Tecnologias auditivas não são gastos, mas investimento

Antes de continuar lendo, um alerta. De forma alguma interpretem esse texto como um ataque à surdez ou a língua de sinais. Mas, sobre como é importante observar que perder a audição não é simplesmente “algo que faz parte da vida e é assim mesmo”, mas como algo que pode afetar substancialmente a qualidade de vida das pessoas e, portanto, deve ser tratada de acordo com as possibilidades.

Segundo uma pesquisa realizada na Europa (PDF), foi comprovado que investir em tecnologias auditivas (ou seja, aparelhos convencionais e toda a sorte de implantes auditivos, além de tratamento fonoaudiológico) tem sido um fator determinante não apenas na melhora da qualidade de vida das pessoas com deficiência auditiva adquirida (principalmente por fatores relacionados à idade) quanto uma forma dos sistemas de saúde economizarem dinheiro a longo prazo.

Numa sociedade onde as pessoas estão vivendo cada vez mais e com números cada vez menores de taxa de natalidade, a Europa tem uma preocupação com a qualidade de vida da população mais idosa. Viver muito sem qualidade de vida não é o sonho de ninguém, nem de uma sociedade saudável.

O que esta pesquisa observou foi que em muitos países, o acesso à saúde e tecnologias auditivas não é tão simples. E os resultados dessa falta de recursos adequados para contornar a deficiência auditiva, especialmente quando adquirida (porque a pessoa já tem uma identidade de ouvinte formada e se comunica pela via auditiva-oral) faz com que:

  • Pessoas com perda auditiva severa tem uma probabilidade 5 vezes maior de desenvolver demência do que aqueles com audição normal
  • Idosos com perda auditiva correm maior risco de isolamento social e redução da saúde mental
  • As pessoas idosas com perda auditiva tem duas vezes e meia mais chances ter depressão e também tem um maior risco de desenvolver uma depressão mais profunda.
  • O isolamento social tem um efeito sobre a saúde. Em pessoas mais velhas, há uma forte correlação entre a perda auditiva e o declínio cognitivo, doença mental, demência e morte prematura.
  • A perda auditiva está associada a uma maior utilização de serviços médicos e sociais.
  • Aqueles com perda auditiva têm maiores taxas de desemprego e subemprego.

Como esse assunto é polêmico, reforço o seguinte: Surdez não causa depressão, demência ou morte por si só. Um surdo bem inserido na sociedade (seja pelo desenvolvimento da linguagem oral pelo apoio de próteses auditivas ou por LIBRAS) será um cidadão saudável e produtivo como qualquer outro. Porém, um ouvinte que perde a audição e não consegue mais interagir com os outros, sofre de tal forma com o isolamento social, que ele pode vir a desenvolver diversos distúrbios mentais, que podem inclusive levar à morte.

Como conclusão desta pesquisa, que contabilizou que  há 51 milhões de pessoas com algum grau de perda auditiva na Europa (segundo o Censo do IBGE de 2010, o mais recente realizado no Brasil, somos 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva de graus variados) e a deficiência auditiva é a deficiência mais frequentemente observada em pessoas com mais de 70 anos. E que as sequelas provocadas pela perda auditiva consomem imenso uma fatia imensa dos gastos da saúde pública, uma vez que pessoas com depressão, demência e debilidade cognitiva necessitam de cuidados recorrentes e medicamentos, muitas vezes onerosos para o Estado. Isso sem mencionar os gastos da previdência social.

Por isso, concluiu-se que investir em programas de saúde auditiva, desde exames de prevenção, como tecnologias auditivas e terapias complementares são mais baratos e eficazes que tratar as sequelas da perda auditiva a longo prazo.

Em vista dessa observação, os aparelhos e implantes auditivos, por mais caros que possam ser à primeira vista, na verdade, a longo prazo, são muito mais baratos do que uma deficiência auditiva não tratada.

Obviamente, estamos falando de dados da Europa, mas que certamente podem ser aplicados aos nossos adultos e idosos com perda auditiva.

Aqui no Brasil, por exemplo, um corte de verba no SUS, em programas de saúde auditiva ou programas de implante coclear, podem parecer uma boa ideia para um gestor do governo num primeiro momento, mas a longo prazo esses pacientes que não foram atendidos corretamente podem trazer graves consequências para todo o sistema público de saúde e para a sociedade em geral.

O mesmo serve para as nossas próprias famílias. Postergar um tratamento pode ter consequências graves para os familiares. Se você tiver algum parente com quadro depressivo de isolamento causado pela idade, considere a possibilidade dele estar perdendo a audição e com vergonha de falar sobre o assunto. Perder a audição, para um adulto ouvinte, é perder a capacidade de interagir com a sociedade. E isso não deve ser negligenciado.

Em outras palavras: aparelho/implante auditivo não é gasto, mas investimento em qualidade de vida. A consequência de ignorar a perda auditiva para não gastar com aparelho pode custar muito mais caro do que o preço das tecnologias auditivas, tanto para o próprio paciente como para o governo e toda a sociedade. Não apenas para o bolso, mas como para a saúde mental e física daqueles que adquirem deficiência auditiva ao longo da vida.

Fonte: https://thebahablog.com/2016/10/07/european-report-investing-in-hearing-technology-improves-lives-and-saves-money/

Beijinhos sonoros

Lak

2 palpites

  1. muito bom divulgar esses dados, saúde auditiva é importante em quanquer idade…

  2. Ouví varios é assim mesmo, não tem solução…corri atras e com ajuda de profissionais descobri o implante coclear…se minha vida mudou???simmmm…muuiitooo….imensamente abençoada e agradecida por ter dado certo….mas claro que cada caso é um caso…