Implante coclear bilateral: vale a pena?

Uma dúvida frequente, que acomete principalmente implantados unilaterais de longa data e candidatos ao IC: vale a pena fazer a cirurgia do bilateral, quando existe indicação médica para ele?

Quase que uma vez por semana, respondo essa pergunta para algum usuário ou candidato, desde que optei por ser bilateral, há 5 anos. E a minha resposta é sempre a mesma: Sim, vale muito a pena!

A única contraindicação seria se a pessoa ou não tivesse condições de realizar um segundo implante (geralmente por comprometimento de cóclea ou outras questões de saúde) ou ela tiver perfeita integração entre o IC e o AASI (o que, por exemplo, implica a pessoa ter praticamente o mesmo resultado que teria com o IC, usando o AASI, casos bem menos comuns).

Mas, uma vez que a equipe de implante coclear indique – a iniciativa para receber essa indicação pode inclusive ser sua, procurando seu médico de implante ou uma equipe especializada – o implante bilateral, é porque o seu caso seria favorável ao segundo implante.

E, a dúvida mais comum: quais as vantagens do bilateral?

A primeira coisa que eu observei, depois que me adaptei ao implante bilateral – admito que levou algumas semanas, no começo achava até cansativo ficar com os dois ICs, como os lados competissem entre si – era que eu tinha muito mais facilidade de compreender as pessoas em locais barulhentos. Eu conseguia separar melhor o ruído ambiente da voz da pessoa com quem eu estava conversando. Até hoje, eu percebo essa diferença, caso a bateria de um dos lados acabar e eu não puder trocar naquela hora. Meu marido até brinca que ele percebe que eu estou com um implante só, porque começo a pedir para ele repetir o que acabou de dizer o tempo todo.

Além disso, percebi que eu me cansava menos no final do dia. Só lendo lábios, era bem comum ter estresse mental depois de um dia longo de conversas, aulas, reuniões. O esforço que eu fazia para entender era imenso. Com um implante só, esse esforço diminuiu muito. Com dois implantes, caiu drasticamente. E  praticamente sumiu com o apoio dos acessórios de transmissão de som (Mini Mic, no caso do meu Nucleus 6/Kanso). Participar de uma reunião com dois implantes e um acessório virou uma atividade muito mais produtiva e interessante, do que sem essas opções.

Localização sonora é algo que os médicos sempre falam, mas no meu caso, eu sou bem ruim de localizar som mesmo hoje em dia. Não sei se porque eu tenho resultados muito diferentes de uma orelha para a outra (embora, acredite, hoje em dia eu acho que estão cada vez mais próximos os resultados, mas preciso fazer audiometria para confirmar se não é impressão minha), mas eu percebo que a maioria dos meus amigos com o bilateral elogia mais essa capacidade que eu, então tenho certeza que com resultado similar nos dois ouvidos, deve realmente promover uma localização sonora que eu invejo hehe

Também percebi menos necessidade de ficar pedindo para as pessoas sentarem sempre do mesmo lado para eu ouví-las melhor. Se não me engano, chamam isso de “efeito sombra” da surdez unilateral. Ainda que eu continue preferindo o lado direito, porque a minha discriminação desse lado é melhor. Mas, se ela sentar do meu lado esquerdo, eu ouço melhor do que se estiver com apenas o lado direito ligado. Sim, faz diferença ser bilateral até na hora de uma simples conversa lado-a-lado.

E a eterna dúvida: Você gasta o dobro quando tem dois aparelhos?

Bom, a menos que você dê azar deles quebrarem ao mesmo tempo, na verdade, as peças de um costumam servir para o outro lado, então você tem também o dobro de peças sobressalentes. Especialmente se você aproveitar a segunda cirurgia para pedir a substituição do aparelho do primeiro lado (geralmente se consegue mais quando o aparelho do primeiro lado já está entrando em obsolescência ou muito defasado). Ou no caso, claro de uma cirurgia simultânea. E caso um dos lados quebre e você precise consertar/repor o aparelho, você não precisa ficar em silêncio até conseguir a substituição/conserto/troca/backup. Essa segurança é, de longe, uma das melhores vantagens de ser bilateral.

E se eu acho que a discriminação melhora no caso do bilateral?

Embora eu saiba que cada caso é um caso e ninguém serve de referência absoluta para ninguém, eu acredito que se a natureza nos fez com duas orelhas por algum motivo, “equipá-las” ambas com a mesma tecnologia deve ter um efeito similar ao que a nossa biologia nos promove, certo?

Pelo sim, pelo talvez, sou a favor de quem tiver indicação clínica, optar pelo bilateral sim!

Beijinhos sonoros,

Lak Lobato

11 palpites

  1. Bárbara Vitor disse:

    😀 😀 😀

  2. Carlos Silva Carlos Silva disse:

    Bom e fazer em ambos os lados, o problema é o cuidado que vai ser dobrado. Ih ihihihih

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