Vencedores do 1º Concurso Cultural do DNO

Com muito prazer e satisfação (e um pouco de dorzinha no peito, pelos posts que tive que não-escolher, na hora de escolher os vencedores) que anuncio hoje os ganhadores da camiseta da campanha “Cuide da sua audição! Ouvir é tudo de bom!”.

Foram estas as respostas que considerei mais emocionantes para a pergunta “Qual o som que mais te marcou na vida? Por que?”

Adriana Nunes, que respondeu: “O som que mais me marcou ouvir nessa vida foi da minha mãe quando voltou da maternidade e disse para mim: “vem ver! Sua irmãzinha chegou!”

Camila, que contou que: “Meu filho nasceu com surdez profunda bilateral, depois de muitos exames, idas e vindas à Bauru, ele finalmente foi implantado com 2 anos e meio. Dois dias depois da ativação do implante, estávamos de volta em nossa casa, brincando no quintal e de repente ele colocou a mão no ouvido e começou a imitar o som dos passarinhos que estavam cantando, algo como “iiiiii” “iiiiii”, naquele momento eu percebi que era a primeira vez que ele escutava os pássaros. Eu falei: está escutando os passarinhos? E ele ria e continuava imitando! Definitivamente, ele imitando o som dos passarinhos, que ele escutava pela primeira vez, me marcou pra sempre, nunca vou me esquecer da felicidade em perceber que ele realmente estava ouvindo!”

Magda Zobra, contando sobre sua experiência no esporte “Fiquei pensando em varias coisas que me aconteceram pós implante…mas quando comecei a correr ja estava com muita dificuldade de ouvir e as vezes não ia com o AAIS pra não estragar pelo suor…Mas na primeira corrida que participei depois de ativada,fiquei emocionada com um rapaz da organização que ficou chamando pelo meu nome, comecei a dar risada na hora e deu até pra acelerar …E agora vou fazer a São Silvestre e ouvindo vai ser minha primeira ativada e é uma grande festa em São Paulo a que mais tem publico pra incentivar…””

David Barbosa, relatou algo muito especial “O som que mais me marcou foi a viz da minha filha após eu ter feito o implante. Isso porque, na manhã em que me dei conta que estava definitivamente surdo minha pequena veio falar com o papai, mas eu não a pude ouvir e fiquei temeroso em não poder ouví-la mais…ateé que, após o implante ela se dirigiu a mim e pude, agraciado, ouví-la novamente.””

Maria Clara Dornellas, arrancando lagrimas e risadas num comentário só “Hoje faz 3 dias que fui ativada do implante bilateral, e o primeiro som que mais me comoveu e me fez RIR foi quando eu fui ao toalete da clínica após ativação e quando eu dei a descarga, eu adorei ouvir o barulho da descarga…e aí dei a descarga duas vezes só pra me deliciar no som que me remeteu ao passado e repentinamente lembrei dos banhos de cachoeira que eu tomava no meu sítio lá em Minas Gerais! Então a frase seria: “Ouvir a descarga me fez lembrar de como é bom tomar banho de cachoeira!”

Priscila Alves fez o comentário mais lindamente descritivo de uma situação nada fácil de se viver “Quando meu pai estava no final da jornada dele a voz dele também foi diminuindo. Por vezes eu viria seus lábios se mexerem e bem baixinho tinha aquela voz, dantes forte, falando algo não compreensível para mim. Me peguei várias vezes falando “desculpe pai, não consegui ouvir/entender”. Mas meu som preferido, que eu guardo com carinho, foi os beijinhos na mão quando eu tentava me despedir dele, a voz fraquinha dizendo que não precisava ir embora.”

Gilson Leite, por sua vez, narrou o momento exato em que a vida começa “O som que mais marcou a minha vida foi o choro de meu filho ao nascer, pois apesar da gravidez da mãe ter sido boa, o parto foi bem complicado, corrido e moveu duas equipes médicas por horas. Eu estava sozinho em plena madrugada, gelada, em 21 de junho de 1991, do lado de fora do centro cirúrgico, angustiado, coração apertado e mente em ebulição, mas ciente do que ocorria lá dentro. Hoje ele já crescido, se formando em Jornalismo neste mês de dezembro”

Roselle Maria contou algo tão muito forte de se ler “O som que mais marcou minha vida foi um sonoro e potente: AAAAAAAAAAAAAH,AAAAAAAAAAAAAAAH!
Engana-se quem pensa que tem a ver com os primeiros fonemas de minha Marcella,guerreira até no nome,mas tem tudo a ver com ela.
Nascida de um parto prematuro de 27 semanas,após eu sofrer um quadro de pre-eclampsya,enquanto me preparavam no bloco cirúrgico iam me orientando sobre os procedimentos e principalmente sobre um fator muito importante nesse tipo de “parto cesáreo”:ao contrário das crianças nascidas em tempo normal,onde se dá um tapinha,quando o bebê não chora,para a entrada de ar nos pulmões,ela não choraria pois seu pulmão ainda era imaturo e tão logo nascesse iria direto para a Uti Neonatal.
E qual não foi a minha surpresa e da equipe médica também,quando a anestesista que me contava sobre o que estava acontecendo(apesar do quadro eu estava consciente),ao me dizer que ela seria retirada e eu ouvindo um “glup” e perguntando a ela se era a Marcella,antes de sua resposta veio o citado grito:a plenos pulmões,desbravando esse mundo,tão inocente,tão brava por estar saindo daquele aconchego onde o certo era estar por mais 90 dias(lágrimas rolando,pois ainda me emociono).Os médicos a chamaram de “atrevida”,exclamaram:”como pode ter um grito assim com esses pulmõezinhos!?”.
E esse é o som que jamais me esquecerei.Vibro com seu desenvolvimento pós implante mas aquele “grito atrevido” ainda ecoa em meus ouvidos e coração!!!””

Flávia Lage lembrou como até os sons não tão poéticos conseguem marcar a gente pra sempre “Minha família sempre foi muito alérgica. Quando eu era pequena, todo dia de manhã meus irmãos acordavam com o nariz escorrendo e era um funga-funga pra cá, funga-funga pra lá. Eu, com meu sono leve, acordava e ia chamá-los pra brincar (em vão, afinal, eles tinham faculdade e eu tinha que ir pra escola). Mesmo assim, me era satisfatória a companhia. Depois que cresci e meus irmãos já não moravam comigo, comecei a notar um certo silêncio nas minhas manhãs. Demorou, mas entendi que sentia falta daquele grunhido peculiar, porque sabia que depois dele, seguia então a companhia dos meus irmãos.
O som que mais me marcou nessa vida foi o funga-funga deles”

No caso da Carla Moura, fiquei sem saber quem merece direito a camiseta hahaha “O som mais marcante foi a voz de minha filha nessa frase:

Mamãe, eu pensei que ia gostar que a mamãe voltasse a ouvir, mas foi muito mellhor, eu amo!!”

Alessandra, por sua vez, contou como algo simples pode fazer uma diferença enorme “O som que mais marcou ouvir nesta vida foi o de gotas caindo do chuveiro pingando, som este que ouvi logo após a ativação do meu implante coclear no ouvido esquerdo. Este som foi o que mais me marcou, simplesmente por ser o primeiro de uma sequência de muitos outros sons que viria a ouvir depois, somente com este ouvido, após mais de trinta anos sem ouvir com ele”

Desejo de coração que as pessoas saibam apreciar tanto os sons como essas pessoas acima souberam….
E aqueles que não ganharam, espero que me perdoem. Foi uma escolha difícil para caramba, porque todas as respostas eram lindas, mas infelizmente, eu só tinha 10 camisetas e foi preciso selecionar 10 respostas.

Aos ganhadores, por favor, enviem-me o endereço para que eu possa mandar a camiseta pelo correio.

Beijinhos sonoros e parabéns a todos os participantes,

Lak

8 palpites

  1. Eliane disse:

    Emoção é pouco pra definir o que senti lendo todos os relatos…é muito mais do que isso, é a poesia do momento de contemplação do som de cada pessoa ao descrever sua descoberta ou redescoberta mais intima, mais pura. Faço ideia de como deve ter sido difícil escolher. 😥 🙂

  2. soramires disse:

    haja camiseta para tanta história bonita, parabéns a todos que participaram, compartilhar essas histórias é bom prá todo mundo…
    😀

  3. Raul disse:

    Modéstia a parte, o meu folha seca ganharia fácil 😈

  4. shirley de morais disse:

    linda!! todas são lindas, sabemos o valor de cada son me emocionei, bjs