Por que divulgar os Surdos Oralizados?

Vira e mexe, alguém me pergunta “Mas afinal, o que é exatamente um surdo oralizado?”. Afinal, surdo não é tudo a mesma coisa?

Segundo a medicina, a deficiência auditiva é medida por graus de surdez, que vai da leve à profunda. Então, surdos podem ser unilaterais ou bilaterais. Podem ser usuários exclusivos da língua de sinais, bilingues de Líbras e Português, podem fazer parte de uma cultura (a Cultura Surda, que aí preferem utilizar o S maiúsculo, porque consideram-se um povo com cultura e língua próprias) ou podem, como é o caso do grupo do título, utilizarem o português oral e usar a leitura labial e/ou próteses e implantes auditivos como forma de comunicação.Para saber mais sobre Diversidade da Deficiência Auditiva.

Surdos oralizados, em geral, nasceram surdos e foram oralizados através de fonoterapia (com ou sem o auxílio de próteses/implantes auditivos) ou perderam a audição após a aquisição da linguagem oral. Por isso, sentem afinidade com a língua portuguesa falada e tem total domínio do português escrito.

Surdos Oralizados precisam ser divulgados frequentemente, por uma série de motivos, dentre eles:

  • Toda pessoa quer ser reconhecida de acordo com suas condições e necessidades. Um surdo oralizado não se sente reconhecido quando  acessibilidade como legendas (estenotipia) não estão disponíveis em opções de lazer.
  • Acessibilidade se dá de acordo com as necessidades de cada pessoa e não oferecendo alternativas que não suprem as necessidades dela. Por exemplo, intérpretes de LIBRAS não são acessibilidade para surdos oralizados. A menos que façam o trabalho de intérpretes oralistas.
  • A língua portuguesa escrita é a língua materna de todo surdo oralizado brasileiro. Logo, a acessibilidade que ele quer é através dela, não através de outro idioma que muitas vezes ele não domina. Daí a necessidade de legenda num filme, palestra ou peça de teatro.
  • A leitura labial é uma forma de comunicação tão válida quanto qualquer outra forma de se comunicar. Requer apenas boa vontade de falar de frente para o surdo oralizado, um pouco mais devagar que o habitual (mas sem perder a naturalidade do diálogo), evitando tampar a boca com as mãos ou viradas de cabeça que dificultam a compreensão da mensagem. O domínio da leitura labial é um talento incrível de muitos surdos oralizados e deve ser respeitada e não colocada constantemente à prova.
  • Acessibilidade em sala de aula, para um surdo oralizado pode ser: direito de sentar uma carteira em que a visão dos lábios do professor seja favorável, direto a materiais por escrito de matérias mais densas, direito a sugestão de livros de apoio de estudos (muitos surdos oralizados são auto-didatas e gostam de sugestão de livros que complementem a matéria estudada), direito de usar recursos tecnológicos que complementam a audição (Sistema FM, Roger e Mini Mic), direito a um professor auxiliar (que não priorize Líbras) no caso de crianças, intérpretes oralistas. Vai de acordo com as necessidades de cada surdo oralizado.
  • Respeito pelo sotaque na voz. Muitos surdos oralizados tem voz com questões características que soa diferente da voz de um ouvinte. Principalmente aqueles que foram oralizados por fonoterapia ou que perderam a audição cedo, sem acesso à tecnologias adequadas para suprir a perda auditiva. E eles tem direito de se comunicar com sua voz, sem serem ridicularizados ou questionados sobre porque preferem usá-la em vez de aprender a língua de sinais (é uma questão de escolha pessoal que deve ser respeitada, assim como devemos respeitar que opta pelo bilinguismo).
  • Podem ou não utilizar próteses e implantes auditivos. E cada um deve se respeitado de acordo com suas necessidades e preferências. Nem todos querem/podem usar aparelhos auditivos ou implantes cocleares. E, independente de qual seja sua escolha/preferência, não cabe a ninguém questioná-los. No máximo, falar de alternativas, mas respeitando possíveis recusas ou desinteresse.
  • Precisam de atendimento adequado em canais de comunicação de bancos e empresas, atravésdo serviço de chat online ou SMS. Telefones tipo 0800 para surdos dependem de um aparelho chamado TS, obsoleto e ultrapassado que praticamente nenhum surdo oralizado tem em casa.
  • Respeito pelo uso de próteses e implantes auditivos, dos quais muitos dependem ao ponto de sentirem-se indefesos sem elas, em provas e concursos. Não devem ser confundidos com equipamentos de transmissão de áudio para cola, mas de uma prótese para a comunicação do surdo oralizado.
  • Reconhecimento por sua deficiência, com os mesmos direitos e deveres que qualquer outro grupo de pessoas com deficiência específica.

Por esses e vários outros motivos, é importante que toda a sociedade saiba que surdos oralizados existem, possuem necessidades específicas, dependem de acessibilidade para ter acesso ao lazer e à educação e merecem tanto respeito quanto qualquer outro grupo de pessoas com deficiência.

Como dizia minha amiga Alice Inácio, lá de Portugal: “Surdos Oralizados – Nós Existimos, Nós Falamos”.

Beijinhos sonoros,

Lak Lobato

4 palpites

  1. Bárbara disse:

    Lake Lobato, acabei de conhecer seu blog através da Bia Rocha. Adorei esse texto! Estou me sentindo como se existisse um mundo novo, que não tinha idéia.
    Parabéns pelo seu trabalho. 🙂

  2. Mariana Rufino, oq eu falava pra geral que falava que eu nao era surdo

  3. Luizir Rico Luizir Rico disse:

    Eu sempre digo eu não falo ALTO ,você que fala muito baixo eu não entendo ,

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