Kaapor, a outra Língua de Sinais Brasileira

No sul do estado do Maranhão existem cerca de 10 aldeias de uma etnia indígena chamada Urubu-Kaapor, que existe há mais de 300 anos. Em 1949, Darcy Ribeiro, um dos maiores antropólogos brasileiros, visitou este povo e fez um dos primeiros documentários sobre uma tribo indígena no Brasil (disponível no YouTube).

Darcy Ribeiro e índios Urubu-Kapoor

Darcy Ribeiro e índios Urubu-Kapoor – Foto: Instituto Darcy Ribeiro

Mas uma doença mudou o destino dessa população.

Em algum momento de sua história, os Kaapor foram atingidos por um surto de bouba neonatal, que durou muitos anos. A doença infecciosa chegou a desencadear quadros de surdez em cerca de 2% da população. Em 1968, o linguista Jim Kakumasu observou que dos 500 indivíduos de uma aldeia, 7 eram surdos.

Com uma porcentagem tão grande de surdos na tribo, eles criaram uma língua de sinais própria, sem influência externa e que não era usada em nenhum outro lugar.

A tribo se tornou bilíngue. Todo mundo dentro da tribo acabava aprendendo a língua oral (kaapor) e a Língua de Sinais Kaapor (LSKB).

Essa língua começou a ganhar destaque com o trabalho de linguistas, que puderam estudar o nascimento de uma língua de sinais em uma condição bem específica.

No início de suas pesquisas, a linguista Lucinda Ferreira Brito catalogou as línguas de sinais brasileiras seguindo o padrão internacional. Assim, ela descreveu 2 línguas de sinais no Brasil: A Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros (LSCB) e a Língua de Sinais Kaapor Brasileira (LSKB).

Em 1994, a Língua Brasileira de Sinais, usada em centros urbanos pela comunidade surda, passou a ser conhecida como LIBRAS, ganhou status oficial alguns anos depois e seu uso tem sido disseminado pelo país.

Já na tribo dos Urubu-Kaapor, o surto da doença que provocava a surdez durou até a década de 80, quando ela foi erradicada. Qual será o futuro da Língua de Sinais Kaapor quando a porcentagem de surdos na tribo diminuir? Será que os ouvintes vão continuar a usando?

Beijinhos sonoros,
Lak Lobato

2 palpites

  1. Marcos Marquioto disse:

    tem também outra lingua de sinais existe – interior de Piauí.nome é “CENA” http://noticias.ufsc.br/2013/07/tese-da-antropologia-da-ufsc-enfoca-linguagem-criada-por-surdos-no-interior-do-piaui/ . pra quem tem interesse saber sobre lingua indigena entre contato com Shirley Vilhalva (primeira mestra linguística surda do brasil) pesquisou essa area, e tem contato com esses surdos indios. bom ver sua pagina fala sobre Lingua de Sinais!

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