiana de Sinais, que aqui ainda não é reconhecida. Acredito que falte pouco tempo pelo reconhecimento desta Língua. Sei apenas alguns sinais da LIS, mas aprendi a Líbras aí no Brasil… Porém, isso é uma outra historia e fica pra outra hora.
Minha familia aceitou plenamente a minha surdez, graças a Deus.
Aqui na Italia acho que há apenas cinco escolas especiais para surdos, já que existe inclusão nas escolar desde a década de 70, com um professor(a) a mais na turma como suporte ao alunos com qualquer tipo de deficiência.
Eu mesma estudei em escolas inclusivas toda minha vida escolar.
Infelizemente, há “conflitos” entre associações que apoiam firmemente a educação oralista e associações que defendem a LIS…
Mas há também grupos dos oralizados que aceitam os sinalizados sem problema. Depende dos lugares aqui na Italia. É todo misturado!! rs
Sobre o preconceito, depende do lugar. Mas tem ainda, é bastante escondido.
Até 2006 pela lei nós surdos éramos definidos “surdomudos”. Agora, somos apenas “surdos”.
Marta em Lago de Como - Italia 2010
Obrigada por compartilhar sua história conosco, Marta!
Beijinhos sonoros,
Lak

8 palpites

  1. SôRamires disse:

    Ótima história, eu também adoro saber como os surdos de outros países vivem. E gosto ainda mais quando vejo uma pessoa surda que não vive a surdez como um problema. Parabéns por seus achados Lak. 🙂

  2. Deni disse:

    Eu também sou curiosa para saber como vivem os surdos em outros países! 🙂
    E Lak, abusando da sua paciência, será que você poderia encaminhar o meu e-mail a ela, ou passar o dela? Adoraria trocar figurinhas! Estudei a língua italiana e tenho planos de ir para a Itália logo…

    Bjão!

  3. Simone disse:

    Sempre que você souber alguma história de surdo(a) em outros países fora do Brasil, coloque no seu blog, sim??? Eu sou curiosa também, aliás, não sou a única, pois acredito em que há gente que quer saber como é o mundo do(a) surdo(a) lá fora.
    Beijos.
    Simone.

  4. Greize disse:

    Sou super curiosa, para conhecer outros países, cultura, tdo.Obrigada Lak por nos dar essas informações, vi um documentário frânces ótimo, sobre como é a inclusão dos surdos, nas escolas da França.Que exemplo.
    Bjos
    Greize.